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MULHERES DAS ÁGUAS ][ Ana Paula Paumari vence o prêmio Mulheres das Águas 2026

MULHERES DAS ÁGUAS ][ Ana Paula Paumari vence o prêmio Mulheres das Águas 2026

Data de Publicação: 12 de março de 2026 17:16:00 Pela primeira vez, a premiação celebra a categoria Indígena, homenageando a trajetória de Ana Paula na defesa do território e do manejo do pirarucu.

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Resumo

O prêmio Mulheres das Águas inaugura categoria indígena premiando Ana Paula Paumari. Liderança no Rio Tapauá (AM), ela preside a Associação Indígena do Povo das Águas e coordena o manejo sustentável do pirarucu, unindo preservação ambiental, geração de renda coletiva e protagonismo feminino.

 

Da redação

Neste ano, o prêmio Mulheres das Águas inaugura uma categoria histórica para homenagear as mulheres indígenas que se destacam na pesca e na aquicultura, reconhecendo iniciativas que aliam geração de renda e sustentabilidade entre povos originários. A primeira vencedora desta nova categoria é Ana Paula Lima, do povo Paumari. Nascida no Rio Cuniuá, em Tapauá (AM), ela é uma liderança fundamental na luta pela sociobiodiversidade e pela permanência de seu povo em seu território ancestral.

Foto: Acervo pessoal
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Mãe de três filhos e casada com um indígena Paumari, Ana Paula rompeu barreiras culturais para afirmar-se como pescadora e articuladora política. Há mais de 15 anos, atua diretamente no manejo sustentável do pirarucu — desde a contagem e pesca até a logística de decisão. Representante das mulheres de seu povo e integrante do Coletivo do Pirarucu, ela defende a valorização do trabalho feminino em todas as etapas produtivas.

Historicamente conhecidos como "povo das águas", os Paumari adotaram o manejo do pirarucu há duas décadas como estratégia de defesa territorial. A atuação de Ana Paula acompanhou uma recuperação impressionante: em 2009, eram monitorados 268 peixes; em 2023, o número saltou para 8.178. Entre 2013 e 2022, a comercialização de mais de 200 toneladas de pescado gerou cerca de R$ 1,4 milhão, garantindo autonomia financeira e a conservação de 98% do território. Somente em 2025, a atividade rendeu R$ 350 mil repartidos de forma justa e coletiva.

Além do sucesso econômico, Ana Paula consolidou sua liderança política. Eleita presidenta da Associação Indígena do Povo das Águas (AIPA) em 2025, ela também atua na FOCIMP e dialoga com órgãos como Funai e secretarias de governo. Sua gestão garantiu avanços como o pré-beneficiamento do pescado com a marca "Gosto da Amazônia" e a implementação do ensino médio dentro das aldeias, evitando o deslocamento de jovens para as cidades.

Ana Paula Paumari personifica a resistência indígena e negra na Amazônia. Sua trajetória prova que o "bem viver" é possível através da união entre sustentabilidade, economia comunitária e valorização cultural. O prêmio será entregue no dia 18 de março, no Teatro Nacional, em Brasília.

#Publicação simultânea com o site Piscishow & Avisuleite.

 

Ana Paula Paumari, Mulheres das Águas, Pirarucu, Manejo Sustentável, Amazônia, Indígenas, Pesca Artesanal, Empoderamento Feminino.

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