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ENTREVISTA I José Jorge Neves: “O setor é unânime na defesa para que a gestão da pesca não seja compartilhada”

ENTREVISTA I José Jorge Neves: “O setor é unânime na defesa para que a gestão da pesca não seja compartilhada”

Data de Publicação: 9 de dezembro de 2022 15:54:00 Após sete anos na gestão do maior sindicato patronal de pesca industrial e armadores – o SINDIPI -, Jorge Neves passa o cargo para seu colega Agnaldo Hilton. Em entrevista ao COFARMNEWS, ele faz um balanço de sua gestão e opina sobre o atual panorama da pesca no Brasil #josé jorge neves #sindipi #sucessão no sindipi #entrevista

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José Jorge Neve, presidente do SINDIPI (Foto: Ascom/SINDIPI)

 

Por Antônio Oliveira

O Sindicato dos Armadores e da Indústria de Pesca de Itajaí e Região (SINDIPI) elegeu, por aclamação, no último dia 21 de novembro, sua nova diretoria. Agnaldo Hilton dos Santos assume a presidência no lugar de Jorge Neves, que esteve à frente da instituição nos últimos sete anos

- Estou entregando uma casa enxuta, com nome respeitado, tudo com absoluta transparência e desejo sucesso ao novo presidente - afirmou Jorge Neves, ao término do processo eleitoral classista. 

Em entrevista exclusiva ao CONFARMNEWS, o líder sindical faz um balanço de sua gestão, opina sobre a recriação do Ministério da Pesca ou a manutenção do setor no Ministério da Agricultura e lamenta o tratamento que a pesca vem recebendo dos últimos governos.

- O setor é unânime na defesa para que a gestão da pesca não seja compartilhada. Acredito que não adianta a criação de um novo ministério sem recursos. Mas a pesca precisa de gestão e fomento, algo que também não ocorreu enquanto tivemos secretaria – diz Neves.

Leia abaixo a nossa conversa com o armador (proprietário de barcos de pesca).

 

Centro-Oeste Farm News (COFARMNEWS) -  Como se deu o processo eleitoral no Sindicato?

José Jorge Neves - A eleição ocorreu por aclamação, com apenas uma chapa concorrendo ao pleito. O novo presidente é um armador atuante e eu seguirei como secretário da instituição, sempre atuando em prol do “Povo das Águas”.

COFARMNEWS - Qual o balanço que o senhor faz de sua gestão no SINDIPI?

José  Jorge Neves - No início foi difícil, pois assumi de maneira inesperada. Mas fui aprendendo com o tempo. Foram muitos desafios, que se intensificaram por conta da troca constante de gestão da pesca. Ainda assim, faço um balanço positivo. Colocamos as contas em ordem, trabalhamos em melhorias na sede da instituição, realizamos uma gestão transparente e resgatamos a confiança e credibilidade junto aos associados.

COFARMNEWS - Qual o legado de trabalho que o senhor deixa para o seu sucessor?

José Jorge Neves - Acredito que o principal deles é a continuidade do investimento em pesquisa e a credibilidade da instituição. São marcas que ultrapassam os anos e beneficiam todo o setor.

COFARMNEWSO que o senhor relacionaria como vitórias e derrotas durante sua gestão?

José  Jorge Neves - Por mais que nos esforcemos, nunca vamos conseguir ser 100% perfeitos em tudo. Impossível. Mas tenho certeza de que dediquei 100% dos meus esforços ao SINDIPI e ao “Povo das Águas”. Desde 2014 o governo federal não cumpre o que está previsto na lei e não honra mais o pagamento dos subsídios do óleo diesel, o que afeta sobremaneira a pesca industrial brasileira. Apesar de todos os nossos esforços, essa questão segue na justiça e ainda não conseguimos revertê-la. Penso que este ponto seja algo que ainda precisamos de uma vitória. Mas a avaliação que faço desses últimos sete anos é muito positiva e o SINDIPI tem hoje espaço de fala, com credibilidade e confiança. Talvez essa tenha sido a nossa principal conquista.

COFARMNEWSQue visão o senhor tem do atual panorama da pesca industrial brasileira?

José Jorge Neves - Apesar da importância do setor, que emprega centenas de milhares de pessoas em todo o Brasil, infelizmente, a pesca não tem a gestão que merece. E esse problema não é de hoje. Falta investimento e fomento e sobra burocracia e falta de diálogo. Um exemplo são as restrições que nos são impostas sem que o setor seja ouvido. É necessário ter o cuidado com o meio ambiente, até para garantir o futuro da pesca, mas não podemos esquecer que além do pilar ambiental, também precisamos estar atentos ao econômico e social.

COFARMNEWSQual é a sua opinião sobre as discussões em torno da pesca e aquicultura neste momento de transição político-administrativo do país. O senhor acha que estes dois setores devem ficar no Mapa ou que o Ministério da Pesca seja recriado?

José Jorge Neves - O setor é unânime na defesa para que a gestão da pesca não seja compartilhada. Acredito que não adianta a criação de um novo ministério sem recursos. Mas a pesca precisa de gestão e fomento, algo que também não ocorreu enquanto tivemos secretaria. Por que não temos linhas de crédito como o agro, por exemplo? Somos um setor produtivo que ainda carece de políticas públicas mais eficientes. Acredito que há espaço e mercado para o crescimento da pesca e da aquicultura. O que não podemos aceitar é o fomento à uma atividade em detrimento de outra.

COFARMNEWSQue expectativa o senhor tem do próximo governo no que diz respeito a pesca e a aquicultura brasileiras?

José Jorge Neves - O SINDIPI foi procurado pelo grupo de transição do novo governo para apresentar um diagnóstico e as principais demandas e assim o fizemos. Busco ser otimista e esperar coisas boas. Mas independente disso, vamos seguir cobrando e lutando pela pesca industrial brasileira. Uma coisa é certa: há muito a ser feito para melhorar a situação da pesca no Brasil.

COFARMNEWSE sobre o sindicalismo patronal?

José Jorge Neves - Hoje o SINDIPI é a maior instituição sindical patronal do Brasil. Penso que quanto mais o setor estiver unido, mais forte será.

 

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