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DESASTRE SOCIOAMBIENTAL - Quase metade dos pescadores do ES atingidos pelo rompimento de barragem abandonaram a atividade

DESASTRE SOCIOAMBIENTAL - Quase metade dos pescadores do ES atingidos pelo rompimento de barragem abandonaram a atividade

Data de Publicação: 6 de dezembro de 2024 15:12:00 O rompimento da barragem de Fundão afetou gravemente a pesca artesanal no Espírito Santo, evidenciando desigualdades sociais e econômicas e a necessidade de soluções participativas para a recuperação das comunidades.

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 O rompimento da barragem de Fundão afetou gravemente a pesca artesanal no Espírito Santo, evidenciando desigualdades sociais e econômicas e a necessidade de soluções participativas para a recuperação das comunidades.

 

Lama tóxica chegou à foz do Rio Doce, no litoral capixaba, prejudicando
pesca em lagos, rios e alto mar (Foto: Fred Loureiro/Agência Brasil)

Da redação

O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015, segue como um dos maiores desastres socioambientais do Brasil. A tragédia impactou diretamente o Rio Doce e áreas costeiras, afetando profundamente a pesca artesanal no Espírito Santo. Segundo estudo publicado na revista Ocean and Coastal Research por pesquisadores do Instituto de Pesca de São Paulo e da Ufes, 96% dos 441 pescadores entrevistados relataram prejuízos em suas atividades.

Dos pescadores impactados, 47% abandonaram a pesca, com maior concentração entre mulheres, idosos e pessoas de áreas afastadas do mar. Outros 49% precisaram adaptar suas práticas, alterando locais, técnicas ou espécies capturadas, devido à redução de peixes maiores como robalo, traíra e garoupa. Apenas 4% continuaram a pescar sem limitações significativas.

A pesquisa, realizada entre 2021 e 2022 em seis municípios capixabas, também revelou desigualdades. Pescadores que deixaram a atividade registraram renda média mensal de R$ 1.217,24, enquanto aqueles que se adaptaram alcançaram R$ 1.583,16.

- Os dados mostram que, além dos impactos ambientais, existem desigualdades sociais que intensificam a vulnerabilidade dessas comunidades - explica a bióloga Mayra Jankowsky, autora do estudo.

Outro problema grave é a falta de informações claras sobre a contaminação dos peixes. Muitos pescadores desconhecem os riscos associados ao consumo e à comercialização, agravando a desconfiança dos consumidores. Mesmo após quase uma década, a venda de pescados ainda é prejudicada.

A luta por reparação também persiste. Em 2024, a Justiça absolveu as empresas Samarco, Vale e BHP Billiton, enquanto o julgamento contra a BHP no Reino Unido ainda está em curso. Um acordo recente prevê o pagamento de R$ 132 bilhões aos afetados, mas a implementação das medidas e o papel das comunidades no processo de reconstrução continuam sendo desafios.

Para Jankowsky, é essencial que as populações afetadas sejam protagonistas nas soluções.

- A participação ativa das comunidades é vital para reconstruir os modos de vida impactados. Também é urgente promover ações de descontaminação e monitoramento ambiental, com foco em segurança alimentar e sustentabilidade - conclui.

*Fonte: Agência Boris

#Mariana #DesastreAmbiental #Pescadores #JustiçaSocial #RioDoce

 

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