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HISTÓRIA ][ Cerrado Rural Agronegócios: 22 anos de jornalismo, aventura e desenvolvimento do MATOPIBA

HISTÓRIA ][ Cerrado Rural Agronegócios: 22 anos de jornalismo, aventura e desenvolvimento do MATOPIBA

Data de Publicação: 30 de agosto de 2025 11:36:00 Uma jornada de mais de duas décadas, que começou com uma motoneta e se transformou em um veículo de jornalismo de resultados, unindo produtores, políticos e investidores para impulsionar o desenvolvimento econômico e social na região que mudou de nome, de BAMAPITO para MATOPIBA.

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O então governador Marcelo Miranda laeado pela então
senadora Kátia Abreu, Juquinha, Eudoro Pedrosa e parte
dos produtores baianos que em visita ao Tocantins (Foto: Secom-TO)
 
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Por Antônio Oliveira

No dia 15 de agosto, a Cerrado Rural Agronegócios – revista impressa até 2016 e, de lá para cá, apenas na versão web – completou seus 22 anos de existência e atuação na região do MATOPIBA. Lembro-me com saudades daqueles dias de julho de 2003, quando, pilotando uma motoneta Vespa de 1986, com minha filha e fotógrafa Tatiane na garupa, cruzamos o Tocantins, do centro ao sul e nordeste, chegando até ao Maranhão, de onde voltamos no sentido norte-centro do Tocantins.

Passamos por estradas onde só camionetes com tração e tratores transitavam na época, despertando olhares de admiração dos motoristas. Foi uma aventura; chegamos a cair de moto, com máquina fotográfica, gravador e tudo mais, em um rio. Minha filha temia apenas uma coisa: onça saindo do Cerrado, nas paradas para descanso ou para trocar o pneu da moto — a Vespa tem estepe. A cada perigo ou risco, ela exclamava: "Meu pai, tudo me paga!", e dava boas gargalhadas a cada lance da nossa jornada.

Reportávamos, para uma matéria especial e ainda sem saber onde publicar, os primeiros 140 mil hectares de grãos, especialmente soja. Daquele tempo para cá, muita coisa mudou: aquela reportagem especial se transformou numa revista voltada para o Tocantins – Centro-Norte Agronegócios -, depois ganhou espaço em toda a região agrícola que, na época, denominei de BAMAPITO (cerrados da Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins). Anos mais tarde, o Governo Federal, por meio do Ministério da Agricultura e Pecuária e da Embrapa, a denominou e institucionalizou como MATOPIBA. Foi quando “derrubamos” a denominação BAMAPITO e adotamos a denominação institucional.

 

Recepção a Coopereativa Agrária em Palácio Araguaia (Foto: Secom-TO)

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Daquele tempo para cá, muita coisa mudou. Dos 140 mil hectares, Tocantins saltou para, atualmente, mais de 2 milhões, e a produção se diversificou, não mais a monocultura da soja. O agronegócio se desenvolveu com a expansão da agricultura de grãos para as demais regiões do estado, e a revista, a partir de sua segunda edição, expandiu-se de forma natural para os cerrados do Maranhão, Piauí e Bahia, tendo seu nome mudado para Cerrado Rural Agronegócios. Mantemos uma presença mais forte e constante, por várias razões, no Tocantins, oeste da Bahia e sul do Maranhão, regiões onde sempre marcamos presença física, sem, contudo, perder o foco no desenvolvimento do Cerrado do Piauí.

Durante estes 22 anos, a revista, como empresa, teve muitos altos e baixos: dificuldades, períodos sem investimentos publicitários, perseguições de toda ordem e traições. Superei e continuo resistindo a tudo isso.

Mas se há algo para comemorar nestas mais de duas décadas de trabalho, é a minha realização profissional – apesar dos pesares -, a minha sobrevivência e, principalmente, o tipo de trabalho que sempre fiz questão de manter: o jornalismo de resultados. Esse jornalismo não só contribuiu economicamente para a empresa, mas também gerou impactos positivos para a nossa região e para o Brasil.

Sempre adotei uma linha de sugestão, provocação e iniciativas com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do agronegócio na região. Meu foco principal, de acordo com o meu alcance, foi no estado do Tocantins, no oeste da Bahia e no Cerrado maranhense.

"De uma motoneta a uma força de transformação: 22 anos fazendo o jornalismo que constrói o futuro do agronegócio no Brasil."

Busquei parcerias com a iniciativa privada e, principalmente, com entes públicos. Destaco o Governo do Tocantins, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), a Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), a Fundação de Apoio à Pesquisa no Corredor Norte de Exportação (Fapcen) – nesta eu destaco, nesta história que eu conto e no desenvolvimento do Cerrado maranhense, a sua presidente Gisela Introvine - e o Sindicato Rural de Luís Eduardo Magalhães, entre outras instituições. Outras instituições sempre foram procuradas por mim, mas sempre prevalecia questões políticas e preconceitos.  Por meio e em parceria com esses e outros  órgãos, integramos a região, provocamos o desenvolvimento e atraímos investimentos. Além disso, promovemos o intercâmbio técnico e de conhecimento entre as regiões.

Ações e conquistas de destaque

Foram muitas vitórias. Entre as mais expressivas, destaco algumas que sempre evitei comentar ou divulgar para que minhas ações não se confundissem com interesses político-partidários. Respeito muito a atividade partidária, mas não é a minha praia, embora eu tenha uma visão de estadista. Sempre preferi atuar nas minhas trincheiras de luta — a redação e o estúdio de rádio e TV — contribuindo com aqueles que, realmente, têm a obrigação e a missão do desenvolvimento social e econômico – de direita ou de esquerda.

 
Promoção de visita de secretários de Estado e te´cnicos
do Tocantins a projeto de Piscicultura em Goiás
(Foto: Cerrado Rural Agronegócios)
 
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Abro um parêntese para inserir, neste contexto, a figura do ex-governador Marcelo Miranda. Em todas as suas gestões, independentemente de eu ter ou não o devido apoio da Secretaria de Comunicação do Estado, Marcelo Miranda me atendeu. Todas as vezes que busquei o seu governo para uma iniciativa ou outra em prol do agronegócio e do consequente desenvolvimento econômico e social do Tocantins, ele sempre se mostrou disponível. Por ordem dele, já tive à minha disposição, por conta de iniciativas de interesse do Estado, avião, ônibus, camionetes e apoio moral. E ele nunca me pediu nada em troca, como apoio político-partidário ou neutralidade em relação às críticas ao seu governo. Já fiz muitas críticas às suas gestões e me posicionei contra algumas de suas ações. Por isso, era perseguido por um ou outro secretário de Estado e por algum "barnabé", mas nunca por Sua Excelência. Ele foi um estadista e dotado de humildade para ouvir. Louvo, também, neste contexto, os então secretários de Estado Roberto Sahium (Agricultura) e Eudoro Pedrosa (+), da Indústria e Comércio.

 

Cooperados e diretores da Cooperativa Agrária
visitam projeto agrícola na região central do Tocantins
 
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Foram muitas conquistas, todas registradas nos anais da minha empresa, pós-publicação. Destaco as mais expressivas destes 22 anos da Cerrado Rural Agronegócios:

  • - Intercâmbio entre classe política, lideranças do agronegócio, técnicos do Estado com as três principais entidades de representação do setor no oeste da Bahia. Esse intercâmbio culminou na troca de experiências e na abertura para a discussão do litígio histórico e quase centenário entre o Tocantins (desde quando este era o norte de Goiás) e a Bahia, na questão da divisa territorial. O resultado, deste intercâmbio,  foi a expansão de negócios rurais do oeste da Bahia para o corredor entre o pé da Serra Geral, nos municípios de Ponte Alta do Bom Jesus e Dianópolis, no sudeste do Estado, até Porto Nacional, no centro tocantinense. Isso culminou na formação de uma nova região produtora de grãos, que atraiu uma grande processadora de soja para Porto Nacional.
  • - Organização e recepção de empresários e cooperados de outros estados para conhecer o Tocantins e prospectar negócios. Uma dessas missões culminou na instalação, entre Paraíso do Tocantins e Porto Nacional, de um entreposto da antiga Cooperativa Batavo, hoje Cooperativa Frísia. Eles acreditaram no estado e têm crescido de forma animadora. Nunca me esqueço das palavras de um executivo da Batavo, após o jantar ao final daquela visita: "Visitamos outras regiões e fomos guiados
     
    Cooperados do Paraná são recebidos pelo
    Governo do Tocntins (Foto: antônio Oliveira)
     
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    por um office-boy sem nenhum conhecimento do agronegócio. Aqui, Antônio, você preparou toda uma estrutura de governo, bancos, Sebrae no estado, e nos recebeu com tapete vermelho no Palácio do Governo. O martelo foi batido: vamos expandir negócios para cá, para o Tocantins".
  • - Organização de grupos integrados por políticos, secretários de Estado, técnicos e piscicultores para visitar um projeto vertical de cultivo e processamento de tilápia no norte de Goiás.
  • - Luta de mais de dois anos, juntamente com alguns agentes públicos, empresários, piscicultores e a Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), para a legalização do cultivo de tilápia no Tocantins.
  • - Aproximação de investidores interessados no desenvolvimento do Tocantins com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio e do Conselho de Desenvolvimento Econômico do Tocantins. Sim, eu fazia lobby, mas recusei dinheiro a primeira vez que um empresário quis me remunerar por isso. Nunca fiz esse tipo de trabalho para ganhar dinheiro. Eu o fazia pelo Estado.
  • Também participamos de grandes coberturas jornalísticas e visitas empresariais Brasil a fora. Reportando e divulgando a região.

O contínuo ideal

Por fim, para não me estender muito, destaco a provocação aos governos dos estados do Tocantins e da Bahia sobre a construção de uma ligação entre o Cerrado baiano e a Ferrovia Norte-Sul. Esta é uma longa história que ainda contarei em um artigo detalhado, mas, aqui, apenas a resumo. Sugeri essa ideia ao então governador da Bahia, Paulo Souto, por volta de 2005, durante sua visita a Luís Eduardo Magalhães para a inauguração de uma subestação de energia elétrica no Distrito Industrial. A resposta do governador foi: "A ideia pode ser boa para o seu Tocantins, não para a minha Bahia".

 
Visita de pisicultores de Brasília e Entorno a Embrapa Pesca e Aquicultura
e a projetos de pisicultura no Tocantins. Esta visita foi uma parceria do
SEBRAE-DF e Cerrado Rural Agronegócios (Foto: Antônio Oliveira)
 
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A ideia ganhou força ao ser encampada por um grupo de produtores rurais ligados ao Sindicato Rural de Luís Eduardo, por meio de uma visita ao então governador Marcelo Miranda, em reciprocidade à visita de tocantinenses do ou ligados ao agronegócio ao Cerrado baiano, que eu havia promovido. Outros nomes que apoiaram a iniciativa foram o então refeito de Luís Eduardo, Oziel Oliveira; o produtor rural e uma das lideranças da região, Humberto Santa Cruz; o também produtor rural Odacir Ranzi; a então senadora Kátia Abreu (TO); pelo então governador e vice-governador da Bahia, Jaques Wagner e João Leão, respectivamente e, entre tantos outros, o então presidente da Valec/Ministério dos Transportes, José Francisco das Neves, o Juquinha, convidado por Marcelo Miranda a estar na reunião entre ele, a Katia Abreu, secretários de Estado e deputados. Produtores do oeste da Bahia, retribuía ao Marcelo Miranda, a visita de tocantinenses que eu havia promovido no oeste da Bahia. Esta é uma história muito longa que ainda será escrita por mim, fazendo jus a todos os atores desta feliz iniciativa para o desenvolvimento da região do MATOPIBA e do Brasil.

E o nosso ideal continua.

 

 

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