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ENTREVISTA – Marilsa P. Fernandes: “De Santa Fé do Sul a Uberlândia, Aquishow Brasil 2025, um salto estratégico pela piscicultura brasileira."
Data de Publicação: 6 de dezembro de 2024 09:21:00 Com quase duas décadas de história, o maior evento de aquicultura do Brasil abraça sua primeira edição itinerante, destacando Uberlândia como polo estratégico do setor. A Aquishow Brasil se reinventa com uma proposta itinerante e redução de custos, mirando em maior alcance e inovação. É o que projeta, em entrevista exclusiva, a coordenadora do evento.
Com quase duas décadas de história, o maior evento de aquicultura do Brasil abraça sua primeira edição itinerante, destacando Uberlândia como polo estratégico do setor. A Aquishow Brasil se reinventa com uma proposta itinerante e redução de custos, mirando em maior alcance e inovação. É o que projeta, em entrevista exclusiva, a coordenadora do evento.
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Marilsa Patrício Fernandes, coordenador da Aquishow Brasil (Foto: Aquishow Brasil/Divulgação)
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Por Antônio Oliveira
Com uma trajetória de sucesso de quase 20 anos, a Aquishow Brasil está se preparando para um novo e importante capítulo em sua história. Após sua criação e realização durante dez anos no pequeno e próspero município de Santa Fé do Sul, no noroeste paulista, o evento se lança em sua primeira edição itinerante, percorrendo grandes polos de aquicultura no Brasil.
A estreia dessa nova fase será em Uberlândia, Minas Gerais, entre os dias 27 e 29 de maio do ano que vem. O município, além de ser o segundo maior de Minas Gerais e um importante polo comercial e de serviços, está se consolidando como referência na piscicultura dos grandes lagos produtores do estado.
Cerrado Rural Agronegócios, parceiro do evento, entrevistou Marilsa Patrício Fernandes, principal organizadora, para discutir as expectativas e os desafios dessa edição, que promete ser a melhor de todas já realizadas. A conversa foi conduzida de forma remota.
Cerrado Rural Agro (CRA) – Vamos iniciar esta entrevista fazendo uma retrospectiva da Aquishow. O que motivou a criação desse evento?
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Em 2025 a Aquishow Brasil será realizada na cidade de Uberlândia (Foto: Sebrae-MG)
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Marilsa Patrício Fernandes - Antônio, meu estimado, você me pergunta o que motivou a criação da Aquishow Brasil ou do Aquishow Brasil, né!? Se for combinado com "feira", será "a Aquishow"; se for referido como evento, será "o Aquishow Brasil". Enfim, independentemente dessa questão, a motivação para a criação do evento foi o início da produção de peixes em tanques-rede aqui no noroeste paulista, na região de Santa Fé do Sul. Essa região começou a se destacar na produção de peixes, especialmente tilápia. Foi quando percebi a necessidade de capacitação, acesso às inovações, gestão e tecnologias para os produtores da região.
Como eu já trabalhava no setor e havia criado a Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (PeixeSP) lá em 2004, pensei em um evento que pudesse proporcionar acesso a todas essas atividades para os produtores, pois até então não havia isso. Hoje, temos mais informações sobre a produção de peixes, mas naquela época não era assim. Já são 20 anos desde que a Aquishow surgiu dessa necessidade, acompanhando o crescimento da atividade na região do reservatório de Ilha Solteira, que se tornou referência na produção de peixes em tanques-rede, especialmente no noroeste paulista
"Aquicultura que transforma, conecta e inova."
CRA - Nascida em um município com forte vocação para a piscicultura, o evento mudou sua sede para São José do Rio Preto. Por quê?
Marilsa Patrício Fernandes - A mudança da Aquishow Brasil para São José do Rio Preto ocorreu devido à falta de estrutura da cidade de Santa Fé do Sul, onde o evento começou, em 2009. A cidade tinha poucos hotéis, restaurantes e capacidade limitada para atender à demanda por hospedagem e alimentação que o evento gerava.
Após dois anos sem realizar o evento por causa da pandemia (2020 e 2021), entendemos que precisávamos de uma cidade com maior estrutura. São José do Rio Preto oferece mais opções de hospedagem, além de aeroporto e linhas de ônibus que conectam a região a praticamente todo o Brasil. Essas foram as principais razões para a mudança de sede.
CRA - O evento passou por algumas mudanças em suas propostas originais. Por quê?
Marilsa Patrício Fernandes - O evento foi sendo moldado ao longo do tempo. A próxima edição (14ª) será em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. As mudanças que você menciona não foram tão significativas. Originalmente, o objetivo era levar inovações e capacitação para o setor produtivo da região dos grandes lagos (São Paulo e Mato Grosso).
Hoje, entretanto, vejo que a cadeia produtiva está se organizando em todo o Brasil, e o evento precisa ser mais abrangente. Continua sendo um evento focado na tilapicultura, mas também abrange outras cadeias produtivas de organismos aquáticos que enfrentam desafios semelhantes, como a produção de nativos, maricultura, ranicultura e ornamentais. A Aquishow Brasil se tornou esse grande encontro para abordar as dificuldades da aquicultura no país de forma geral.
“Inovação é o motor da aquicultura; a Aquishow é o ponto de encontro."
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Praça de alimentação da Aquishow Brasil 2024 (Foto: Antônio Oliveira)
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CRA - Ao longo de sua existência, o evento tem alcançado seus objetivos?
Marilsa Patrício Fernandes - Sim, e mais do que isso: tem funcionado como uma grande alavanca para a atividade. A Aquishow é o grande encontro da aquicultura brasileira, onde discutimos problemas, realizamos negócios e avançamos no conhecimento da atividade.
Tenho muito orgulho do Prêmio Inovação Aquícola, que destaca as grandes inovações da aquicultura no Brasil. Por exemplo, Wagner Chakib Camis venceu este ano na categoria Produção com um produto que faz biometria utilizando inteligência artificial. É possível medir, sem tocar nos peixes e sem causar estresse, uma grande quantidade deles em apenas duas horas. O financiamento desse produto foi viabilizado após ele vencer o concurso. Por isso, acredito que não só alcançamos como extrapolamos os objetivos iniciais.
CRA - O evento tem contado com o devido apoio de entes privados e públicos para sua existência?
Marilsa Patrício Fernandes - Basicamente, as despesas do evento são cobertas pela comercialização dos estandes, majoritariamente ocupados por empresas privadas. Recebemos algum apoio do MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura), especialmente na organização, que tinha um custo elevado devido à necessidade de montar toda a estrutura do zero.
Com a nova proposta itinerante, conseguimos reduzir os custos dos estandes e do evento como um todo. Na edição de Uberlândia, o custo para os expositores será mais de 30% menor em comparação à edição anterior, já que utilizaremos um centro de eventos mais acessível.
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Marilsa Patrício Fernandes em foto da edição 2024 comemorando o sucesso na veda de máquinas e implementos na Aquishow Brasil (Foto: Antônio Oliveira)
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CRA – Como já foi falado, a partir do ano que vem, a Aquishow realiza sua primeira edição itinerante. Por que essa mudança?
Marilsa Patrício Fernandes - Existem várias razões. Uma delas é a missão do evento de levar informações e inovações às regiões produtoras, facilitando o acesso para os produtores que, muitas vezes, têm dificuldade de se deslocar entre estados.
Além disso, em São José do Rio Preto não há um centro de eventos adequado. O custo de montar toda a estrutura em terreno vazio, com piso, teto e paredes, ultrapassava R$ 600 mil. Outro fator foi a indiferença do governo do Estado de São Paulo em relação à piscicultura. Minas Gerais, apesar das dificuldades, tem demonstrado mais receptividade, o que também influenciou na decisão de levar o evento para lá.
“Em Uberlândia, a edição 2025 do evento promete ser a melhor de toda sua história”
CRA - O que espera dessa nova edição no interior de Minas?
Marilsa Patrício Fernandes - Minas Gerais tem se destacado na tilapicultura, e o Triângulo Mineiro está estrategicamente localizado próximo a várias regiões produtoras. Com a parceria da PeixeMG, faremos um evento inovador em Uberlândia.
Fomos muito bem recebidos pela cidade, e acredito que esta será a melhor edição de todas.
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Estrutura saída do zero encareço muito os
custos de produção do evento (Foto: Antônio Oliveira)
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CRA - O que esperar do atual momento da aquicultura brasileira na edição do evento no ano que vem?
Marilsa Patrício Fernandes - Espero que, em maio do ano que vem, o cenário melhore. Estamos enfrentando um período difícil, talvez o mais longo desde que entrei na atividade, mas acredito que as coisas começarão a melhorar a partir de fevereiro ou março.
CRA - Encerro, deixando você a vontade para mais informações que achar necessárias.
Marilsa Patrício Fernandes - Antônio, eu agradeço a você pela oportunidade de estar falando do Aquishow Brasil, um evento que a gente realiza com muito carinho com muito compromisso, que dá um trabalho danado, mas acho que a gente termina fazendo a diferença porque pretendemos e fazemos um evento voltado para o produtor. É um evento feito pelo produtor e aqui eu falo e represento os anseios da atividade, do produtor brasileiro, e você sempre tem sido um parceiro na cobertura jornalística, no apoio e divulgação da atividade, e eu pessoalmente gosto dessa sua forma sempre muito lúcida, muito bem fundamentada e acima de tudo muito ética do seu trabalho em relação ao agronegócio brasileiro. Espero você na Aquishow Brasil 2025, nos dias 27, 28 e 29 de maio em Uberlândia, uma cidade belíssima, hospitaleira com uma comida boa, um povo bonito que nos recebeu de braços abertos para fazermos a melhor edição de todas as feiras do setor aquícola brasileiro, que vamos realizar em Uberlândia. Então, desejo a você muita saúde para continuar esse seu trabalho divulgando as coisas boas e as vitórias do agronegócio brasileiro.
Um grande abraço.
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