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ESPECIAL - O mundo superlativo da pesca e aquicultura na CEAGESP
Data de Publicação: 31 de outubro de 2022 14:12:00 Os números impressionam, mas há, ainda, uma lacuna muito grande a ser preenchida na oferta de pescados. A convite e guiado pela Francal Feiras e Seafood Show, COFARMNEWS visitou o FRISP, um dos maiores comércios de peixes e frutos do mar da América Latina #pesca e aquicultura #pescados #vendas de pescados #ceagesp #frisp #luis palmeira #seafood show #press trip
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Feira dos pescados começa a uma hora da madrugada
(Foto: Antônio Oliveira/Confarnews)
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Por Antônio Oliveira
A região metropolitana da capital paulista (RMSP), com seus 38 municípios e quase 22 milhões de habitantes nos seus 8.051 km², é, conforme estudo do Instituto de Pesca (IP), entidade do complexo da Agência Paulista de Tecnologias dos Agronegócios (APTA), vinculada à Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, o maior centro consumidor de pescado do Brasil.
Quarto maior aglomerado urbano do mundo, é o responsável por 13% do consumo nacional de pescados. Ou seja, de um consumo de R$ 392 milhões de pescados frescos por mês, o que equivale a R$ 4,7 bilhões por o ano, a RMSP, responde por um consumo mensal de R$ 50 milhões de pescados por mês, o que equivale a R$ 592 milhões por ano, conforme informações mais recentes da Associação Paulista de Supermercados (APAS), com base em informações do IBGE.
Este repórter/editor integrou um grupo de jornalistas e influenciadores digitais voltados para a pesca e aquicultura formado a convite da Francal Feiras e da Seafood Brasil (plataformas de comunicação de pescados), promotoras da feira Seafood Show Latin América, que ocorreu na capital paulista entre os dias 17 e 19 de outubro últimos. Foi proporcionado aos comunicadores visitas (press trip) a empreendimentos voltados para o pescado. A primeira visita foi à Eden Farm, em Jaguariúna, no interior de São Paulo (clique aqui para ler reportagem sobre uma fazenda de produção de camarão de água salgada em águas continentais). A segunda visita, na segunda-feira, 17, foi a CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo).
Saímos do hotel por volta das 3 horas da madrugada, chegando a este mega entreposto meia hora depois, quando o movimento de compradores de pescados começa a cair – inicia-se por volta de 1 hora. Lá fomos recebidos por Sandro Maroneze, gerente do Frigorífico São Paulo (FRISP) (feira de pescados); Welington Gonzaga, da assessoria de comunicação da CEAGESP; Leandro Ribeiro, veterinário no FRISP e pelo empresário do ramo de pescados, permissionário da companhia, Luís Palmeira.
Foi, para nós profissionais dedicados a pesca e aquicultura, uma espécie de pós-graduação. Eu nunca tinha visto tanta diversidade de peixes de água doce e de água salgada. Numa área total de 27 mil metros quadrados, são disponibilizados 94 espécies entre peixes, crustáceos e mariscos. 60% desses peixes são de água salgada; os de cultivo, 28% e os importados,12%.
Também nunca tinha visto tanto trabalho braçal e intelectual em torno do pescado. “Coisa de louco”, como diríamos numa linguagem da cultura popular. Na linguagem técnica, poderia dizer “a força do pescado”. São 84 permissionários, dos quais 16 são vendedores de gelo e aproximados 50 carregadores autônomos – saí da frente, que eles têm pressa e os carrinhos não têm freios.
A CEAGSP é a maior de sua categoria em toda a América Latina; a terceira maior do mundo. É, ainda, a que mais fornece pescado para a RMSP.
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A diversidade de pescados é muito grande (
Foto: Antônio Oliveira/COFARMNEWS)
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Os números em torno do fornecimento e consumo de pescado são impressionantes e mostram tanto a força dos produtos das águas, quanto o longo caminho que os setores de pesca e aquicultura tem, ainda, a percorrer para atender demandas. Conforme a companhia de administração federal, até setembro deste ano, o setor de pescado da CEAGESP, comercializou 36.822,55 toneladas de pescado. Demais vendas – na média - dos últimos 6 anos: 2017, 43.233,42 toneladas (t); 2018, 39.979,60 t; 2019, 40.624,81 t; 2020, 38,931,19 t e 2021, 43.039,62 t.
Vejamos a comercialização mês a mês neste ano, até setembro: janeiro, 3.577,81 t; fevereiro, 3.832,36 t; março, 5.136,04 t; abril, 5.267,47 t – veja bem que antes e durante a Semana Santa o consumo cresce muito em relação aos outros meses -; maio, 3.564, 16 t; junho, 3.728,86 t; julho, 3.950,48 t; agosto, 3.951,30 t; setembro, 3.814,06 t.
Tilápia lidera
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A tilápia, inteira ou em filê, lidera as vendas de peixes de
água doce e de água salgada
(Foto: Antônio Oliveira/COFARMNEWS)
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Entre crustáceos, peixes de água doce e de água salgada, a tilápia lidera as vendas na CEAGESP. Até setembro passado, a espécie representou 23,3% dos dez peixes mais vendidos no entreposto, o equivale a 8.593,19 t. Em seguida, pela ordem crescente, estão a pescada com 14,5% = 5.350,90 t; sardinha, com 12,1% = 4.461,76 = 12,1%; camarão, 7,9% = 2.902,18 t; corvina, 6,6% = 2.424,58 t; cavalinha, 5,2% = 1.898,24 t; salmão, 3,5% = 1.303,47 t; cação, 3,3% = 1.221,60 t; peroá, 3,0% =1.105,87 t e a tainha 1,8% = 673,47 t.
Ainda conforme a CEAGESP, os dez maiores fornecedores de pescados e frutos do mar para os permissionários do entreposto são, pela ordem: Itajaí (SC), Belém (PA), Itaguaí (RJ), Rio Grande (RS), Igaraçu do Tietê (SP), Angra dos Reis (RJ), Chile, Santa Clara do Oeste,(São Paulo), transferência capital e Grande São Paulo e Riolândia (SP).
Procura por nativos
Eu questionei à alguns permissionários de pescados das duas grandes pedras pesqueira da CEAGESP sobre a procura por peixes nativos como o tambaqui e pirarucu. Segundo eles, há procura, porém não há oferta, por falta de produção/fornecimento e logística de estados produtores – geralmente da região Norte.
Maior consumidor de bacalhau
Eu tive acesso a um estudo que revela os números da pesca e da aquicultura na Grande São Paulo. Ele é do IP, não muito recente, mas que nos dá a dimensão destes dois setores correlatos. Entre outras, ele revela que o volume de pescado comercializado na CEAGESP vem sofrendo queda na última década, embora ainda hoje seja considerada pelos comerciantes como um dos principais fornecedores de pescado na RMSP. O estado de São Paulo absorve 52% das exportações brasileiras de bacalhau norueguês; 64% de salmão chileno e 49% de filé de merluza congelado, vindo da Argentina
A órbita do pescado na RMSP
Ainda conforme o estudo do IP, a Grande São Paulo tem mais de 20 milhões de habitantes; possui 12.500 restaurantes, com 52 tipos de cozinhas; 250 restaurantes japoneses e 15 mil bares. O consumo per capta de pescados na região é de 15,1kg.
Esse mesmo estudo revela, em visita dos técnicos do IP a 90 feiras livres da região, constatou-se que o volume comercializado por feirante varia de 50 a 200 quilos/dia. Já nos sacolões e mercados, o volume comercializado varia de acordo com a região, de 200 a 20.000 quilos por mês. Em torno de 72% das quase 60 peixarias da região adquirem pescado no Ceagesp. As demais diretamente de distribuidores.
Não só de número é feito o FRISP
Entre compradores dos mais diversos segmentos da cadeia dos pescados, figuram os permissionários com empresas instaladas na área do FRISP e os pequenos vendedores que expõem seus pescados em duas pedras (galpões de venda). Gente com até 40 anos de vida dedicada à venda de peixes e frutos do mar.
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Luís Palmeira começou prestando serviços para empresas do CEAGESP.
Hoje tem três frigoríficos de pescados (Antônio Oliveira/COFARMNEWES)
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Eu conversei com o simpático empresário Luís Antônio de Sousa Palmeira que, em 1990, começou quase do zero a sua processadora de pescados, a New Fish, após anos de serviços prestados à permissionários da CEAGESP.
- O pescado tem um grande significado para mim. Foi onde eu comecei como empregado, administrando algumas empresas por aqui e, depois, consegui montar a minha empresa – disse-me ele para começo de conversa.
Entre altos e baixos, a empresa sempre respondeu com crescimento. Hoje são 3 unidades: a do FRISP, que é maior e com SIF próprio; outra em Cotia (SP) e outra em Navegantes (SC). A de São Paulo tem capacidade de armazenagem de 400 toneladas, com uma fábrica de gelo com produção de mais de 100 toneladas/dia e uma frota de 19 caminhões, mais entre 20 e 30 que são agregados diariamente.
- Era para ser uma empresa bem maior, não fosse as burocracias governamentais. Eu até entendo da necessidade da organização do setor, mas o setor já vem há muitos anos trabalhando de uma forma própria e não consegue se corrigir do dia para a noite. Se exigem reformas, ampliações, do jeito deles, de uma hora para a outra, aplicando autos de infração, colocando no setor pessoas sem experiência nenhuma, recém formadas, apesar desses não serem culpados, é o que determinaram para eles. Fiscalizam empresas como se fossem policiais e a empresas e empresários, bandidos. Mas, graças a Deus, a gente está conseguindo superar isto - desabafou.
Ainda conforme Luís Palmeira, até 2015/2016 o faturamento da sua empresa era o dobro do que é hoje.
- Então, não só a minha empresa, como as demais foram muito engessadas pela burocracia e muito controle e o setor de pescados caindo muito, com a entrada de muitos clandestinos.
Para o empresário, seria muito mais prático o governo, ao invés de estar enviando fiscais “com seus autos de infração, que faça como antes, por meio do Mapa, que seja orientador, que venha para orientar a empresa como faz o Sebrae; orientar ao empresário crescer, há muitos que querem crescer. Geralmente são pessoas que não têm a expertise de administração e, hoje, a nossa frota pesqueira perde até para o Uruguai, que é um país minúsculo.”
- Nossa frota pesqueira está destruída, está depredada e o governo exige tanta coisa para renovação que, todos os donos de barcos estão falidos. Então, tem que fazer este pessoal ganhar dinheiro para ele mudar a frota; tem que dar incentivos fiscais, financiamento, capital de giro, combustível mais barato para que o pessoal se anime, porque hoje se você for olhar as feiras livres de São Paulo, elas estão acabando – desabafou.
Luís Palmeira disse ainda que antigamente os feirantes passavam seus negócios de pai para filhos.
- Hoje, não. Não está compensando trabalhar com pescado. A burocracia é tão grande que desmotiva. Um filho meu deseja continuar me sucedendo; a outra, não. E nós temos muito para crescer – concluiu, com ar de que, mesmo com tudo isto, o setor lhe realiza muito.
O empresário fez um comentário sobre a atual administração da companhia, que sempre não teve sorte em suas administrações.
- Hoje é uma empresa organizada e que dá lucro depois que o Coronel Ricardo Mello Araújo assumiu sua administração.
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| Vista aérea da Ceagesp, a maior da América Latina e a terceira maior do mundo (Foto: Cidade de São Paulo) |
De volta aos números
Localizada na zona oeste da cidade, a CEAGESP é uma cidade dentro de São Paulo. Conforme e estatal, tem os seguintes números:
Volume comercializado/ano: 3.097.895 ton; Volume financeiro/ano: R$ 9 bilhões;
Área total: 637.897,46 m²;
Área comercial (útil): 150.073,08 m²;
Área construída: 231.000,00 m²;
Área livre: 20.548,98 m² (Praça da Batata - PBCF);
Área livre: 22.358,70 m² (utilizada para Varejão, Verduras e Feira de Flores)
Galpões para comercialização: 40(Entreposto) e 7 (Pátio do Pescado); Estacionamentos: 57.023,96 m²
Lojas e salas comerciais diversas: 88 Restaurantes: 3
Lanchonetes: 7;
Quiosques de alimentação: 44
Bancos: 3 (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Santander;
Posto de combustíveis: 1
Permissionários: 2.137;
Ambulantes: 384
Carregadores autônomos: 3.641
Empregos diretos ligados à administração da CEAGESP: 547 de carreira; 24 comissionados; 46 estagiários e 11 aprendizes;
Fluxo de pessoas/dia: 47,6 mil e
Fluxo de veículos/dia: 12 mil
Galeria de fotos
Nota da Redação: Próxima reportagem desta série: visita peixaria do Carrefour Pamplona, na cidade de São Paulo, loja considerada referência para todo o grupo que tem origem na França.
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