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OPINIÃO ][ A partidarização da CNA e os desafios do Agronegócio brasileiro

OPINIÃO ][ A partidarização da CNA e os desafios do Agronegócio brasileiro

Data de Publicação: 15 de julho de 2025 19:52:00 Um questionamento sobre a postura política do presidente da CNA, João Martins, que em 2022 atacou o então candidato Lula e agora, em meio a momento delicado vivido pela economia brasileira, emite uma nota de oposição ao Governo Federal, levantando dúvidas sobre o papel apartidário da instituição.

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Da redação

Em agosto de 2022, no início  da última campanha eleitoral para a presidência da República, em meio a intensas paixões políticas e misturando sua opção política pessoal com a atuação da poderosa instituição representativa do agronegócio, o presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), João Martins, protagonizou um episódio marcante. Numa manifestação, ao lado de um grupo de diretores e produtores pró-Bolsonaro, ele bateu na mesa e chamou o então candidato Lula de ladrão.

João Martins transfou a CNA num reduto bolsonarista (Foto: CNA)

Na ocasião, Martins declarou: “Os senhores sinalizaram bem claro que não tem mais espaço nesse país para uma equipe corrupta e incompetente. E muito menos o retorno de um candidato que foi processado e preso como ladrão. Nós queremos construir um Brasil do amanhã. Não só de ter orgulho de ser brasileiros, mas construir um país para os nossos filhos e nossos netos. Isso só será possível se nós tivermos a coragem de fazer com que, na próxima eleição, sejam eleitos um Congresso responsável e comprometido com as grandes reformas e um presidente que dê continuidade ao que nós estamos vivendo hoje”.

O presidente da CNA teria todo o direito a uma manifestação pessoal, mesmo que radical – vivemos num país democrático. No entanto, sua opinião foi expressa dentro do ambiente corporativo que representa, o qual, por sua natureza, deveria ser apartidário. Essa atitude partidarizou a CNA e continua a fazê-lo, com sua preferência política por Bolsonaro – poderia ser por qualquer outra liderança de direita, centro ou esquerda, mas que desde que seja fora do ambiente corporativo. Ou mudaram o estatuto da instituição?

Uma nota em momento crítico

Em um momento grave para o Brasil, especialmente para diversos setores da economia, incluindo o próprio agronegócio, afetados, por uma medida tresloucada do presidente norte-americano, Donald Trump,  medida com viés político e na clara proteção ao seu amigo brasileiro, Bolsonaro,  e momento em que  líderes de vários setores econômicos buscam união com o Governo Federal, a postura da CNA é novamente questionada. Enquanto muitos líderes do agronegócio parecem reavaliar suas bandeiras partidárias – ou deixa o partidarismo de lado neste momento -, o presidente da CNA assina e publica uma nota vergonhosa, de forte oposição ao Governo Federal e com uma visão distorcida por caprichos políticos. Nem citou que Trump, acatando pedido dos Bolsonaro, fez da economia brasileira refém pela liberdade do ex-presidente.

A CNA, uma instituição muito bem organizada e estruturada, com um vasto histórico de serviços prestados ao agronegócio e à sociedade brasileira – através de seus serviços sociais e didáticos – corre o risco de descer ladeira abaixo até o precipício da falta de credibilidade, o que seria lamentável.

É fundamental que a instituição seja oxigenada – renovada, mesmo -,  e retome seu compromisso exclusivo com os objetivos para os quais foi criada. É crucial que a CNA não confunda a luta política partidária de um ou de outro executivo de seus quadros com a luta por políticas públicas em benefício do agronegócio brasileiro.

Segue a íntegra da nota.

 

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“A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) manifesta sua preocupação com o cenário atual em que, enquanto o Brasil real tenta recuperar sua economia, atrair investimentos, abrir mercados e gerar empregos, a política nacional insiste em girar em torno de uma pauta estéril, paralisante, marcada por radicalismos ideológicos e antinacionais.

A presença dessa agenda como prioridade, inclusive nas relações internacionais, ficou ainda mais evidente com a carta do presidente Donald Trump , um gesto simbólico, mas que reverberou nas instituições brasileiras e criou novo ruído na imagem do país no exterior. O Brasil, que deveria estar consolidando sua posição como fornecedor estratégico de alimentos, energia limpa e minerais críticos, volta às manchetes internacionais não por suas oportunidades, mas por suas "crises políticas pessoais" internas.

A verdade é que o Brasil tem sido governado, direta ou indiretamente, por uma obsessão com o passado. O Congresso Nacional, pressionado por suas bases políticas, perde tempo em disputas e manobras que têm pouco a ver com os interesses econômicos do país. O Judiciário, por seu turno, também tem sido envolvido em um protagonismo institucional que, embora muitas vezes necessário, alimenta uma instabilidade constante.

E o governo atual é muito culpado também. Em vez de assumir a liderança de uma agenda pragmática e pacificadora, optou por reabrir feridas políticas, reforçando antagonismos e muitas vezes tratando adversários como inimigos. Essa escolha tem custo. A confiança empresarial, a previsibilidade regulatória e a estabilidade institucional, pilares de qualquer economia saudável, são minadas quando o próprio governo entra no jogo da revanche.

O setor econômico assiste a tudo com preocupação. O Brasil precisa de foco.

Precisamos de reformas estruturais que destravem o crescimento, de segurança jurídica, de um ambiente político que permita pensar no médio e longo prazo. Nenhum investidor aposta num país preso em disputas do passado.

É preciso que alguém diga o óbvio: a economia não pode continuar sendo refém de narrativas políticas que alimentam extremos e paralisam decisões. O Brasil precisa voltar a olhar para frente. E isso exige maturidade, de todos os lados.

A política precisa corrigir essa grave crise.

Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

Brasília, 15 de julho de 2025”

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