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PESQUISA - Desvendando o vírus da necrose infecciosa de baço e rim (ISKNV) na piscicultura paulista
Data de Publicação: 13 de março de 2025 15:00:00 Pesquisa aponta a relação entre o ISKNV e a sanidade dos peixes, enfatizando a importância da detecção precoce e do desenvolvimento de vacinas.
Da redação
A saúde dos peixes é uma preocupação central para a cadeia produtiva da piscicultura, especialmente com o surgimento de doenças como o Vírus da Necrose Infecciosa de Baço e Rim (ISKNV), que impactam severamente a economia do setor. Um estudo do Instituto de Pesca (IP-Apta), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, investigou essa doença viral. Embora não seja uma zoonose, suas consequências para a piscicultura são significativas.
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Foto: IP-APTA
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A infecção pelo ISKNV resulta na morte de tecidos do baço e na proliferação anormal de megalócitos, células que se acumulam principalmente no rim e no baço dos peixes. Os sinais clínicos incluem perda de apetite, letargia, respiração acelerada, mudanças na coloração da pele, olhos salientes e inchaço abdominal.
O diagnóstico se baseia na observação dos sintomas e requer confirmação através de testes específicos, como análises microscópicas do tecido (histopatológicas) e PCR (convencional e em tempo real). Para estudar o vírus mais a fundo, é necessário isolá-lo em cultivos celulares, uma prática que representa uma alternativa ética aos testes em animais.
O projeto do IP, denominado "Detecção e caracterização de cepas circulantes de ISKNV, através de métodos fenotípicos e moleculares", visa identificar as cepas do vírus em circulação em São Paulo. O estudo também busca compreender a capacidade do vírus por meio do isolamento em células cultivadas e do mapeamento de seu material genético.
A pesquisa incluiu a infecção experimental de alevinos de tilápia, coletados em diferentes regiões do estado, priorizando aqueles com sintomas, mas também coletando animais assintomáticos. As amostras passaram por testes de PCR, e os resultados positivos foram confirmados por sequenciamento e cultivo celular.
Algumas amostras foram enviadas para a Washington State University, onde foram submetidas ao sequenciamento total do genoma e a estudos genéticos detalhados. Os pesquisadores informaram a Coordenadoria de Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo (CDA) sobre a persistência do vírus nas pisciculturas durante 2023 e 2024.
Segundo Cláudia Maris Ferreira Mostério, pesquisadora do IP e responsável pelo projeto, "este estudo foi desafiador devido à quantidade de animais e à complexidade das análises. Nossas conclusões preliminares indicam que a relação entre o vírus e a temperatura é estreita, embora não esteja mais ligada às estações do ano, possivelmente por mudanças climáticas. O vírus está presente em duas regiões hidrográficas principais, infectando peixes nos reservatórios. A mesma cepa circula no estado desde 2020, o que é promissor para o desenvolvimento de vacinas ou linhagens resistentes."
Com informações da Comunicação do IP-APTA/ Andressa Claudino
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