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ENSAIO ][ Bastidores da piscicultura: o mistério do tambaqui livre de espinhas Y

ENSAIO ][ Bastidores da piscicultura: o mistério do tambaqui livre de espinhas Y

Data de Publicação: 28 de maio de 2026 18:35:00 Entre o rigor técnico da Embrapa e o otimismo dos criadores, bastidores do setor indicam que a sonhada linhagem livre de espinhas Y está próxima.

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Resumo

O ensaio analisa o potencial do tambaqui e os rumores sobre a validação, pela Embrapa, de uma linhagem sem espinhas Y. Embora a instituição negue oficialmente, fontes do setor garantem que viveiristas já se preparam para receber os exemplares.

 

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Segundo peixe de água doce mais cultivado
no Brasil pode surpreender (Foto: Divulgação)
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Por Antônio Oliveira  

Há algo de novo sobre a tambaquicultura — o cultivo de tambaqui, peixe nativo da Amazônia — no ar.

O tambaqui ocupa hoje o posto de segunda espécie de peixe mais cultivada do Brasil, com forte predominância nos estados da Região Norte. Seu potencial de mercado, contudo, vai muito além das fronteiras nacionais e já começa a ganhar o mundo, tendo inclusive conquistado festivais gastronômicos no exterior. Grande parte desse avanço se deveu a uma política institucional bastante positiva da Associação de Criadores de Peixes do Estado de Rondônia (Acripar), que promoveu degustações em massa por todo o país, consolidando dois cortes característicos e irresistíveis da espécie: a banda e a costelinha de tambaqui assadas.

Mas um detalhe anatômico e natural sempre funcionou como um freio para o crescimento do consumo do peixe, principalmente entre o público infantil: a famosa espinha em formato de "Y". Há quem diga — e eu me incluo firmemente nesse grupo — que no dia em que as pesquisas científicas conseguirem uma modificação genética capaz de anular essas espinhas, o tambaqui dará um salto tão gigantesco que, se não ultrapassar a tilápia em volume de cultivo e consumo no ranking nacional, estará o mais próximo possível dela.

"Quando a ciência encontra o faro do produtor, o mercado se transforma; o tambaqui sem espinha deixou de ser utopia para se tornar bastidor."

Esse desejo e essa clara necessidade comercial começaram a receber luz nos campos de pesquisa de forma curiosa. Tudo partiu de um equívoco na compra e venda de juvenis em um viveiro de Rondônia. Um criador solicitou ao seu fornecedor determinada tonelada de tambaqui, mas fez uma exigência incomum: queria que os peixes fossem do "lote sem espinha". Surpreso, o dono do viveiro explicou que não tinha e que nunca existira tambaqui sem espinha. Conversa vai, conversa vem, comprovou-se que aquele lote específico apresentava, sim, uma mutação genética natural que eliminava as espinhas em Y. O episódio despertou a atenção de universidades, institutos e da Embrapa em todo o Brasil, que prontamente iniciaram linhas de pesquisa. Essa é uma história fascinante que detalhei em um artigo anterior, e o leitor interessado em saber mais sobre o ciclo curto e a busca pelo peixe sem espinha pode conferir clicando aqui (há várias outras matérias sobre o tambaqui neste site).

Pois bem. Nesta quarta-feira (27), enquanto conversava com um influente criador e promotor da espécie sobre o futuro do tambaqui  e manifestava minha esperança na validação dessas pesquisas, recebi uma informação bombástica. Meu interlocutor, falando com a propriedade e a segurança típicas de quem desfruta de imenso crédito no mercado, foi categórico:

— Então pronto! A nossa Embrapa Pesca e Aquicultura já tem o tambaqui sem espinha e com um rendimento de carcaça de 60% em relação ao tambaqui comum.

A banda assada do tambaqui é muito apreciado
e já ganhou o paladar de estrangeiros (Foto: divulgação)
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Ainda conforme o relato dessa fonte, alguns viveiristas de ponta dos estados do Norte já estão com suas estruturas preparadas para receber os primeiros exemplares dessa nova linhagem.

Diante disso, procurei imediatamente a assessoria de imprensa da Embrapa. A instituição, por sua vez, negou que a pesquisa esteja validada, argumentando que "ainda há etapas" complexas a serem vencidas, e todo aquele protocolo institucional padrão. De forma muito diplomática, a assessoria de imprensa tentou tirar da minha cabeça que a pesquisa está validada e etc e tal. Mas diante da minha informação de que faria matéria sobre esta questão, de forma democrática e ética jornalística, não tentou me impedir.

Eu respeito e acredito piamente na seriedade da Embrapa, da mesma forma que confio no meu interlocutor. Não obstante o rigor técnico da empresa pública, os argumentos formais de sua assessoria não me convenceram — e dou ao meu informante o benefício da razão. Sabemos que existe todo um ritual científico, burocrático e político para o lançamento oficial de novas cultivares ou linhagens animais por parte da estatal. Mas eu, como jornalista e analista, tenho o direito e o dever de revelar as minhas convicções. Trata-se aqui, que fique bem claro, de uma informação ainda não oficial, mas na qual eu acredito, por acreditar na competência dos pesquisadores da nossa gloriosa Embrapa.

Exatamente por a Embrapa não confirmar oficialmente a novidade, decidi poupar o nome do meu influente interlocutor. Mas que há algo de muito bom e inovador prestes a acontecer na tambaquicultura, isto há. Eu acredito no que ouvi e, agora, é esperar para ver.

 

Tambaquicultura | Embrapa Pesca e Aquicultura | Melhoramento Genético | Piscicultura Nativa | Inovação no Agro | Mercado de Pescado

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