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ENTREVISTA ][ Amanda Sobreira: "Palmas é o centro da articulação do MATOPIBA"
Data de Publicação: 24 de abril de 2026 14:16:00 Secretária extraordinária detalha como a capital do Tocantins assume a liderança política para integrar agronegócio, inclusão social e sustentabilidade.
Resumo
Em entrevista, Amanda Sobreira explica a criação da pasta dedicada ao MATOPIBA e reforça o papel de Palmas como polo coordenador. A secretária defende um modelo de desenvolvimento que une a força das safras recordes à justiça social, buscando transformar diretrizes institucionais em resultados reais.
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Amanda Sobreira, secretário extraordinária
para o MATOPIBA (Foto: Acervo pessoal)
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Por Antônio Oliveira
O MATOPIBA consolidou sua posição como a principal fronteira agrícola de expansão no mundo. Composto por áreas de Cerrado do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a região se tornou um pilar estratégico para a balança comercial brasileira, impulsionada por safras recordes de soja, milho e algodão. A combinação de topografia favorável à mecanização e uma logística eficiente — conectada ao Porto do Itaqui e à Ferrovia Norte-Sul — deu ao "Arco Norte" uma vantagem competitiva inédita sobre os portos tradicionais do Sul.
No entanto, a condição de "Eldorado" moderno carrega um custo elevado. O crescimento acelerado provocou um inchaço urbano desordenado em polos como Luís Eduardo Magalhães (BA) e Balsas (MA), sobrecarregando serviços básicos de saúde e saneamento.
Para responder a essa complexidade, o Governo Federal institucionalizou a região, com vista a criação de uma Agência MATOPIBA intensificando suas operações através do Plano de Desenvolvimento Agropecuário (PDA). O foco é triplo: promover a ascensão de pequenos produtores à classe média rural, garantir infraestrutura sustentável e implementar um ordenamento territorial rigoroso que mire o desmatamento zero até 2030, mediando as históricas disputas por terra na região.
O município de Palmas, capital do Tocantins, por estar no centro geodésico da região, recebe o título de “Capital do MATOPIBA” e ganha, inclusive uma Secretaria Municipal Extraordinária voltada para a região.
Para entender como Palmas pode contribuir no desenvolvimento da região, conversamos com a secretária extraordinária do MATOPIBA, Amanda Sobreira.
Segue a entrevista.
Antônio Oliveira – Quais foram as justificativas da atual administração municipal de Palmas para a criação de uma secretaria voltada à região do MATOPIBA?
Amanda Sobreira – A criação da Secretaria Extraordinária do MATOPIBA decorre de uma estratégia de integração regional e fortalecimento da governança dessa política pública. Essa decisão foi consolidada a partir de reunião realizada em 10 de junho de 2025, em Brasília, com a participação do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, do Ministério da Agricultura e Pecuária, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, além dos governos estaduais do MATOPIBA e lideranças políticas, como o Prefeito Eduardo Siqueira, a senadora Dorinha , o vereador Carlos Amastha quando se evidenciou a necessidade de um polo coordenador para dar efetividade às ações na região. Nesse contexto, o prefeito Eduardo Siqueira defendeu Palmas como centro dessa articulação, com base em critérios técnicos como sua posição geográfica, capacidade institucional e vocação logística.
Antônio Oliveira – Quais objetivos práticos norteiam a atuação desta secretaria?
Amanda Sobreira - A Secretaria nasce com um objetivo muito claro, que é transformar o MATOPIBA de uma diretriz institucional em resultados concretos no território. Em primeiro lugar, nós atuamos na institucionalização dessa agenda, estruturando sua governança e posicionando Palmas como um centro de articulação entre União, estados e municípios, garantindo que as políticas públicas cheguem de forma integrada e efetiva à região. Ao mesmo tempo, trabalhamos para impulsionar um modelo de desenvolvimento que integre crescimento econômico com inclusão social, valorização cultural e sustentabilidade, fortalecendo as cadeias produtivas, atraindo investimentos e ampliando a competitividade da região por meio da logística e da inovação, para que esse desenvolvimento seja, de fato, compartilhado. Também avançamos na articulação nacional, com atuação junto ao Congresso para a criação da Frente Parlamentar do MATOPIBA e a defesa do reconhecimento da região como Região Integrada de Desenvolvimento.
Antônio Oliveira – A região do MATOPIBA foi institucionalizada considerando seu crescimento acelerado, porém desorganizado, o que gerou problemas sociais decorrentes da migração. Em função disso, criou-se a Agência de Desenvolvimento do MATOPIBA, que visa, principalmente, desenvolver políticas públicas de apoio às questões sociais e ao pequeno agricultor, sobretudo nos polos agrícolas — como Barreiras e Luís Eduardo Magalhães (BA), Uruçuí e Bom Jesus (PI), Balsas (MA), e Pedro Afonso e Campos Lindos (TO). De que forma o município de Palmas, por meio da Secretaria Extraordinária do MATOPIBA, pode contribuir para a melhoria deste contexto?
"O MATOPIBA será tão grande quanto a nossa determinação em torná-lo uma referência de desenvolvimento para o país."
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Amanda Sobreira em encontro com o vice-presidente
da República, Geraldo alkmin (Foto: Acervo pessoal)
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Amanda Sobreira - É importante esclarecer que não houve a criação de uma Agência de Desenvolvimento do MATOPIBA. Existem dois decretos federais que estruturam a regulamentação da região como a última fronteira agrícola do país. O MATOPIBA foi inicialmente instituído pelo Decreto nº 8.447, de 2015, no âmbito do Ministério da Agricultura, com uma perspectiva predominantemente voltada à organização da atividade agrícola. Esse arranjo foi posteriormente revogado em 2020 e reestruturado pelo Decreto nº 11.767, de 2023. O que o prefeito Eduardo Siqueira propõe, por meio da Secretaria Extraordinária do MATOPIBA, é justamente ampliar e executar essa visão. Trata-se de pensar o MATOPIBA em sua real dimensão como um território complexo, que envolve economia, justiça social, cultura e qualidade de vida. Isso significa reconhecer a importância dos grandes produtores para o desenvolvimento econômico, mas também incorporar de forma efetiva os pequenos agricultores, as comunidades tradicionais e a população urbana impactada por esse crescimento, tendo Palmas como município focal dessa integração.
Antônio Oliveira – Situada estrategicamente no centro do MATOPIBA, Palmas recebeu o título de 'Capital do MATOPIBA', oficializando essa posição com a criação de uma secretaria extraordinária. No entanto, durante a gestão passada, o município perdeu esse protagonismo para Luís Eduardo Magalhães, que também possui localização estratégica e se consolidou como o maior polo de agronegócio da região. Diante disso, as administrações de Palmas e de Luís Eduardo Magalhães já se reuniram para discutir essa pauta?
Amanda Sobreira - Palmas não perdeu protagonismo para nenhum município. O que ocorre é que a institucionalização desse papel se deu agora, no final de 2025, com a criação da Secretaria Extraordinária do MATOPIBA, consolidando formalmente uma posição que já é estratégica do ponto de vista geográfico, político e institucional. Luís Eduardo Magalhães, assim como outros municípios relevantes da região, exerce um papel fundamental na produção agrícola e no desenvolvimento do agronegócio, como podemos citar também Balsas, no Maranhão, Santa Filomena, no Piauí, Barreiras, na Bahia, além de importantes polos produtivos no Tocantins como Porto Nacional e Pedro Afonso. Cada um desses municípios contribui de forma significativa para a dinâmica econômica do MATOPIBA. No entanto, é importante destacar que não se trata de uma relação de competição ou qualquer usurpação de competências, mas sim um esforço conjunto e complementar entre os municípios do MATOPIBA.
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Amanda Sobreira em despacho com o prefeito Eduardo Siqueira
e o ex-secreátrio da pasta, Carlos Amastha (Foto: Secom/Palmas)
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Antônio Oliveira – Convenhamos — e assim eu entendo — que seu antecessor, o ex-prefeito Carlos Amastha, via a pasta apenas como um meio de buscar investimentos para Palmas e o Tocantins. É evidente que isso é válido, e o município deve aproveitar o interesse do capital nacional e internacional pelo MATOPIBA para atrair investidores. Este trabalho deve continuar, acredito. Como a senhora pretende tratar essa questão daqui em diante?
Amanda Sobreira – Eu não concordo que o ex-prefeito Carlos Amastha via a pauta apenas como um instrumento de atração de investimentos. Evidentemente, essa sempre foi uma dimensão importante, e continua sendo, porque o MATOPIBA desperta interesse nacional e internacional, e Palmas deve, sim, aproveitar essa janela de oportunidades. Amastha deixou um trabalho consistente e expressivo, fiel ao seu estilo de atuação. Um exemplo concreto disso foi a articulação que realizamos com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, liderado pelo ministro Wellington Dias, que se consolidou como um dos principais parceiros institucionais, reforçando que essa agenda vai muito além do eixo econômico e da atração de investimentos. A minha missão como secretária é dar continuidade a esse processo de desenvolvimento do MATOPIBA, que, naturalmente, seguirá avançando na consolidação desses objetivos. Trata-se de uma construção coletiva, desenvolvida desde o início a muitas mãos, com uma condução arrojada do prefeito Eduardo Siqueira, e com o compromisso permanente de ampliar essa agenda e garantir que ela produza resultados concretos para o povo.
Antônio Oliveira – Agradeço por esta entrevista e lhe ofereço mais tempo e espaço para quaisquer considerações que a senhora queira acrescentar.
Amanda Sobreira - Agradeço a oportunidade e reafirmo que o MATOPIBA será tão grande quanto a nossa determinação em torná-lo uma referência de desenvolvimento para o país.
Amanda Sobreira, Entrevista, Palmas, MATOPIBA, Governança, Desenvolvimento Regional.
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