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ARTIGO DE OPINIÃO ][ Feiras de agro do MATOPIBA: Sucessos e gargalos de gestão em 2026
Data de Publicação: 15 de junho de 2026 10:10:00 Feiras do Cerrado reafirmam a força do setor, mas acendem alerta para falhas de comunicação, centralização e urgência de privatizações.
Resumo
O fim do ciclo de feiras no MATOPIBA consolida a região como potência econômica e atrativa de investimentos. Contudo, os bastidores da Bahia Farm Show, Agrotins e AgroBalsas revelam a necessidade urgente de profissionalizar a comunicação, descentralizar gestões e privatizar eventos estatais.
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Por Antônio Oliveira
O ciclo das grandes feiras agrotecnológicas da região do MATOPIBA chegou ao fim neste ano no último sábado, 13, com o encerramento da 20ª edição da Bahia Farm Show. Não obstante as dificuldades enfrentadas pelo setor agropecuário em 2026, esses eventos demonstraram, mais uma vez, o forte potencial de exploração econômica por meio da agropecuária, da aquicultura e da logística no Cerrado do Norte e Nordeste do Brasil. Todas as grandes feiras, somadas às de menor porte realizadas no sul do Piauí, oeste da Bahia e sul do Tocantins, cumpriram seus respectivos papéis: servir de vitrine regional, funcionar como gabinete de entes federados para o atendimento das demandas do setor rural, promover a troca de experiências, o networking e a difusão de tecnologias. Elas reafirmam a relevância do MATOPIBA nos cenários nacional e internacional de produção de alimentos, fibras e biomassa, consolidando essa posição ao atuarem como agentes de atração de investimentos — os quais se revertem em geração de empregos, renda e melhorias nos centros urbanos onde o agro se insere.
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Imagem ilustrativa sugerida a Gemini IA
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Os eventos fizeram bonito e merecem os aplausos das plateias rural e urbana. Contudo, algumas observações sobre as três principais feiras precisam ser feitas e, quiçá, reconhecidas por seus organizadores e executivos.
A Bahia Farm Show, graças ao alto grau de profissionalização impresso em tudo o que faz a Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), promotora do evento, é a que historicamente apresenta menos falhas e reclamações. Neste ano, porém, pecou pela falta de uma assessoria de comunicação mais eficiente. A impressão é de que a equipe era reduzida, predominando a falta de experiência e de um conhecimento mais profundo sobre o agro e sobre os veículos de comunicação — regionais e nacionais — que orbitam no entorno do Cerrado baiano. No contexto geral, emergiu um problema inerente ao ser humano: faltou menos arrogância e mais humildade do presidente da Aiba e da feira, Moisés Schimidt, e de seus coordenados, salvos as exceções e são muitas. A humildade é um recurso de gestão que muitos executivos continuam menosprezando, desconhecendo que ela integra o patrimônio geral de qualquer instituição, pública ou privada – prática em voga em megas empresas nacionais e multinacionais. A comunicação é, de fato, um quesito no qual a atual gestão da Aiba e da Bahia Farm Show falha. A associação está sem uma liderança em sua assessoria de imprensa; embora a equipe técnica seja competente (falta melhor interação com os editores e repórteres. Assessorar não é apenas produzir e disparar releases), competência sem coordenação gera ruído. Para completar, a empresa terceirizada contratada para a assessoria da feira repetiu erros já conhecidos nos meios jornalísticos local, regional e nacional.
"Competência sem liderança gera ruído; grandes instituições devem estar sempre acima de vaidades pessoais."
A Agrotins, maior feira de agrotecnologia do Norte do Brasil, foi salva de última hora pela intervenção direta do Governo do Estado do Tocantins, seu promotor. Não fosse por isso, quase não teria sido realizada. Entre erros (poucos) e acertos, o evento mostrou a que veio e, apesar do desempenho comercial fraco, cumpriu seus objetivos essenciais: ser a vitrine do potencial tocantinense, promover a agricultura familiar (uma importante questão de Estado), difundir tecnologias e atrair investimentos. Diante desse cenário, volta à tona uma velha tecla: o Estado do Tocantins já cumpriu seu papel histórico de criar e fomentar uma feira-vitrine da principal vocação econômica do Estado, o agro. Agora, é hora de terceirizar e privatizar a gestão do evento. O poder público não deve atuar como promoter de grandes certames econômicos.
Quanto à AgroBalsas, outra importante força do setor realizada no Cerrado maranhense, o desafio já começa no isolamento logístico da região por via aérea e na limitada rede hoteleira local. Diante de muitas dificuldades — incluindo a recusa de concessionárias de máquinas e implementos em participar da edição deste ano por motivos diversos —, a feira também cumpriu o seu papel.
Aqui, contudo, toca-se em um ponto sensível e melindroso, pois mexe com sentimentos, raízes e cultura. Desde o seu início, há quase 30 anos, a feira é coordenada por uma única pessoa: a superintendente da Fundação de Apoio ao Corredor Norte de Exportação (Fapcen) e idealizadora do evento, a agrônoma Gisela Introvini. Trata-se de uma profissional com vasto conhecimento da realidade agronômica do Cerrado. A Dra. Gisela, no entanto, ainda não aprendeu a trabalhar em equipe: ela até forma os times, mas centraliza todas as decisões. Concentra em si cargos e funções que deveriam ser distribuídos entre profissionais focados, sob uma liderança clara, além de frequentemente misturar questões pessoais com institucionais. E falo com conhecimento de causa: em algumas edições, atuei na assessoria geral do evento; em outras, tentei assessorá-lo.
Demiti-la? Não, pois ela é o principal elemento-chave da Fapcen e da AgroBalsas, ligada por fortes laços sentimentais a ambas as instituições. Uma demissão seria ingratidão e geraria traumas pessoais e institucionais desnecessários.
Por outro lado, ou a Fapcen promove mudanças estruturais na organização da AgroBalsas, ou o evento será engolido pelo eventual surgimento de outra feira agrotecnológica em Balsas ou em regiões vizinhas. Se não for engolida, continuará pequena diante da grandiosidade do Cerrado maranhense. Como humilde sugestão, a alta cúpula da Fapcen — Presidência e Diretoria — deveria propor um novo organograma para a AgroBalsas: a criação de uma Coordenação Geral, funcionando como autoridade máxima do evento. Subordinados a essa coordenação ficariam, de um lado, Gisela Introvini, dirigindo a parte didática e científica (palestras, seminários, workshops e difusão de tecnologias), área que domina com maestria; de outro lado, Marcelo Introvini — outra peça-chave da instituição — liderando o Departamento Comercial e de Marketing, função que já desempenha bem e onde detém o canal com o mercado. Também ligada diretamente ao coordenador geral ficaria a assessoria de comunicação (jornalismo e redes sociais), seguida pelos demais auxiliares. Cada departamento e cada membro focado em sua área, mas devidamente sintonizados.
Com essa nova estrutura em funcionamento, o passo seguinte seria vender o evento Brasil afora e inseri-lo na grande mídia nacional, que atualmente dá pouca atenção ao ao evento, justamente por causa da maneira de ser da Dra. Introvini. Se antigos e novos expositores, regionais e nacionais, forem consultados sobre o que pensam da AgroBalsas, pode-se ter certeza de que a defesa será exatamente essa. Mudanças costumam doer em muita gente, mas, neste caso, as duas instituições estão acima de quaisquer interesses pessoais.
Por fim, os demais eventos do sul do Tocantins, oeste da Bahia e sul do Piauí carecem de uma política estratégica de inserção na mídia regional e nacional. Falta-lhes, de certa forma, saber aproveitar o próprio potencial para ocupar espaços na imprensa de forma espontânea.
Agronegócio, MATOPIBA, Feiras Agrotecnológicas, Gestão de Eventos, Comunicação no Agro.
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