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OPINIÃO ][ Agronegócio: entre a resiliência do campo e o ruído político
Data de Publicação: 2 de maio de 2026 11:23:00 Apesar da queda nas vendas e das tentativas de politização do setor, a Agrishow 2026 reafirma a força do agro como motor técnico e econômico do Brasil.
Resumo
O artigo analisa os desafios do agronegócio e critica o uso político de crises passageiras como narrativa de "terra arrasada". O autor defende que o setor foque em políticas públicas, e não em disputas partidárias, para assegurar a vocação do Brasil como celeiro do mundo e motor econômico.
Por Antônio Oliveira
Nos últimos três meses, o agronegócio brasileiro enfrenta uma crise provocada por condições climáticas adversas em diversas regiões e pelos reflexos da guerra no Oriente Médio. Como consequência, os preços das commodities caíram. Entretanto, este cenário não sinaliza uma catástrofe econômica geral; trata-se de uma fase passageira, amparada pela generosidade edafoclimática das nossas regiões produtoras de alimentos, fibras e biomassa. O atual contexto global exige cautela, equilíbrio e a suspensão provisória de projetos de expansão e renovação de maquinário. É o que pensam os sensatos.
No campo político-partidário e entre uma parcela de produtores, no entanto, nota-se uma insinuação de "terra arrasada". Enquanto muitos acreditam genuinamente na gravidade da situação, outros alimentam uma farsa com o intuito de desgastar a atual gestão federal e impulsionar lideranças da oposição. Observa-se, entre esses "corvos", uma orquestração para esvaziar as feiras tecnológicas pelo país. Alguns expositores/revenda/produtores deixam de comparecer levados por essa onda; outros, por prudência financeira, visto que o comércio de máquinas agrícolas sofreu uma retração de cerca de 20%.
Essa foi, precisamente, a situação "fotografada" na Agrishow Brasil 2026, encerrada ontem.
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(Foto: Reprodução de video da Jovem Pan pela CRA)
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"A Agrishow demonstra, mais uma vez, a competência e resiliência dos agricultores e fabricantes de máquinas agrícolas do Brasil. Muito embora nós estejamos vivendo, há três anos, um mercado desfavorável, continuamos investindo no que há de melhor para a agricultura tropical no Brasil. E para tanto, acreditamos que este país e o futuro dele vem do agronegócio. E não importa o momento que estamos vivendo, pois sabemos que a agricultura vive de ciclos e este é desfavorável, mas temos convicção que este e os próximos anos serão favoráveis. Estaremos preparados para continuar atendendo à demanda do mercado brasileiro”, afirma João Marchesan, presidente da Agrishow.
As declarações de Marchesan sobre os resultados da maior feira das Américas são sensatas e isentas de interesses partidários. Segundo a Abimaq, os números da feira refletem o momento do setor. Na última quarta-feira (29 de abril), Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da entidade, divulgou uma queda de 19,9% nas vendas internas no primeiro trimestre de 2026, comparado ao mesmo período de 2025. “Este cenário é decorrente da alta taxa de juros, variação cambial e preço desfavorável das commodities”, diz Estevão.
"O agronegócio deve ser a bússola do desenvolvimento nacional, imune às cores partidárias e focado na sua vocação de alimentar o mundo."
A 31ª edição da Agrishow registrou R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios — uma queda de 22% em relação ao ano anterior —, refletindo a realidade dos setores de irrigação, armazenagem e máquinas. Contudo, o evento recebeu 197 mil visitantes, público semelhante ao da edição passada, o que reafirma sua posição como vitrine tecnológica.
Recordo-me de quando, a na FIESP, perguntei ao saudoso Dr. Alysson Paolinelli sobre o envolvimento de instituições do agro na política partidária. Ele foi direto: “O Agronegócio não pode fazer política partidária, mas correr por políticas públicas para o setor”. É essa postura que se nota nas falas de Marchesan e Pedro Estevão, e na ação de João Martins, presidente da CNA, que nesta semana apresentou ao Governo Federal as propostas para o Plano Safra 2026/2027.
O Agro, enquanto instituição, não deve levantar bandeiras ideológicas de esquerda, centro ou direita. A preferência política pertence à esfera individual de diretores e associados. Como força moral e econômica, o setor deve se manter isento de "picuinhas" e atuar como bússola para os Poderes Executivo e Legislativo.
Que as próximas feiras no MATOPIBA — Agrotins, Agrobalsas e Bahia Farm Show — estejam vacinadas contra a política mesquinha do "quanto pior, melhor". Ressalto aqui a filosofia que sempre norteou os organizadores da feira baiana: todos os políticos são bem-vindos, pois somam forças para o desenvolvimento do setor. Contudo, que a política partidária fique do portão para fora.
Agronegócio | Agrishow 2026 | Tecnologia Agrícola | Mercado de Commodities | Políticas Públicas
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