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ENTREVISTA ][ O motor do progresso: Araguaína e as múltiplas facetas do desenvolvimento na visão de Joaquim Quinta Neto
Data de Publicação: 23 de setembro de 2025 11:26:00 Araguaína, no norte do Tocantins, é um caldeirão de oportunidades onde agronegócio, turismo e inovação se encontram. Uma conversa exclusiva com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Agricultura, Meio Ambiente e Turismo revela como a gestão pública equilibra essas forças para impulsionar o crescimento.
Por Antônio Oliveira
Gerir as políticas de desenvolvimento econômico, agropecuário, meio ambiente e turismo em uma única pasta pode parecer um desafio colossal. No entanto, para o secretário municipal, essa integração é a chave para o sucesso. Em uma entrevista reveladora, ele explica como esses setores, aparentemente distintos, se complementam e criam um ambiente propício para o crescimento de Araguaína.
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Joaquim Quinta Neto secretário de
Desenvolvimento Econômio Agricultura,
Turismoe Meio Ambiente de Araguaína
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Cerrado Rural Agronegócios (CRA): Como é gerir, em nível municipal, as políticas públicas de desenvolvimento econômico, agropecuário, meio ambiente e turismo? Não é muito para uma só pasta?
Joaquim Quinta Neto: Eu acho que são matérias complementares. Quando você fala em desenvolvimento econômico, não tem como não falar de indústria e comércio, agricultura, turismo e meio ambiente. São temas e ações que se fazem presentes no dia a dia de quem busca o desenvolvimento, seja ele empreendedor, empresário, comerciário ou produtor rural. Por serem tão complementares, vemos com naturalidade a união dessas quatro pastas. É um grande desafio, mas contamos com o apoio do nosso prefeito Wagner Rodrigues, com o empenho dos nossos colegas secretários, com a sociedade, que é sempre muito participativa, e com a nossa equipe, formada por profissionais comprometidos e com vontade de ajudar Araguaína.
CRA: Ainda há quem pense que meio ambiente e agropecuária ou agronegócio são duas áreas antagônicas. Você sente isso na prática?
Joaquim Quinta Neto: O que vejo na prática é que são áreas também complementares. O produtor rural está muito consciente em relação às questões ambientais. Ele sabe que um meio ambiente equilibrado promove as condições ideais para ele potencializar sua atividade econômica, como água e clima. Além disso, a sustentabilidade agrega valor ao seu produto e permite acessar novos mercados. Hoje, há um mercado consumidor global que busca exatamente esse tipo de produto, produzido de forma sustentável e ambientalmente adequada. É claro que existem desafios e pontos de divergência, que são tratados com seriedade e respeito. No entanto, o que mais acontece é a discussão de pontos de convergência, pois há muitos interesses em comum entre a produção de alimentos e o meio ambiente. É nisso que focamos aqui em Araguaína.
CRA: Como você concilia o desenvolvimento econômico, que inclui o turismo, com o desenvolvimento da agricultura e da pecuária, tanto empresarial quanto familiar?
"O homem do campo hoje tem uma relação muito próxima com o meio ambiente."
Joaquim Quinta Neto: A conciliação é muito natural. O turismo é um dos elementos que compõem nossa agenda de desenvolvimento econômico, assim como a agricultura, a pecuária e as iniciativas empresariais. Em Araguaína, temos mais de 22 mil CNPJs, e quase 90% são pequenos negócios, como MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte. O que oferecemos a eles é um ambiente de negócios desburocratizado e de baixo custo, que permita que se tornem mais competitivos, gerem mais empregos, ganhem mais dinheiro e prosperem. Isso vale para o empresário do turismo, do agronegócio, da indústria, do comércio e dos serviços.
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Araguaina tem uma abrangência regional econômica
muito grande (Reprodução: Antônio Oliveira)
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CRA: Qual o potencial de Araguaína para os diversos tipos de turismo e quais são as políticas públicas para essa área?
Joaquim Quinta Neto: Araguaína tem vários tipos de turismo que ocorrem de forma frequente. Temos o turismo de compras, de saúde, de educação, de negócios e o turismo da experiência, que está em ascensão. Este último, da paisagem, do meio ambiente, da praia, da serra, está em pleno descobrimento. O interior do Brasil está sendo descoberto pelas grandes cidades. E, com a volta dos voos regulares (em Araguaína), teremos a oportunidade de desenvolver o turismo de eventos. Com o Centro de Convenções começando a operar em outubro, tenho certeza de que Araguaína será um grande polo de eventos da região Norte.
CRA: Qual tem sido o peso econômico e social do lago e da orla/Via Lago para o município e a região?
Joaquim Quinta Neto: A região da Via Lago, quando falamos dela, temos que considerar o Centro de Convenções, o calçadão, a prainha, o Centro Poliesportivo Pedro Quaresma e o Centro de Canoagem. São cinco equipamentos públicos, além do shopping e de um forte ambiente de negócios que se desenvolve pela iniciativa privada. Para cada um desses equipamentos, estamos lançando planos de governança, que são as regras e os regimentos que nortearão as operações. Estamos trazendo governança para essa região, que é, disparadamente, a mais turística de Araguaína. É o nosso grande cartão-postal. Buscamos profissionalizar a atuação dos nossos permissionários para que eles consigam ganhar seu dinheiro, promover o desenvolvimento econômico e preencher essa grande obra, tão bonita e querida por todos.
CRA: Araguaína e sua região, antes voltadas para a pecuária de corte, têm assistido a uma grande diversificação no campo nos últimos anos. A agricultura tem entrado com força. Como a gestão atual está acompanhando essa mudança?
Joaquim Quinta Neto: Araguaína é uma das cidades mais importantes do MATOPIBA, considerada uma das últimas grandes fronteiras de produção de alimentos do mundo. Com o título merecido de capital econômica do Tocantins uma das mais importantes do MATOPIBA, e de capital do boi gordo, a cidade agora vê a produção de grãos, como soja, milho e, em breve, algodão, chegando com muita força. Vamos experimentar um período de forte desenvolvimento, de grandes oportunidades e de franco crescimento econômico e social. A grande vocação de Araguaína e do MATOPIBA é a produção de alimentos, e isso vai gerar cada vez mais chances e riqueza para a nossa região.
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Prainha do Lago: ponto de encontro e lazer da
sociedade local e regional (Foto: Antônio Oliveira)
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CRA: Convenhamos que esse contexto tem gerado muitos empregos no município. No entanto, há um problema: a qualificação da mão de obra. Como a gestão atual tem respondido a essas demandas?
Joaquim Quinta Neto: Excelente pergunta. Temos parceiros estratégicos quando falamos de talento. Em Araguaína, temos a oportunidade de estarmos no lugar certo, na hora certa. O que precisamos agora é formar os profissionais certos. E como conseguimos isso? Aproximando-nos dos estudantes das universidades e do IFTO, que é um excelente parceiro. Essa nova geração está chegando com as competências exigidas pelo mercado, como comunicação em tempo real e inovação. A pecuária precisa se digitalizar, e é aí que entra toda essa questão da mão de obra. O IFTO, por exemplo, é um grande celeiro de formação de mão de obra especializada para o MATOPIBA. Temos universidades como a UFNT, o Unitpac, a Facit e a Unopar, que entregam anualmente muitos profissionais prontos para o mercado de trabalho. Vemos uma grande preocupação dessas instituições em vincular sua grade curricular às demandas que surgem. Tenho muita esperança e otimismo de que a qualificação não será um problema. Além disso, abrimos campo para profissionais já estabelecidos que queiram vir para Araguaína e empreender.
"Araguaína vai se consolidar cada vez mais como um grande celeiro de bons negócios e de oportunidade."
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A Via Lago é um dos cartões postais
de Araguaína (Foto: Antônio Oliveira)
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CRA: Como a gestão atual tem respondido às demandas do agronegócio empresarial que, embora mais independente do poder público, ainda cobra políticas públicas para o seu desenvolvimento?
Joaquim Quinta Neto: Quando olhamos para a demografia do MATOPIBA e de Araguaína, o que predomina são os pequenos produtores. Eles têm uma rede de necessidades já conhecidas pelo poder público, e atuamos frequentemente com ações de aquisição de alimentos, compra direta, calagem, recuperação de áreas degradadas e fornecimento de insumos e sementes. Quando tratamos da indústria, a agenda é outra. A indústria precisa de agilidade e competitividade, pois lida com o mercado externo. Em Araguaína, a maioria das plantas exporta para fora do país, o que mostra nossa eficiência. As demandas da indústria são muito peculiares. Buscamos atender a cada uma de forma uniforme e eficiente, para que nem a indústria nem o pequeno produtor vejam o poder público como um empecilho, mas sim como um grande parceiro que os ajudará a impulsionar a riqueza da nossa região.
CRA: E para a agricultura familiar, sobretudo para os assentamentos da reforma agrária?
Joaquim Quinta Neto: Em Araguaína, temos cerca de 2 mil estabelecimentos agropecuários. Mais da metade são pequenas propriedades e agricultores familiares. Trabalhamos muito o associativismo e fortalecemos a relação com as associações. Temos nossos programas de aquisição de alimentos da agricultura familiar, como o Compra Direta, que ano após ano bate recorde de comercialização e, neste ano, vai retomar a operação com o governo federal, o que trará mais recursos. Além disso, estamos com um programa de recuperação de estradas e pontes, e as escolas da zona rural foram reformadas. O que queremos é dar oportunidades para as famílias do campo. Muitas vezes, os pais fazem sacrifícios para que os filhos estudem na cidade em busca de melhores oportunidades de vida. O que precisamos fazer é que esses jovens entendam que, com as novas oportunidades econômicas, é vantajoso para eles voltarem para o campo, pois é lá que encontrarão grandes chances de empreendedorismo e desenvolvimento.
Araguaína, desenvolvimento econômico, agronegócio, turismo, meio ambiente, Matopiba, agricultura familiar, qualificação profissional, Via Lago.
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