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MANEJO - Impactos das variações climáticas na piscicultura mineira

MANEJO - Impactos das variações climáticas na piscicultura mineira

Data de Publicação: 17 de maio de 2024 14:31:00 As variações climáticas representam um desafio significativo para a piscicultura em Minas Gerais. Mudanças na temperatura e nas chuvas impactam diretamente as condições dos corpos d'água, afetando a qualidade da água e o bem-estar dos peixes. O pesquisador da EPAMIG, Alisson Gonçalves Meneses, destaca a importância do manejo adequado para minimizar esses efeitos adversos e garantir a sustentabilidade da produção

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É fundamental manter a renovação e o controle dos parâmetros
físico-químicos da água (Foto: Epamig)

Da redação

A piscicultura no Brasil é, tradicionalmente, praticada em ambiente aberto. Neste sistema, diversos fatores podem alterar as características do corpo d’água e, em consequência, as condições ambientais a que os peixes estão submetidos. Variações de temperatura e as chuvas estão entre os aspectos que mais interferem na produção.

-As chuvas podem influenciar diretamente no nível de tanques e reservatórios, de modo a alterar a concentração de partículas e nutrientes e afetar, significativamente, os parâmetros de qualidade da água. Chuvas escassas prejudicam o abastecimento dos tanques e chuvas muito intensas podem causar danos pelo rompimento de diques ou extravasando o corpo hídrico - explica o pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) Alisson Gonçalves Meneses.

A temperatura atua sobre os parâmetros de qualidade da água, especialmente, no que se refere ao oxigênio dissolvido, que é reduzido sob altas temperaturas e pode levar à mortandade dos peixes. O maior efeito se dá no metabolismo dos peixes, já que a temperatura corporal desses organismos é regulada pela temperatura do meio.

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- Temperaturas fora da zona de conforto são extremamente prejudiciais. A exposição prolongada dos peixes às temperaturas baixas os torna mais susceptíveis a parasitas e doenças e podem causar morte súbita, especialmente nas espécies de clima quente. A amplitude térmica é um ponto especial de preocupação, uma vez que os peixes são pouco tolerantes a variações abruptas - alerta o pesquisador.

- Os animais têm, em geral, um nível considerável de tolerância às mudanças ambientais. Entretanto, as complicações podem ocorrer em função de alterações inesperadas, como as decorrentes do comportamento irregular do clima nos últimos anos  - ele acrescenta.

Preocupações e cuidados no outono  

Fenômenos como El Niño (que atuou nos últimos meses) e La Niña (que deve predominar até a chegada da primavera) proporcionam desequilíbrio no sistema ambiental e podem interferir na produção do pescado. Os piscicultores devem estar atentos às condições climáticas para evitar perdas e prejuízos no ciclo produtivo e intensificar os cuidados com a chegada do outono.

- Para este ano, temos a previsão de períodos de frio mais intenso e há a expectativa de que estes eventos ocorram já no final de abril e que prossigam nos meses seguintes, de forma mais intensa e duradoura - comenta Alisson Meneses.

Área de Piscicultura no Campo Experimental da EPAMIG
em Leopoldina (Foto: Epamig)

O monitoramento e o controle da qualidade da água são essenciais. Bem como, a adoção de medidas para garantir a chegada dos peixes em boas condições sanitárias a esse período.

- É fundamental manter a renovação e o controle dos parâmetros físico-químicos da água. E se atentar para que essa operação não reduza mais a temperatura da água nos períodos frios - orienta o pesquisador da EPAMIG, que destaca outros pontos de atenção:

– Equilíbrio do PH: caso o PH esteja abaixo de 6,5, é necessário fazer uma calagem, de preferência com calcário agrícola, uma vez que os peixes não toleram variações no índice;

– Fornecimento de ração completa e balanceada: com cuidados para não haver sobras;

– Acompanhamento do volume de água do tanque: de modo a evitar variações bruscas na qualidade e na temperatura da água;

– Uso de aeradores: para manter os níveis de oxigênio dissolvido e auxiliar na desestratificação da água.

Outra estratégia é a adoção de densidades populacionais menores nos tanques e criadouros. E o alto consumo de pescado neste período de Semana Santa pode ser um aliado rentável para esta medida.

- Deve-se considerar a possibilidade de um abate intensificado para reduzir a população dos tanques, mesmo que os peixes estejam em tamanho inferior ao desejado - recomenda Alisson Meneses.

*Fonte: Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG).

 

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