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GEOCIÊNCIAS ][ Estudo da Unicamp revela "cofres" de carbono em áreas úmidas do Cerrado

GEOCIÊNCIAS ][ Estudo da Unicamp revela "cofres" de carbono em áreas úmidas do Cerrado

Data de Publicação: 13 de março de 2026 10:13:00 Pesquisa publicada na New Phytologist alerta que drenagem de veredas pode liberar estoques milenares de carbono, agravando o efeito estufa.

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Estudo mapeou solos alagados do Cerrado até
quatro metros de profundidade. (Foto: Guilherme Alencar)
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Resumo

Cientistas da Unicamp descobriram que o solo das áreas úmidas do Cerrado armazena quantidades gigantescas de carbono orgânico acumulado há milênios. A ausência de oxigênio em solos alagados preserva a matéria orgânica, mas a drenagem para agricultura ameaça converter esses sumidouros em grandes emissores de gases.

Da redação*

Um estudo brasileiro de vanguarda, publicado nesta quinta-feira (12/3) na prestigiada revista New Phytologist, revela que as áreas úmidas do Cerrado funcionam como depósitos colossais de carbono orgânico. Conduzida por pesquisadores da Unicamp, a investigação mapeou solos de até quatro metros de profundidade, encontrando estoques acumulados ao longo de dezenas de milhares de anos — uma descoberta surpreendente para uma região de clima sazonal e seco.

Foto: Larissa Verona
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O mecanismo de preservação dessas "turfeiras tropicais" reside na água: o solo constantemente alagado impede a entrada de oxigênio, inviabilizando a sobrevivência de bactérias aeróbicas que decomporiam folhas e raízes. No entanto, a pesquisadora Larissa Verona alerta para o perigo da drenagem agrícola: ao retirar a água, o oxigênio penetra no solo e inicia um "banquete" bacteriano que decompõe a matéria orgânica rapidamente. Esse processo libera não apenas CO2, mas também metano, cujo potencial de aquecimento global é 28 vezes superior.

Para o professor Rafael Oliveira, a degradação dessas áreas é uma "bomba-relógio" climática e hídrica. A proteção desses ecossistemas é estratégica para que o Brasil cumpra suas metas de

Foto: Juliana DiBeo
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emissões. Os especialistas reforçam que proteger apenas o perímetro das veredas é insuficiente se o entorno continuar exaurindo o lençol freático com pivôs de irrigação. A recomendação é o reconhecimento imediato dessas áreas como de proteção permanente e a adoção de um manejo hídrico integrado em escala de bacia hidrográfica.

*Fonte: Agência Bori.

 

Unicamp | Cerrado | Carbono | Clima | Solo | Veredas | Meio Ambiente | Pesquisa

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