Português (Brasil)

ENTREVISTA / RATINHO JÚNIOR: “Um evento como o IFC é fundamental, reúne no mesmo espaço e para os mesmos debates todos os elos importantes da cadeia”

ENTREVISTA / RATINHO JÚNIOR: “Um evento como o IFC é fundamental, reúne no mesmo espaço e para os mesmos debates todos os elos importantes da cadeia”

Data de Publicação: 12 de agosto de 2022 19:53:00 “O peixe, por suas características, como fonte de proteína e gordura importante para a saúde, precisa estar mais presente como alternativa de alimentação. Estamos trabalhando para ter mais escala de produção, para que os custos sejam reduzidos a quem produz e industrializa, e para que chegue a preço mais acessível ao consumidor” #ratinhojunior #entrevistacomratinhoJunior #ifc2022

Compartilhe este conteúdo:

 

Ratinho Junior, governador do Paraná (Foto: Agência de Notícias do Paraná)

 

Por Antônio Oliveira

Oportuno ao bom  momento da piscicultura brasileira  principalmente, no Paraná e este estado como sede do IFC (International Fish Congress & Fish Expo Brasil), eu busquei, por meio da Secretaria de Comunicação do Paraná, uma entrevista com o governador Ratinho Junior. Fui atendido prontamente e aí segue um bate-papo bem esclarecedor e de muita fé no setor de aquicultura e pesca no estado e no Brasil e um convite especial do chefe do Executivo paranaense.

Centro-Oeste Farm News (COFARM):  Governador, qual é, hoje, o panorama da aquicultura, principalmente da piscicultura paranaense?

Ratinho Júnior: A aquicultura, sobretudo a piscicultura e particularmente a tilápia, está consolidada no estado e com grandes perspectivas de crescimento, assim como ocorreu com outras proteínas animais, como suínos e frangos.

Os números confirmam a força do segmento. De acordo com o anuário 2022 PeixeBR, da Associação Brasileira de Piscicultura, o Paraná produziu 188 mil toneladas de peixes de cultivo em 2021, crescimento de 9,3% em relação ao ano anterior, confirmando o estado como líder na produção, com 23% do mercado nacional. O VBP da aquicultura paranaense ultrapassou R$ 1,3 bilhão no ano passado, tendo como destaque a tilápia, que somou VBP de R$ 1 bilhão.

Grandes aportes da iniciativa privada dão dimensão dessa prosperidade. Entre os investimentos, estão uma unidade de beneficiamento de pescados reativada em Alvorada do Sul; a Copacol adquiriu o frigorífico da Tilápia Pisces em Toledo; a Coopermota está colocando em atividade sua indústria em Cornélio Procópio; e a GTFoods desenvolve projeto em Terra Rica.

O mesmo ocorre com a Alfa Fish em São Jorge do Oeste e, em São João do Ivaí, o frigorífico Mais Fish conquistou a chancela do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal e passou a vender seus produtos em todo o Brasil. Podemos afirmar que esse é um segmento com tendência a crescer de 15% a 20% ao ano no nosso Estado.

COFARM: Costuma-se dizer nos meios produtivos que “se o governo não pode ajudar, também não atrapalhe”. O governo do Paraná está mais para apoiar ou para atrapalhar?

Ratinho Junior: O Governo do Paraná não apenas apoia, mas também participa, em parceria com o setor privado e com o setor acadêmico, das transformações e da manutenção dos avanços que já conseguimos e daquilo que planejamos conseguir.

O Paraná é o maior produor e processador de tilápia do Brasil
(Foto: Agência de Notícias do Paraná)

 

Um dos exemplos mais recentes é a certificação internacional, da Organização Mundial de Saúde Animal de Estado Livre de Febre Aftosa sem Vacinação, uma conquista histórica e que só foi possível com a união do estado e do setor privado, união essencial também para que seja mantida.

Um dos procedimentos fundamentais por parte dos produtores é a atualização cadastral de rebanho, que possibilita estabelecer estratégias para ação imediata em casos de suspeita de qualquer doença. Essa chancela valoriza nossa produção, é a garantia internacional do cuidado que os produtores e o Estado têm com todos os produtos que fazem do Paraná o maior produtor de proteínas animais do Brasil, aí incluída a cadeia de pescados.

Em outra frente, o estado também criou um programa para agilizar o licenciamento ambiental para os empreendimentos com o programa Descomplica Rural, lançado no início de 2020, garantindo rapidez, respeito ao meio ambiente e a todas as normas legais.

Por fim, o Paraná tem um robusto sistema de acesso a crédito rural, com apoio da Fomento Paraná, do BRDE – duas instituições públicas –, e das cooperativas de crédito. Criamos linhas específicas que podem chegar a juro zero para investimentos no campo.

 

"As cooperativas são fundamentais, não apenas no processo de desenvolvimento da piscicultura, como em todas as questões que envolvem a agropecuária. E o estado não abre mão dessa parceria"

 

COFARM: Líder na produção de peixes no Brasil, principalmente de tilápia, o que o produtor tem recebido de políticas públicas do seu governo?

Ratinho Júnior: O Paraná é um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Damos condições de infraestrutura e crédito para atrair novos investimentos, que geram emprego, renda e movimentam a economia nos municípios.

Também damos muita atenção aos médios e aos pequenos produtores. Isso inclui assistência técnica e programas como o Branco do Agricultor Paranaense, em que o estado assume parte ou, dependendo do caso, o pagamento integral da taxa de juros. No setor pesqueiro, as operações de crédito contemplam obras e instalações, compra de equipamentos, elaboração de projetos, assistência técnica e custeio.

Criamos também o Renova Paraná, outro programa importante para reduzir custos e impactos ao meio ambiente, fomentando a conversão energética para fontes sustentáveis e perenes, e o Coopera Paraná atende também associações e cooperativas que tenham a piscicultura entre suas atividades. Ele prevê ações integradas entre setor público e privado, com assessoramento às cooperativas para acessos a novos mercados, além de políticas de apoio financeiro para investimentos que garantam sustentabilidade para as organizações.

Além disso, o governo regulamentou, em 2020, a legislação sobre o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agroindustrial Familiar e de Pequeno Porte (Susaf-PR). Ele envolve um conjunto de ações de inspeção sanitária e de fiscalização dos produtos oriundos da agricultura e agroindústria familiares, de produção artesanal e de agroindústria de pequeno porte. Com esse selo, produtos coloniais industrializados podem ser vendidos não apenas no município de origem, mas nos demais. Pequenas agroindústrias paranaenses de pescados já estão aproveitando os benefícios do Susaf.

O VBP da aquicultura paranaense ultrapassou R$ 1,3 bilhão no ano passado,
tendo como destaque a tilápia (Foto: ANP)

 

COFARM: O Paraná pode avançar muito mais na produção de pescados, se o Lago de Itaipu for liberado para a piscicultura. Como estão as gestões do governo do seu estado e do governo federal junto à empresa binacional?

Ratinho Júnior: Por se tratar de países independentes e de legislações federais, as tratativas oficiais ocorrem nesse âmbito, mas estamos acompanhando. Vemos como muito positiva a possibilidade de liberação da criação de tilápias no Lago de Itaipu. Em todas as oportunidades, registramos nosso interesse em ampliar a produção de peixes, o que é bom para o Brasil e para o Paraguai. Com o governo brasileiro e, particularmente, com autoridades do Ministério da Agricultura, as conversas nesse sentido têm sido frequentes e nosso posicionamento é sempre favorável ao aproveitamento racional e ecológico do espaço da represa para criação de tilápias.

COFARM: Qual o papel que as cooperativas têm exercido neste processo de desenvolvimento da piscicultura paranaense?

Ratinho Júnior: As cooperativas são fundamentais, não apenas no processo de desenvolvimento da piscicultura, como em todas as questões que envolvem a agropecuária. E o estado não abre mão dessa parceria. Já temos várias iniciativas de outras cooperativas e de produtores independentes no processo de engrandecer a produção de peixes, mas a dedicação mostrada pioneiramente pela Copacol e pela C. Vale ainda são muito marcantes. Um aspecto muito importante é que as cooperativas trabalham com seus agregados, fornecendo a eles alevinos, ração e a assistência técnica necessária. A cooperativa é uma rede bastante forte, em que os associados têm a certeza de que estarão amparados tanto para a produção quanto para a comercialização.

No Paraná, o sistema cooperativista já ultrapassou a marca de R$ 100 bilhões de faturamento em um ano e está planejando alcançar R$ 200 bilhões até 2029. Para bater a meta, as cooperativas estão dispostas a investir mais de R$ 30 bilhões até 2026. É um ciclo muito virtuoso para a nossa economia e para todas as cadeias de proteína animal.

COFARM: O Paraná tem dado um show de eficiência na exportação de tilápia. Há o que melhorar na logística dessas exportações e como o governo do estado pode contribuir para tornar mais eficiente esse processo?

Ratinho Júnior: Segundo a Embrapa Aquicultura e Pesca, o Brasil exportou em pescados US$ 14,3 milhões no primeiro semestre de 2022, um aumento de 100% na comparação com o mesmo período do ano passado. Somente o Paraná, que tem na tilápia a principal espécie, foi responsável por US$ 7,4 milhões. Isso é motivo de orgulho para os paranaenses e todos os produtores que participam ativamente desse processo.

O estado está conseguindo agregar valor a um percentual de soja e milho, que deixam de ser exportados in natura e se transformam em ração para alimentar e qualificar ainda mais nossos pescados e garantir renda aos produtores.

Mas sempre tem o que melhorar, e o governo do estado tem trabalhado para acentuar cada vez mais a entrega ao exterior de peixes congelados. É claro que existe um bom mercado para os peixes frescos, particularmente nos Estados Unidos, e deve continuar a ser abastecido, afinal, um dos segredos dos bons negócios é oferecer ao comprador o que ele deseja.

No entanto, o envio de peixes congelados exige menos logística, menos recursos empregados e maior possibilidade de que os produtos permaneçam saudáveis por mais tempo nas prateleiras. Isso se transforma em mais dinheiro no bolso do produtor.

No Paraná predominam o cultivo em tanques escavados (Foto: ANP)

 

COFARM: Acontece, em Foz do Iguaçu, entre 31 de agosto e 2 de setembro, a versão 2022 do IFC. Qual é a importância deste evento para o estado do Paraná?

Ratinho Júnior: O Paraná cresceu bastante no setor pesqueiro nos últimos anos e tem um caminho vitorioso e de bons resultados a ser trilhado. Um evento como o IFC é fundamental, reúne no mesmo espaço e para os mesmos debates todos os elos importantes da cadeia, da genética ao distribuidor no varejo, passando por máquinas, equipamentos, implementos, distribuidores de alimentos, rações, medicamentos, toda a estrutura para processar e para despesca.

O produtor e o industrial saem com conhecimento de todas as fases do processo, o que ajuda no dia a dia. Eles aprendem que há diversas possibilidades de tornar o trabalho mais ágil e menos oneroso tanto na propriedade rural quanto na indústria.

COFARM: De que forma o governo do estado participa deste evento?

Ratinho Júnior: O estado é parceiro do evento desde sua primeira edição, em 2019. Na atual, está representado e dá apoio por meio de alguns de seus órgãos, e da Unioeste, que é coorganizadora, e com patrocínios da Fomento Paraná, BRDE, Copel e Sanepar.

Vários servidores estaduais e grupos de pesquisadores que se dedicam ao estudo da piscicultura participarão ativamente dos debates como palestrantes ou congressistas, mais uma ferramenta indispensável para contribuir para prosperidade do setor.

COFARM: Como principal anfitrião do evento no estado, qual é a mensagem que senhor transmitiria para os congressistas e expositores, oriundos de todo o Brasil e várias partes do mundo?

Ratinho Júnior: O mundo precisa de alimentos e cada vez precisará mais, seja em razão do aumento demográfico, seja pela necessidade atual e urgente de garantir comida saudável a milhões de pessoas. O Brasil e o Paraná podem ser supermercados para atender as necessidades e desejos globais. A oportunidade está batendo à porta.

O peixe, por suas características, como fonte de proteína e gordura importante para a saúde, precisa estar mais presente como alternativa de alimentação. Estamos trabalhando para ter mais escala de produção, para que os custos sejam reduzidos a quem produz e industrializa, e para que chegue a preço mais acessível ao consumidor.

Se conseguirmos otimizar toda a cadeia para que o preço seja mais atrativo para o consumidor final, não há dúvida de que passará a ser alimento até prioritário em muitas mesas. Não temos dúvidas de que vale a pena investir, produzir e entregar um peixe com alta qualidade. Todos sairão ganhando se a cadeia pesqueira for competente e competitiva.

-------

Nota do entrevistador: Este site é média partner do IFC, que será realizado entre os dias 31 de agosto e 2 de setembro em Foz do Iguaçu. Clic aqui e aqui para conhecer a programação do evento

 

Compartilhe este conteúdo:

  Seja o primeiro a comentar!

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Envie seu comentário preenchendo os campos abaixo

Nome
E-mail
Localização
Comentário