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PISCICULTURA FAMILIAR ][ Agrotins debate desafios e soluções no cultivo de peixes

PISCICULTURA FAMILIAR ][ Agrotins debate desafios e soluções no cultivo de peixes

Data de Publicação: 15 de maio de 2026 21:45:00 Evento em Palmas discute resistência técnica, manejo de viveiros e entraves na comercialização que afetam pequenos produtores de Porto Nacional.

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Resumo

Durante a 26ª Agrotins, o Ruraltins e parceiros debateram a sustentabilidade da piscicultura familiar regional. Especialistas da Embrapa e Senar apontaram falhas no manejo de tanques, falta de biometria e custos de ração, enquanto produtores relataram os desafios com sanidade e falta de certificação.

 

 

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Da redação

O painel "Piscicultura Familiar na região de Porto Nacional: Caracterização, Desafios e Soluções" consolidou-se como um dos principais destaques técnicos na tarde do último dia 13. O encontro integrou a programação da 26ª Feira Agrotecnológica do Tocantins (Agrotins), que segue até o próximo dia 16 de maio, em Palmas. A iniciativa foi coordenada pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), em parceria estratégica com a Secretaria da Pesca e Aquicultura (Sepea), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e a Embrapa Pesca e Aquicultura.

Marinalva Moura conduz sua produção no Parque
Aquícola de Sucupira, em Palmas (Foto: Embrapa)
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A relevância do tema atraiu um expressivo público de técnicos e produtores, que preencheram por completo o auditório do Ruraltins. Durante a programação, a plateia acompanhou debates fundamentados em quatro eixos centrais: "Caracterização da Piscicultura Familiar na Região de Porto Nacional"; "Piscicultura Inteligente: do Preparo de Viveiros ao Manejo por Fases"; "Estratégias de Comercialização do Pescado na Piscicultura Familiar" e "Boas Práticas no Processamento do Pescado".

De acordo com indicadores do último censo aquícola nacional, os pequenos negócios ou propriedades familiares representam de 80% a 85% do total de empreendimentos do setor, sendo responsáveis por uma fatia que varia de 35% a 40% da produção do país. O levantamento aponta ainda que a maior concentração desses pequenos criadores está situada nas regiões Norte e Nordeste.

Barreiras na difusão de tecnologia e manejo

A zootecnista Rafaela Medeiros, supervisora do Senar, pontuou que os profissionais de extensão rural frequentemente enfrentam obstáculos culturais para introduzir inovações tecnológicas no campo.

- O sucesso da atividade aquícola exige um alinhamento rigoroso entre o fornecimento de alimentação, a densidade de estocagem e os parâmetros de qualidade da água. Contudo, é comum identificarmos resistência por parte do produtor em modificar o sistema produtivo tradicional, fortemente baseado em práticas herdadas de pais e avós - explicou.

A especialista advertiu que a negligência em relação à biometria periódica compromete diretamente a viabilidade econômica do negócio.

- A pesagem e medição amostral constituem o instrumento mais eficaz para monitorar o ganho de peso e o desenvolvimento do lote, mas essa prática ainda é deixada em segundo plano na maioria das propriedades - criticou.

Na sequência, a pesquisadora Ana Paula Oeda, da Embrapa, compartilhou os resultados de um diagnóstico realizado em três pequenas propriedades de Porto Nacional. Os dados revelaram inconformidades estruturais crônicas: taxa de crescimento dos peixes abaixo da curva ideal, índices de produtividade insatisfatórios, baixa eficiência na conversão alimentar e transparência excessiva da água — sintoma claro de ausência de adubação e calagem adequadas.

Sob a ótica da gestão financeira, a economista e pesquisadora da Embrapa, Andrea Munoz, reforçou a necessidade indispensável de o produtor registrar minuciosamente todos os custos operacionais da atividade, incluindo despesas com energia elétrica, aquisição de alevinos, combustíveis e insumos diversos.

Impactos econômicos do manejo inadequado

A abordagem técnica da pesquisadora Adriana Lima, também da Embrapa, concentrou-se nas falhas de engenharia e manejo biológico nos viveiros familiares. Entre os principais problemas listados estão a fertilização incorreta da água, a falta de desinfecção e preparo dos tanques antes do povoamento, e a persistência no sistema monofásico — modalidade em que o ciclo completo, desde a alevinagem até a despesca, ocorre em um único reservatório.

- A correta preparação e adubação dos viveiros interfere drasticamente no custo final da produção. Em ambientes com fertilização adequada, o plâncton nativo responde por 39% do crescimento do peixe, restando à ração comercial o complemento de 61%. Já em tanques sem o manejo de nutrientes, a dependência da ração salta para 89%, o que encarece severamente a atividade -  detalhou Adriana.

No campo da comercialização, o pesquisador Manoel Pedroza, da Embrapa, mapeou os canais de escoamento tradicionais acessíveis ao produtor, destacando a atuação de atravessadores, frigoríficos, venda direta ao consumidor, redes de supermercados e os mercados institucionais. Pedroza ressaltou que nichos altamente lucrativos, a exemplo de pesque-pagues e o mercado de exportação, permanecem subexplorados pela base familiar.

Relato de campo: conquistas e ameaças biológicas

A piscicultora Marinalva Moura, que conduz sua produção no Parque Aquícola de Sucupira, compartilhou sua trajetória com o público, evidenciando as barreiras comerciais impostas pela burocracia.

- A ausência de um selo de inspeção sanitária oficial continua sendo meu principal entrave, pois bloqueia o acesso aos canais formais de distribuição e grandes mercados - desabafou.

Como alternativa comercial para garantir o negócio, a produtora estruturou um sistema de venda direta, realizando entregas domiciliares e comercializando em feiras livres da região.

- Alcanço um volume de uma tonelada por ciclo e consigo comercializar toda a produção de espécies como tilápia (em filé e inteira), piau, pintado e tambaqui. O consumidor valoriza o frescor e a qualidade do peixe. Com o selo de inspeção, o potencial de crescimento seria muito maior - observou.

Marinalva enfatizou o orgulho de consolidar sua empresa familiar contando apenas com o trabalho do marido e com a assistência técnica da Embrapa e de órgãos locais de extensão rural.

- Apoiar-me na ciência e no suporte técnico foi o diferencial para superar as dificuldades do início - afirmou.

Atualmente, além das restrições sanitárias, a produtora enfrenta uma grave crise biológica em sua estrutura: a infestação por mexilhão-dourado. A praga fixou-se nas telas dos seus 22 tanques-rede, obstruindo o fluxo de água e prejudicando a oxigenação e o crescimento dos peixes.

- Essa espécie invasora, provavelmente trazida por água de lastro de embarcações, está me obrigando a reduzir o alojamento de peixes para evitar perdas maiores - relatou.

Desafios no pós-colheita e processamento

O encerramento dos debates abordou as exigências higienico-sanitárias no processamento da carne. O pesquisador Leandro Kanamaru, da Embrapa, exibiu registros fotográficos de inconformidades críticas identificadas em unidades de abate. Entre os problemas visuais detalhados estavam o acondicionamento térmico deficitário (peixes com quantidade insuficiente de gelo), abate inadequado com sinais de estresse severo durante a evisceração — identificável pela retração ocular do animal —, além de falhas graves na higienização de esteiras rolantes e a presença irregular de animais domésticos nas áreas de manipulação.

- A manutenção da cadeia do frio é inegociável a partir do momento em que o peixe é retirado da água. O transporte deve ocorrer sob densas camadas de gelo e as instalações precisam cumprir rigorosamente as boas práticas de fabricação. Trata-se de uma proteína altamente perecível, e qualquer desvio técnico acelera o processo de deterioração e compromete a segurança alimentar - concluiu Kanamaru.

 

#Publicação simultânea com o site Piscishow e Avisuleite.

 

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