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SOS RIO GRANDE DO SUL - Piscicultura gaúcha enfrenta desafios após enchentes, apesar da perda, até o momento, ser de apenas 1.000 toneladas de peixes
Data de Publicação: 5 de junho de 2024 11:45:00 João Alfredo de Oliveira Sampaio, zootecnista e mestre em aquicultura da Emater-RS, avalia os impactos das enchentes na produção de peixes no Rio Grande do Sul, destacando as perdas significativas e o impacto ambiental. Ele falou com o editor do site, Antônio Oliveira
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João Alfredo de Oliveira Sampaio, zootecnista e mestre em aquicultura da Emater-RS, avalia os impactos das enchentes na produção de peixes no Rio Grande do Sul, destacando as perdas significativas e o impacto ambiental. Ele falou com o editor do site, Antônio Oliveira
Por Antônio Oliveira
Situação atual
"Nós temos uma estimativa de em torno de 2.300, quase 2.350 viveiros e açudes que foram afetados. Isso significa quase 1.000 toneladas de pescado a menos na produção gaúcha, aproximadamente 5% da produção do estado."
nós estamos falando aqui de 73 municípios em estado de calamidade, temos ainda os demais, pouco mais de 20 municípios que não foram muito afetados pelo volume total de chuvas no estado. Esses municípios não fazem parte desse levantamento da Emater -RS e a gente imagina que esse número possa ainda aumentar na medida em que forem chegando mais informações. Nós temos que considerar que ainda alguns municípios a gente não tem nem acesso às propriedades. A grande dificuldade, hoje, é o deslocamento dos técnicos, dos colegas, dos escritórios municipais para concluírem os levantamentos de perdas e ainda. Nós temos a situação daqueles viveiros que tinham algum problema, alguma dificuldade de construção. Eu diria que houve, nesse aspecto, grande impacto na produção gaúcha, mas eu diria que o impacto não vai ser tão grande agora, porque nós ainda temos um bom estoque de pescado nos viveiros para ir fazendo o abastecimento.
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| O que sobrou de um dos tanques no Rio Grande do Sul pós enchente (Foto: Emater-RS) |
Prejuízos
"Ainda não é possível quantificar em valores os prejuízos. Precisamos analisar as espécies que fugiram, o tamanho que elas tinham e a quantidade aproximada.
Recuperação
"Precisamos pensar na recuperação dos produtores de forma abrangente, não apenas focando na recuperação do setor produtivo. O efeito da enchente varia para cada produtor, família e propriedade. Em algumas propriedades, houve perda de vidas, em outras, perda de animais e estrutura. O Governo do Estado está buscando recursos junto a órgãos federais e financiadores para criar um programa de reconstrução. Foi criada, nesta semana, uma secretaria específica para atender a questão das calamidades. Existem propriedades onde o açude foi completamente destruído, levando até o solo da propriedade."
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João Alfredo de Oliveira Sampaio, zootecnista da Emater-RS (Foto: Acervo pessoal)
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Impacto ambiental com a fuga de exóticos
"Estimamos que cerca de 937 toneladas de peixes foram levadas pela água, mas não necessariamente morreram. Elas estarão presentes nas bacias hidrográficas. Teremos que redesenhar as áreas de preservação permanente, uma vez que as bacias hidrográficas dos municípios afetados foram assoreadas. Estamos falando de 73 municípios em estado de calamidade, e o número pode aumentar – não muito -conforme recebemos mais informações. Alguns municípios ainda são inacessíveis, dificultando o deslocamento dos técnicos para concluírem os levantamentos de perdas. Sobre o impacto ambiental, a introdução de espécies exóticas em corpos de água natural sempre traz impactos. Porém, não se espera que sejam profundos. As tilápias, por exemplo, preferem águas paradas, o que interfere na reprodução e crescimento, e competem, também, com espécies nativas como os lambaris (estes próximos a 100 variedades no estado). Lambaris são predadores de tilápia na fase entre a desova e alevinos. Tilápias só serão preocupantes se conseguirem se estabelecer em águas paradas, onde podem se reproduzir. As carpas, da mesma forma são controladas pelos lambaris. Para isso, estamos pensando em usar redes de malha superior ao tamanho dos peixes nativos para capturar as grandes carpas sem prejudicar o equilíbrio ambiental. Este trabalho será feito com os pescadores, não com os piscicultores. Gostaria de complementar que não criamos panga aqui no sul. O panga é um peixe tropical que não se adapta ao nosso clima, e não temos legislação permitindo a criação dessa espécie no Rio Grande do Sul."
Décimo segundo produtor nacional
Desde 2021, quando produziu 27.700 toneladas de peixes de diversas espécies, o Rio Grande do Sul vem se mantendo na 12ª posição no ranking nacional de produtores de peixes de cultivo. Em 2022, teve leve queda de produção – 27.300 toneladas -, tendo outra leve queda em 2023, com a produção de 26.800 toneladas.
Desta produção, em 2023, 1.300 t fora de nativos; 8.500 t de tilápia e 17.000 t de outras espécies (capa e truta, principalmente). Os dez maiores produtores do estados são, pela ordem, Ajuricaba, Derrubadas, Santa Rosa, Tenente Portela, Tucunduva, Barra Funda, Guaporé, Três de Maio, Panambi e Roca Sales. Estes dados são do Anuário PeixeBR, edições de 2022, 2023 e 2024
Entraves e soluções
Conforme o Anuário PeixeBR 2024, nos últimos anos políticas públicas do Governo do Rio Grande Sul visaram dar maior dinamismo à piscicultura no estado. Ao Anuário, as secretarias de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação e a de Desenvolvimento Rural, 2023 foi marcado por extremos climáticos que afetaram diretamente a produção de peixes de cultivo no estado.
O Rio Grande do Sul, ainda conforme o Governo do Estado, teve um verão seco, com estiagem severa, reduzindo a disponibilidade de água para a produção, com redução da capacidade de suporte e diminuição do cultivo total.
Com a falta de chuvas na região Sul nos últimos anos, disseram as duas pastas, o efeito acumulado proporcionou perdas ainda maiores. Por outro lado, as chuvas excessivas nos meses finais do ano, com enxurradas em níveis nunca registrados no Vale do Taquari e Jacuí, provocaram danos à infraestrutura básica (estradas, casas, cidades) bem como a centenas de viveiros, conforme levantamento realizado em setembro de 2023 – informou, ao Anuário PeixeB 2024, a Emater do Rio Grande do Sul e a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado.
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Além de todos estes problemas, outro vem travando o desenvolvimento piscicultura gaúcha. É a questão ambiental, o licenciamento para projetos de piscicultura, principalmente para o cultivo de tilápia que segue com restrições em algumas regiões e sistemas de produção
- Os analistas ambientais ainda esbarram em falta de clareza da legislação bem como nos efeitos da judicialização prolongada para criação de tilápia.
Em 2023, a piscicultura gaúcha demandou recursos da ordem de pouco mais que R$ 46 milhões para custeio da produção.
#Piscicultura #EnchentesRS #ProduçãoDePeixes #ImpactoAmbiental #Agronegócio #RecuperaçãoEconômica
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