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AQUISHOW BRASIL 2026/ENTREVISTA ][ Pedro Rivelli e a ascensão da aquicultura em Minas

AQUISHOW BRASIL 2026/ENTREVISTA ][ Pedro Rivelli e a ascensão da aquicultura em Minas

Data de Publicação: 16 de março de 2026 19:22:00 "Minas Gerais reúne todas as condições para se tornar um dos maiores polos aquícolas do Brasil, tanto em volume quanto em diversidade de espécies."

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Resumo

Em entrevista exclusiva para a série Aquishow Brasil 2026, Pedro Rivelli, presidente da Peixe MG, destaca o salto de 11,5% na produção mineira e o papel estratégico dos grandes reservatórios. O executivo discute os avanços em genética, os gargalos burocráticos e o impacto de Uberlândia como sede do setor.

 

Por Antônio Oliveira

Nesta entrevista especial da Cerrado Rural Agronegócios para a série  Aquishow Brasil 2026, mergulhamos no fenômeno da piscicultura mineira, que consolidou Minas Gerais como o quarto maior produtor de peixes de cultivo do país. Com um crescimento de 11,5% — superando largamente a média nacional —, o estado encontrou na tilápia e nos reservatórios estratégicos de Furnas e Três Marias o motor de sua ascensão. À frente dessa transformação está Pedro Rivelli, presidente da Peixe MG e um dos nomes mais dinâmicos do setor.

A Aquishow Brasil 2026 volta a ser realizada em Minas Gerais, entre os dias 9, 10, 11 de junho, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.

Pedro Rivelli, produtor e presidente da Peixe MG (Fotos: governo
de Minas e acervo pessoal. Montagem: Cerrado Rural Agro)
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Representante da segunda geração da tradicional Rivelli Alimentos, Pedro transportou a excelência em governança da avicultura para as águas, unindo tradição familiar a uma visão disruptiva de mercado. Entusiasta da inovação e da tecnologia no campo, ele tem sido peça-chave na profissionalização da cadeia produtiva mineira, conectando o agro a ecossistemas como o Hub MG e a Novoago. Nesta entrevista exclusiva, Rivelli compartilha sua experiência sobre sucessão, resiliência e os novos horizontes da proteína animal no Brasil.

Segue a íntegra da entrevista feita por meio do WhatsApp.

 

Antônio Oliveira - Considerando que o Lago de Furnas banha 34 municípios e recentemente recebeu novas portarias de cessão de uso das Águas da União, quais são os principais entraves burocráticos e ambientais que ainda impedem que o potencial de exploração atinja sua capacidade máxima projetada? Nesta oportunidade, gostaria que falasse, também, do potencial da piscicultura em todo o estado de Minas Gerais.

Pedro Rivelli - Minas Gerais vive um momento muito importante na piscicultura. Nos últimos anos, a produção estadual cresceu mais de 60%, saltando de cerca de 44 mil toneladas em 2020 para aproximadamente 72,8 mil toneladas em 2024, consolidando o estado entre os maiores produtores de tilápia do Brasil, conforme a Forbes Brasil. Hoje a piscicultura mineira movimenta mais de R$ 450 milhões por ano apenas na produção de tilápia e gera cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos, envolvendo aproximadamente 3,5 mil produtores em diversas regiões do estado, dados do Governo de Minas Gerais. Quando analisamos o mapa produtivo do estado, percebemos que Minas possui diversos polos estratégicos. O principal deles está na região do Lago de Três Marias, onde está o município de Morada Nova de Minas, considerado hoje o maior município produtor de tilápia do Brasil, com uma produção que já ultrapassa 30 mil toneladas por ano, segundo o Sistema SENAR/FAEMG (Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais. Essa região concentra mais de 50% da produção de tilápia do estado, formando o maior arranjo produtivo da piscicultura brasileira em reservatórios, ainda conforme a FAEMG.

Outro polo relevante é o Lago de Furnas, que reúne excelentes condições para produção em tanques-rede e ainda possui grande capacidade de expansão.

Além disso, o Triângulo Mineiro desponta como uma das maiores fronteiras de crescimento da aquicultura no Brasil, graças à logística, disponibilidade de água, proximidade com grandes mercados consumidores e forte integração com o agronegócio.

Minas Gerais tem ainda uma piscicultura extremamente diversificada.

 
 
Espécie exótica, a truta se adaptou as condições
de Minas Gerais (Foto: Governo de Minas)
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Na Serra da Mantiqueira concentra-se a maior produção de trutas do Brasil, enquanto a Zona da Mata abriga o maior polo nacional de peixes ornamentais, responsável por cerca de 70% da produção brasileira e mais de 10 milhões de peixes por ano, sustentando centenas de famílias na região, dados de o Estado de Minas.

Ou seja, Minas Gerais reúne todas as condições para se tornar um dos maiores polos aquícolas do Brasil, tanto em volume quanto em diversidade de espécies.

Entraves burocráticos e ambientais

Minas é o maior produtor de peixes
ornamentais de o Brasil (foto: Emater/MG)
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Apesar de todo esse potencial, o setor ainda enfrenta desafios importantes. O principal deles é a complexidade do licenciamento ambiental, que muitas vezes envolve múltiplos órgãos, processos demorados e exigências que não refletem a realidade da piscicultura moderna. A criação de peixes em tanques-rede ocupa uma fração muito pequena da lâmina d’água dos reservatórios e segue parâmetros ambientais rigorosos. Mesmo assim, muitos projetos enfrentam longos períodos de análise ou insegurança jurídica para implantação. Outro desafio é a burocracia para autorização de parques aquícolas e uso das águas da União.

Minas Gerais tem vocação natural para a aquicultura. O que precisamos agora é transformar esse potencial em produção, emprego e renda, com processos regulatórios mais ágeis e previsíveis.

 

O legado da Aquishow 2025

 

Antônio Oliveira - A edição do ano passado foi histórica por ser a primeira realizada em solo mineiro (Uberlândia). Quais foram os reflexos práticos dessa feira para os produtores locais em termos de atração de novos investimentos e abertura de mercados internacionais para a tilápia mineira?

Pedro Rivelli - A realização da Aquishow em Uberlândia foi um marco histórico para a piscicultura mineira. O evento colocou Minas Gerais no centro do debate nacional da aquicultura e mostrou que o estado possui produtores altamente profissionais, tecnologia avançada e ambiente favorável para investimentos.

A feira também fortaleceu a imagem do estado como uma nova fronteira de expansão da piscicultura brasileira, especialmente no Triângulo Mineiro, que reúne logística privilegiada, proximidade com grandes mercados consumidores e forte estrutura agroindustrial.

"A piscicultura é uma das formas mais eficientes de produção de proteína animal em termos de conversão alimentar e uso de recursos naturais."

Além disso, aproximou produtores mineiros de fornecedores de tecnologia, genética e nutrição animal, acelerando a adoção de inovação nas propriedades.

 

Tecnologia e genética

Os lagos Três Marias e de Furnas têm potencial
para projetar ainda mais o estado de Minas na
piscicultura brasileira (Foto: governo de Minas)
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Antônio Oliveira - Com a evolução da conversão alimentar (que já permite produzir 1kg de peixe com cerca de 1,6kg de ração), quais tecnologias de monitoramento inteligente e melhoramento genético apresentadas na Aquishow estão sendo adotadas de forma mais agressiva no Lago de Furnas para aumentar a rentabilidade?

Pedro Rivelli - A piscicultura brasileira evoluiu muito nos últimos anos, e Minas acompanha esse avanço.

Hoje já temos conversões alimentares próximas de 1,6 kg de ração para produzir 1 kg de peixe, algo que demonstra o nível de eficiência da atividade.

Entre as tecnologias mais adotadas estão: sensores inteligentes de qualidade da água; sistemas automáticos de alimentação; monitoramento remoto de oxigenação; softwares de gestão produtiva; melhoramento genético de linhagens de tilápia, entre outros.

Essas tecnologias permitem aumentar produtividade, reduzir custos e garantir maior sustentabilidade ambiental.

Nos grandes reservatórios mineiros, como Três Marias e Furnas, essa evolução tecnológica vem transformando a piscicultura em uma atividade cada vez mais profissional e competitiva.

 

Expectativas para a Aquishow 2026

Antônio Oliveira - O evento retorna a Uberlândia em junho deste ano com a meta de movimentar mais de R$ 125 milhões em negócios. Quais são as principais "dores" do setor que os produtores esperam ver resolvidas nos painéis técnicos e rodadas de negócios desta edição?

Pedro Rivelli - A expectativa para a Aquishow 2026 é muito grande.

O setor espera que o evento ajude a avançar principalmente em três temas centrais:

1. Modernização do licenciamento ambiental, com processos mais rápidos e compatíveis com a realidade da piscicultura.

2. Ampliação do acesso ao crédito, fundamental para implantação de estruturas produtivas e ampliação da indústria de processamento.

3. Organização da cadeia produtiva, fortalecendo frigoríficos, logística e acesso a mercados.

A piscicultura brasileira ainda está apenas no início de sua expansão, e Minas Gerais tem tudo para liderar esse crescimento.

 

Sustentabilidade e múltiplos usos dos reservatórios

Antônio Oliveira - Diante das oscilações do nível do reservatório de Furnas e Três Marias para geração de energia, como a piscicultura tecnológica pode se adaptar para garantir a estabilidade da produção e a segurança jurídica dos Parques Aquícolas?

Pedro Rivelli - Os reservatórios mineiros têm múltiplas funções: geração de energia, turismo, abastecimento e produção de alimentos.

A piscicultura moderna se integra perfeitamente a esse contexto.

A produção em tanques-rede ocupa uma área mínima da lâmina d’água e segue critérios ambientais rigorosos de monitoramento da qualidade da água e densidade produtiva.

O Estado de Minas já é um dos maiores produtores
de tilápilia do Brasil (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agro)
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Com planejamento adequado e segurança jurídica para os parques aquícolas, é possível conciliar perfeitamente a geração de energia com a produção de alimentos.

A piscicultura é, inclusive, uma das formas mais eficientes de produção de proteína animal em termos de conversão alimentar e uso de recursos naturais.

 

Diversificação e valor agregado

Antônio Oliveira - Minas Gerais viu sua produção crescer mais de 60% nos últimos cinco anos. Além da tilápia bruta, como as novas unidades de processamento  (frigoríficos) na região de influência de Furnas estão transformando o subproduto (couro, escamas e vísceras) em novas fontes de receita para o estado?

 
Pedro Rivelli - Outro movimento importante em Minas Gerais é a *industrialização do pescado.

Nos últimos anos surgiram novos frigoríficos e unidades de processamento que estão agregando valor à produção.

Hoje o mercado já demanda filé de tilápia; produtos empanados; porções prontas para consumo; cortes padronizados, entre outros

Além disso, os subprodutos também começam a ganhar valor econômico.

O couro da tilápia, por exemplo, pode ser utilizado na indústria da moda e design. Escamas e vísceras podem gerar colágeno, fertilizantes e ingredientes para nutrição animal.

Essa industrialização fortalece toda a cadeia produtiva e amplia o impacto econômico da piscicultura no estado.

 

Importação de tilápia do Vietnã

Antônio Oliveira - Importação de tilápia do Vietnã preocupa os produtores de Minas Gerais? Por que?

Pedro Rivelli - A possível ampliação da importação de tilápia do Vietnã gera preocupação no setor produtivo brasileiro. O Brasil possui produtores altamente eficientes, mas que seguem regras ambientais, sanitárias e trabalhistas rigorosas.

Quando um produto importado entra no mercado sem as mesmas exigências, cria-se uma competição desigual. Mais do que competir, o Brasil tem todas as condições de se tornar um grande exportador de peixe e Minas Gerais pode ter um papel central nisso.

Com polos produtivos consolidados como Morada Nova de Minas, potencial de expansão no Triângulo Mineiro, tradição em trutas na Mantiqueira e liderança nacional em ornamentais na Zona da Mata, o estado reúne todos os elementos para se tornar uma potência aquícola no país.

E isso significa mais emprego, renda e produção sustentável de proteína animal para a população.

 

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