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ARTIGO DE OPINIÃO ][ O fantasma do bicudo na tilápia: entre o vírus e o dumping
Data de Publicação: 14 de abril de 2026 10:58:00 A tilapicultura brasileira, que sustenta 1,5 milhão de empregos, enfrenta a ameaça letal do vírus TiLV e a concorrência desleal do peixe vietnamita.
Resumo
O setor de tilápia saltou para 700 mil toneladas, mas o otimismo de 2026 é freado pela importação do Vietnã. Com preços predatórios e risco sanitário iminente, o setor clama por medidas drásticas do ministro André de Paula para evitar que a história do algodão e da soja se repita na piscicultura.
Por Antônio Oliveira
A piscicultura brasileira é um dos setores do agronegócio que mais cresce no país. Dentro desse nicho, a tilapicultura consolidou-se como a principal atividade nacional nos últimos cinco anos, atingindo marcas históricas de produtividade e participação de mercado. Entre 2021 e 2025, o setor saltou de 530 mil para mais de 700 mil toneladas anuais, respondendo hoje por 70% da produção de pescados de cativeiro no Brasil.
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A tilápia é o peixe mais cultivado no
Brasil e está sob risco (Foto: Copermota)
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O desempenho econômico em 2025 revelou uma dicotomia: um salto histórico no faturamento das exportações no primeiro semestre, seguido por estabilidade e desafios tarifários no fechamento do ano. O segmento de peixes de cultivo — onde a tilápia representa 70% do volume produzido em 2025 — encerrou o último ano com faturamento superior a US$ 60 milhões.
Embora o volume seja dominado por grandes cooperativas e empresas integradoras, a base social do setor é a aquicultura familiar – que, diga-se, está precisando de representatividade nacional. Eficiente e decisiva no crescimento da piscicultura, a Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe-BR) acolhe apenas os seus sócios, que são grandes produtores e empresas da cadeia de suprimento do setor. Esta é uma reclamação que este portal recebe frequentemente de pequenos piscicultores de todo o Brasil. Também de ATERs e de mais Sebrae presente no setor, reclamam.
Voltemos ao eixo proposto.
Segundo o Censo Agropecuário e estimativas de 2025/2026, entre 70% e 77% dos estabelecimentos aquícolas brasileiros são classificados como agricultura/Aquicultura familiar. Além disso, a cadeia é uma das que mais gera empregos por hectare: em 2026, estima-se que a tilápia sustente cerca de 1,5 milhão de postos de trabalho no Brasil.
“Não podemos permitir que a tilápia seja a próxima vítima da negligência sanitária e da política externa, repetindo os fantasmas do algodão e da soja."
Contudo, este potencial está ameaçado por uma concorrência desleal e pela sombra do Vírus da Tilápia do Lago (TiLV). A primeira ameaça desestimula a produção nacional, visto que a tilápia do Vietnã — exportada ao Brasil num "agrado" do governo Lula aos vietnamitas — possui um custo operacional ínfimo perante a realidade brasileira. É o puro dumping: em 2026, o peixe vietnamita chegou com preço FOB de R$ 16,70/kg, enquanto o custo do filé nacional no atacado gira em torno de R$ 31,00/kg. Essa diferença estrangula as margens de lucro e atinge polos antes protegidos, como Minas Gerais, que importou mais de 120 toneladas em um único mês.
A segunda ameaça é sanitária e pode quebrar o setor. O TiLV, onde chega, dizima até 90% dos plantéis. O Vietnã possui registros do vírus, e a retomada da liberação de importação em 2025 ignorou os riscos à biosseguridade das nossas águas e dos nossos tanques-rede.
A reação já transbordou para o Congresso com o PL 6331/25, que visa proibir a importação sob o argumento de soberania alimentar. O setor não aceita ser "moeda de troca" em acordos bilaterais para beneficiar outras carnes ou grãos. A insegurança jurídica já paralisa investimentos em expansão e tecnologia.
As entidades representativas têm feito alertas severos. O ex-ministro da Pesca e agora titular da Agricultura e Pecuária, André de Paula, sempre foi sensível às demandas da aquicultura. Antes, sua caneta era limitada; agora, como titular da Agricultura, ele pode ter o poder de evitar uma catástrofe econômica e sanitária.
Não podemos permitir que a tilapicultura sofra o que o algodão sofreu no Paraná nos anos 90 com o bicudo, perdendo a liderança nacional, ou o prejuízo de US$ 2 bilhões que a soja amargou entre 2001 e 2004.
O Brasil precisa agir rápido. A bola está com o Mister De Paula e seu bom senso.
tilapicultura — agronegócio — importação Vietnã — vírus TiLV — André de Paula — piscicultura brasileira
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