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Neste mar de lama, Embrapa resistiu e se mantém íntegra e a Codesvasf se enlameou. É preciso ser resgatada e “higienizada”
Data de Publicação: 21 de novembro de 2022 19:22:00 Se Lula quer, mesmo, fazer um governo decente, que recoloque a Codevasf nos seus trilhos e que a tire das garras dos políticos sem compromisso com os ideais desta empresa #corrupção #desvios de objetivos #corrupção #mar de lama #embrapa #codevasf
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Codevasf no Tocantins se instala na sede da Embrapa Pesca e Aquicultura
(Foto: Antônio Oliveira)
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Por Antônio Oliveira
A população brasileira aguarda com muita expectativa a mudança da gestão Bolsonaro para a gestão Lula. Este terá muitas dificuldades no seu primeiro ano de governo, levando-se em conta o radicalismo de uma ala do bolsonarismo que não aceita a vitória do petista e, por isto, promove anarquias Brasil a fora, e, ainda, da falta de um orçamento equilibrado e distorções político-administrativas.
Neste último sábado, 19, caminhando pelo Cerrado do município de Palmas com três dos meus oito netos, uma cena chamou a minha atenção e corroborou com um fato que eu vinha pensando nestes dias de transição entre gestões e cheguei a comentar num grupo de jornalistas de agronegócio no WhatsApp: os objetivos e os rumos tomados pela Embrapa e pela Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco, Parnaíba, Araguaia e Tocantins).
A cena: na portaria da Embrapa Pesca e Aquicultura, um novo obelisco contracena com o obelisco desta unidade no Tocantins, o da Codevasf. Emblemática e me provocou a escrever este artigo, além de me fazer considerar que a atual Codevasf não é digna de contracenar com a Embrapa, não pelo corpo de seus funcionários de carreira.
A Embrapa, criada há 49 anos, tem como objetivo promover o desenvolvimento da agropecuária, por meio de pesquisas e desenvolvimento de tecnologias. A segunda, criada 1974, sucedendo a Suvale (Superintendência do Vale do São Francisco) e voltada apenas para o Vale do Rio São Francisco, que abrange vários estados, tem como objetivo promover o desenvolvimento social e econômico por meio de projetos de irrigação para o cultivo de hortifruti; revitalização da bacia do grande rio e, atualmente, para projetos de piscicultura. Em 2009, a empresa teve o vale do Parnaíba acrescentado no seu trabalho e seguiu seu curso original.
Durante os seus 49 anos, a Embrapa passou por altos e baixos e até uma tentativa de privatização num dos governos do Lula. Caso denunciado por uma organização campesina, em 2012. Aliás, a minha revista Cerrado Rural Agronegócios, o Estadão e mais outro veículo de imprensa de cujo nome eu não lembro mais, foram os únicos a denunciar esta tentativa e eu, como repórter e editor desta revista, fui até a sede da estatal, em Brasília, abordar este assunto com seu então presidente, Pedro Arrais, que procurou colocar panos quentes no caso e, após este pedir demissão de uma segunda gestão, eu voltei a Brasília para repercutir o caso com o novo presidente, Maurício Antônio Lopes (Fac-símile da capa da edição ao lado), que também procurou neutralizar a situação. Acrescente nesses altos e baixos da Embrapa a falta de orçamento condizente com as necessidades da empresa e de suas dezenas de unidades temáticas.
Contudo, a empresa e seus funcionários, da mais alta capacidade técnica e ética, resistiram e impuseram respeito à instituição, que escapou ilesa dos assédios de políticos mal intencionados; compensa seus parcos orçamentos com recursos oriundos de convênios e parcerias. Segue ética, competente e respeitável.
Quanto a Codevasf, grande responsável pelo bem-estar; geração de empregos e renda da população ribeirinha do Velho Chico e do Parnaíba e, ainda, pela revitalização destas bacias, inclusive com repovoamento de peixes, foi violentada em seus ideais e objetivos a partir do Governo Bolsonaro, que acrescentou no trabalho da estatal os vales dos rios Araguaia, Tocantins e mais alguns outros da Bacia Amazônica. Tudo muito bem, se a empresa não tivesse desviado seus nobres objetivos e ser alvo de numerosas acusações de corrupção, de desvio de recursos oriundos do tal de orçamento secreto, com recursos destinados a prefeituras para serviços urbanos e, quase sempre, eleitoreiros. Se abrir a caixa-preta da empresa de três anos para cá, o escândalo não vai ser pequeno, pelo que se vê na mídia – e nas ruas de muitas cidades. A Codevasf não tem que estar pavimentando áreas urbanas das cidades e distribuindo caminhões e máquinas para prefeituras. Tem que fazer isto com os ribeirinhos por meio de suas regionais.
Se Lula quer, mesmo, fazer um governo decente, que recoloque a Codevasf nos seus trilhos e que a tire das garras dos políticos sem compromisso com os ideais desta empresa.
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