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ARTIGO DE OPINIÃO ][ O Papel do Estado frente à crise nas feiras de tecnologias agrícolas
Data de Publicação: 12 de abril de 2026 11:03:00 Enquanto a Tecnoshow registra queda nas vendas, governantes precisam agir para garantir a força de eventos vitais como Agrotins e Agrobalsas em 2026.
Resumo
O artigo analisa o impacto da queda de 30% nos negócios da Tecnoshow 2026 e o receio de expositores no Tocantins e Maranhão. Defende que o papel das feiras vai além das vendas, exigindo uma postura proativa dos governos estaduais para fomentar o setor e garantir o desenvolvimento.
Por Antônio Oliveira
A Tecnoshow 2026, realizada entre os dias 5 e 9 de abril em Rio Verde, no sudoeste de Goiás, encerrou com um balanço, em termos de intenção e comercialização de máquinas, implementos e insumos agrícolas, que justificou o temor de quase uma dezena de concessionárias de máquinas e implementos do Tocantins, do Cerrado maranhense e regiões de influência em exporem na Agrobalsas 2026 e Agrotins 2026: queda de 30% no volume de negócios voltados para a produção rural. Entretanto, mais uma vez, a feira exerceu o seu importante papel de difusora e promotora de troca de novas tecnologias, networking, prospecção de futuros negócios e geração de empregos diretos e indiretos na região de Rio Verde. Conforme o prefeito Wellington Carrijo, o evento injetou cerca de R$ 90 milhões no município ao longo da semana, além de registrar 100% de ocupação da rede hoteleira e aumento de 8,5% na arrecadação local. As vendas de caminhões e caminhonetes se mantiveram no mesmo patamar do ano passado: satisfatórias.
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Tecnoshow 2026, queda nas vendas, mas missão
principal cumprida (Foto: Ascom/Tecnoshow/Comigo)
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Feira de agrotecnologia não é apenas para comercialização de máquinas, implementos, insumos e serviços agrícolas. O nome já diz: “feira de tecnologias agrícolas”. Ciente desta premissa e do papel do Estado em fomentar o desenvolvimento social e econômico do Tocantins, o governador Wanderlei Barbosa assumiu a responsabilidade de reunir as dezenas de grandes expositores para uma conversa e uma negociação: o Estado vai dar mais uma contrapartida por elas, além da promoção da feira — que é de interesse dessas empresas e, muito importante, também para a agricultura familiar —, para a difusão do potencial do estado e consequente atração de investidores. É este o papel fundamental da feira. Contudo, o atual e/ou futuro Governo do Estado tem levar a frente o ideia da privatização da feira. Governo não tem que seu empreendedor neste tipo de negócio. Que fique apenas no fomento.
Entendimento que tem, também, a Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), promotora da Bahia Farm Show — questão de honra da entidade, de seus parceiros e do Governo da Bahia.
Ao que tudo indica, o impasse continua no Cerrado maranhense entre a organização da Agrobalsas, que é a Fundação de Apoio à Pesquisa no Corredor Norte de Exportação (Fapcen). Seus diretores afirmam que ela vai acontecer, mas, externamente, a insegurança é notável. Ao menos no site da feira (até este domingo, 10h30), além da logo atualizada para 2026, apenas uma matéria em relação à edição deste ano está publicada — a presença da cientista Dra. Mariângela Hungria como palestrante — e a história da feira; nada da programação. Se estou errado nesta interpretação, oficialize não só para mim, mas para toda a imprensa do Maranhão e do Brasil, poxa! A Agrobalsas é uma instituição de interesse privado no papel, mas público na prática. Ou seja, não tem um dono, é de uma associação. E, muito importante dizer — ciente eu das pedras que podem ser atiradas a este crítico que busca ser construtivo —, o agronegócio praticado no Cerrado maranhense é altamente profissional. A organização da Agrobalsas precisa acompanhar essa realidade e se projetar de vez no cenário nacional de feiras agrícolas, galgando uma melhor posição no ranking nacional. Cabeças inteligentes, desde o alto ao baixo escalão da Superintendência, a Fapcen tem. O contexto geral do agro agradecerá.
“Feira de agrotecnologia não é apenas balcão de negócios; é o pulmão da inovação no campo."
Mas esta situação deveria sensibilizar o governador Carlos Brandão, que acompanha e visita a feira há muitos anos, desde quando nem pensava em ser vice-governador e governador deste estado de riquezas naturais e muitas carências sociais, à espera de que o desenvolvimento econômico, principalmente do agronegócio, amenize suas condições sociais. Assim como entendeu o governador Wanderlei Barbosa, do Tocantins, é preciso chamar a organização do evento e os representantes de expositores que se recusam a investir na feira diante da crise — eu diria incerteza do futuro por causa da guerra entre Estados Unidos e Irã e o atual contexto político do Brasil —, que se instalou no agro neste ano, para propor apoio maior à feira, de forma a compensar os prejuízos que o evento pode ter com a ausência desses expositores.
É uma questão de honra. O Cerrado maranhense é uma região em desenvolvimento social e econômico e a mão do Governo ainda se faz necessária em eventos que promovam este potencial.
Urgente, que o tempo está passando.
Em tempo: Os coordenadores da Agrotins e da Agrobalsas precisam chegar a um acordo e mudar suas datas de realização. Pesa muito para o expositor montar duas estruturas ao mesmo tempo; com isso, um ou outro evento acaba perdendo expositores.
*Antônio Oliveira é editor deste portal.
Tecnoshow 2026 — Agronegócio — Agrotins — Agrobalsas — Políticas Públicas — Tecnologia Agrícola
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