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O Bolsonarismo fez um estrago no Movimento Espírita

Data de Publicação: 4 de março de 2023 16:37:00 “Correto, digo eu, e é até positivo que nos interessemos pelas questões políticas da nossa cidade, estado, país. Todavia, fora da Casa Espírita e mantendo a coerência com seus princípios. Mas, no caso em tela, onde está a coerência com os princípios da Doutrina?” #opinião #espiritismo #divaldo franco #partidarismo na casa espírita

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Por Antônio Oliveira

Preliminarmente, devo dizer que este artigo tem um viés político, por abordar o atual contexto político do Brasil. Porém sem a defesa de nenhum partido ou liderança política; é um artigo de opinião religiosa e filosófica de um jornalista convencional, por profissão, e espírita, pela defesa e a divulgação da Doutrina Espírita que sempre fiz na imprensa espírita e na leiga. Devo dizer, também, que, embora seja eu espírita e o conteúdo deste ser uma crítica a milhares de confrades, não falo por instituição espírita nenhuma – Federação Espírita Brasileira e suas federadas nos estados. A opinião é minha, é pessoal, na condição de um observador do atual contexto político e do movimento espírita do Brasil, cuja atual situação me preocupa. E pensei muito se deveria ou não escrever esta peça jornalística. Minha consciência apontou que sim, deveria escrever.

Vamos aos fatos.

O Brasil tem uma missão muito nobre com o mundo (Foto: Divulgação)

 

Logo na pré-campanha eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro, com sua visão completamente equivocada e maldosa de mundo, de Estado, de Política e de respeito aos direitos humanos, entre outros detalhes não recomendáveis a quem defende a bandeira do Espiritismo Cristão, estranhei e até recuei de muitos confrades, inclusive palestrantes e dirigentes de casas espíritas de várias partes do país que engrossaram fileiras no apoio ao então candidato. Durante todo o mandato do dito político, observei, também, como aumentava a corrente de confrades em defesa da bandeira bolsonarista, que no decorrer da gestão e final de governo e a cada dia que passa, se revelaram e se revelam em escândalos e flagrante desrespeito e falta de zelo pelo Brasil e seu povo, sobretudo pelos mais vulneráveis, como as comunidades indígenas, etc. É fato! A imprensa nacional e internacional estão aí espelhando tudo. E continuam nesta defesa, mesmo diante do que estamos vendo todos os dias.

Certa vez, exatamente no dia 15 de janeiro deste ano, uma pessoa “tweetou” na sua conta do Tweet o seguinte comentário (na sua íntegra e forma):

“Sou espírita há alguns anos. Foi no espiritismo que encontrei muitas respostas que eu buscava. Acontece que ver tão de perto o Espiritismo e as lideranças espíritas defender o BOLSONARISMO, tá me desanimando de um jeito que não sei. Tô vendo TANTA cegueira nesse meio que NÃO é possível”.

Não demorou muito para as respostas a este post somarem mais de 1.000 comentários. Transcrevo alguns deles:

“Muito triste espíritas que são tão ligados aos ensinamentos e que pregam tanto os ensinamentos do Cristo ser conivente e até defender com fervor o que prega esse Bolsonaro, é decepção. Isto sei que não é defeito da doutrina, mas das pessoas e como vou conviver numa reunião assim?”;

“Compartilho desse sentimento e não consigo entender, de forma alguma, como podem compatibilizar os valiosos e caros ensinamentos do Espiritismo com tanta maldade e falta de amor e empatia. É desolador...”;

“Sou espírita a vida toda e o desânimo tá enorme, gigante por aqui, fora a cegueira para assuntos atuais”;

“Sou uma admiradora da doutrina de Kardec, mas não sou espírita. Confesso que esta posição de muitos deles apoiando o governo das trevas me desapontou profundamente. Quem prega a caridade, não pode nem pensar em apoiar esse ser”;

 “Acho que espirita que defende aquele lá é só mistificador, pois o que o coisa ruim prega vai contra tudo o que o espiritismo prega. Não há nenhuma coerência. Infelizmente, os valores estão investidos”.

Ao todo, até a presente data, só de comentários diretos àquela postagem, foram 2.382. As replicas e tréplicas (comentários aos comentários do post principal) somam muito mais que isto. Compartilhamento, 887. Difícil somar os comentários postados nestes “retweets”. Mas, felizmente, entre todos estes comentários, réplicas e tréplicas, pessoas que se confessaram espíritas convictos, esclarecendo, corretamente, que o Espiritismo não pode responder pelos posicionamentos de seus adeptos ou simpatizantes, “embora estejamos nós decepcionados com a posição de muitos dos nossos confrades”. Não podem mesmo.

E não me digam que isto é pontual. Não. Passei, a título de pesquisa, a observar no Tweeter e em outras redes sociais este tipo de postagem. Efeito idem, o que prova, por esta imensa quantidade de reações, que o bolsonarismo fez um estrago no Movimento Espírita. Há sempre o argumento: “ah, mas nós temos o nosso livre arbítrio, que serve também para nossas posições políticas”. Correto, digo eu, e é até positivo que nos interessemos pelas questões políticas da nossa cidade, estado, país. Todavia, fora da Casa Espírita e mantendo a coerência com seus princípios. Mas no caso em tela, onde está  a coerência com os princípios da Doutrina? Como pode, nos púlpitos da Casa Espirita, defendermos a Bandeira do Espiritismo, que representa a Paz, o Amor, a Fraternidade, o respeito entre seres humanos, a caridade – ítens muito procurados, nos centros espíritas, por pessoas não-espíritas -, e o real amor e respeito a nossa Pátria, aos nossos compatriotas?

E este comportamento ambíguo está dando margem não só para o esvaziamento da Casa Espírita; de cisma entre confrades, mas para os velhos inimigos do Espiritismo – encarnados e desencarnados -, intensificarem os ataques a Doutrina, a fim de aniquilar do Planeta esta Doutrina de Amor.

Mais recentemente, foi o grande orador espírita e maior ainda na função de apóstolo da Paz e da Caridade, Divaldo Franco, a surpreender os espíritas que não comungam com os ideais do bolsonarismo, fazer, em palestra, comentários de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e defender os que tocaram o terror no 8 de janeiro, em Brasília. Espíritas, simpatizantes, leigos e imprensa estão de “pau” no querido Divaldo, até com ataques que jamais cabem no grande apóstolo.

São equívoco e incoerência do Divaldo? São. Mas foi opinião pessoal dele, não da Doutrina. Ele não é a essência do Espiritismo e, também, por ser o que é, não é santo, as é digno do respeito e consideranção de toda a sociedade brasileira.

Por fim, é fato o que afirma o título deste artigo - e deixo claro que o estrago foi no Movimento Espírita, não na Doutrina Espírita que permanece pura, fiel aos ensinamentos cristãos.

É preciso que haja conscientização geral no meio e que possamos nos unir novamente num só ideal. Ideal codificado por Allan Kardec e tão defendido pelo grande Bezerra de Menezes.

O Espiritismo haverá de ser um só: fiel à sua essência. Nem de “direita”, nem de “esquerda”, movimentos que se intensificaram neste contexto aqui descrito.

 

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