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RIO GRANDE DO SUL – Estado não tem informações concretas sobre a situação da piscicultura. Mas o panorama é imaginável

RIO GRANDE DO SUL – Estado não tem informações concretas sobre a situação da piscicultura. Mas o panorama é imaginável

Data de Publicação: 14 de maio de 2024 11:27:00 As recentes cheias que assolaram o Rio Grande do Sul não apenas causaram transtornos sociais e estruturais, mas também impactaram severamente setores econômicos essenciais, como a piscicultura. Com os tanques transbordando e os peixes escapando para ecossistemas não naturais, os piscicultores enfrentam prejuízos financeiros e ambientais. Diante da incerteza e da falta de dados concretos sobre a situação, os desafios imediatos e estruturais do setor tornam-se evidentes, exigindo respostas urgente

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Por Antônio Oliveira

A catástrofe que vem causando grandes transtornos sociais e estruturais no Rio Grande do Sul também tem seus reflexos nos setores produtivos urbanos e rurais em quase todo o estado. Safras de arroz e de soja, por exemplo, comprometidas pelo excesso de água na lavoura e super umidade nos armazéns e silos.

Na piscicultura não é diferente e para quem conheço bem os sistemas de produção deste setor pode imaginar o que aconteceu, ou o que está acontecendo: com as cheias,  os tanques escavados transbordam e todos os peixes escapam água abaixo deixando prejuízos para o piscicultor. No caso do cultivo de peixes exóticos, como a a tilápia e o panga, criados no Rio Grande do Sul em tanques escavados ou suspensos, a situação vai além dos prejuízos financeiros, alcançam o ambiental, pois que vão para um meio que não é o deles e causarão desequilíbrio na fauna aquática regional . Nos peixes criados em tanques-rede em rios e represas do estado, a situação também é imaginável: as enchentes levam a água de péssima qualidade para esses ambientes, o que pode matar os peixes.

(Arte: Cerrado Comunicação)

Eu procurei checar melhor a situação, mesmo que parcial, com alguns produtores gaúchos e com a Emater (braço de assistência técnica e extensão rural do Estado). Consegui falar com a presidente da TilápiaRS (associação de produtores de tilápia do Rio Grande do Sul),  Gabriela Mattei, que também é  coordenadora da Câmara Setorial de Agricultura na Secretaria de Agricultura do Estado.

Muito cautelosa, me disse que “nesse momento, eu não tenho dados para te passar. A gente está tentando fazer um levantamento dessa coisa absurda que aconteceu e ainda está acontecendo, porque neste final de semana choveu muito e o nível dos rios começaram a subir novamente. Então, de verdade, qualquer levantamento que a gente tenha feito nesses últimos dias, eu não sei se vão ser reais ainda, o que a gente está tentando é encontrar uma forma de recomeçar e recomeçar de uma maneira certa, principalmente na parte ambiental, a parte das licenças também. Então, isso é uma coisa que daqui a mais um mês, mais ou menos, eu acredito que a gente tenha dados para poder repassar”.

Mesma posição do Governo do Rio Grande do Sul, por meio de sua Emater.

Décimo segundo produtor nacional

Desde 2021, quando produziu 27.700 toneladas de peixes de diversas espécies, o Rio Grande do Sul vem se mantendo na 12ª posição no ranking nacional de produtores de peixes de cultivo. Em 2022, teve leve queda de produção – 27.300 toneladas -, tendo outra leve queda em 2023, com a produção de 26.800 toneladas.

Desta produção, em 2023, 1.300 t fora de nativos; 8.500 t de tilápia e 17.000 t de outras espécies (capa, truta e panga, principalmente). Os dez maiores produtores do estados são, pela ordem, Ajuricaba, Derrubadas, Santa Rosa, Tenente Portela, Tucunduva, Barra Funda, Guaporé, Três de Maio, Panambi e Roca Sales. Estes dados são do Anuário PeixeBR, edições de 2022, 2023 e 2024

Entraves e soluções

Conforme o Anuário PeixeBR 2024, nos últimos anos políticas públicas do Governo do Rio Grande Sul visaram dar maior dinamismo à piscicultura no estado. Ao Anuário, as secretarias de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação e a de Desenvolvimento Rural, 2023 foi marcado por extremos climáticos que afetaram diretamente a produção de peixes de cultivo no estado.

O Rio Grande do Sul, ainda conforme o Governo do Estado, teve um verão seco, com estiagem severa, reduzindo a disponibilidade de água para a produção, com redução da capacidade de suporte e diminuição do cultivo total.

Com a falta de chuvas na região Sul nos últimos anos, disseram as duas pastas, o efeito acumulado proporcionou perdas ainda maiores. Por outro lado, as chuvas excessivas nos meses finais do ano, com enxurradas em níveis nunca registrados no Vale do Taquari e Jacuí, provocaram danos à infraestrutura básica (estradas, casas, cidades) bem como a centenas de viveiros, conforme levantamento realizado em setembro de 2023 – informou, ao Anuário PeixeB 2024, a Emater do Rio Grande do Sul e a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado.

Além de todos estes problemas, outro vem travando o desenvolvimento piscicultura gaúcha. É a questão ambiental, o licenciamento para projetos de piscicultura, principalmente para o cultivo de tilápia que segue com restrições em algumas regiões e sistemas de produção

- Os analistas ambientais ainda esbarram em falta de clareza da legislação bem como nos efeitos da judicialização prolongada para criação de tilápia.

Em 2023, a piscicultura gaúcha demandou recursos da ordem de pouco mais que R$ 46 milhões para custeio da produção.

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