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Pesca e aquicultura precisam se unir para a democratização do pescado
Data de Publicação: 5 de agosto de 2022 19:37:00 É neste contexto que eventos como a FENACAM, AQUISHOW e IFC, em nível nacional e os eventos regionais, bem como a Semana do Pescado evidenciam a importância de cada um no fortalecimento dos setores de pesca e aquicultura #pesca #aquicultura #pescaeaquicultura #consumodepeixes
Por Antônio Oliveira
De uma das minhas fontes no Brasil, recebi, nas primeiras horas desta manhã, um PDF da edição desta sexta-feira, 5, do jornal Valor Econômico, que trás uma matéria sobre o avanço do mega grupo de agronegócio de grãos e fibra, Bom Futuro, na piscicultura e na agroindústria de pescados, a princípio com o pintado e, agora, entrando na tilapicultura. No texto, assinado pelo colega José Florentino, uma informação me chamou a atenção e a qual transcrevo a seguir e com um comentário posterior:
“Entre abril e maio deste ano, o Instituto Axxus ouviu 4,2 mil pessoas para entender seus hábitos de consumo de pescados. O Instituto Constatou que a tilápia é o peixe preferido de quase 77% dos brasileiros, mas apenas 7% consomem a espécie toda a semana. A maioria – 62% do total – consome a cada dois meses ou mais. As razões para o consumo aquém do potencial, segundo os entrevistados, são principalmente a dificuldade de encontrar o peixe no mercado e no preço, que alguns consumidores consideram alto”
Esta informação é um Raio X resumido dos gargalos da pesca e da aquicultura como um todo, principalmente da piscicultura. Há muitas lacunas e gargalos a serem sanados nos dois setores. O mercado é imenso para os produtos das águas. Em matéria sobre a Semana do Pescado, publicada na noite desta quinta-feira, 4, neste site, o ex-ministro Altemir Gregolin lembra que só no nicho da merenda escolar há potencial de consumo de 40 milhões de estudantes.
É neste contexto que eventos como a FENACAM, AQUISHOW e IFC, em nível nacional e os eventos regionais, bem como a Semana do Pescado evidenciam a importância de cada um no fortalecimento dos setores de pesca e aquicultura. No caso dos eventos, no fortalecimento estrutural e tecnológico das duas cadeias; no segundo, a popularização dos pescados, tornando-os tão frequentes na mesa do brasileiro, quanto as carnes bovinas, suínas e de frango.
Tudo isto é muito importante para a pesca e aquicultura. Mas é preciso muito mais para que os brasileiros de todas as classes sócio-econômicas consumam mais pescados e que estes deixem de ser alimentos de luxo.
É preciso união, humildade e mais inteligência estratégica dos dois setores. Aliás, ao longo de quase 7 anos em que atuo efetivamente no jornalismo dedicado a aquicultura, tenho ouvido muito de pequenas associações e pequenos piscicultores – principalmente depois da publicação do meu último artigo abordando este contexto -, que eles não se sentem representados, nem mesmo estando associados a alguma corporação representativa regional ou nacional. O que se vê, salvo as exceções, são representações defendendo apenas os interesses de uma elite de grandes empresários dos dois setores.
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(Foto ilustrativa: Divulgação)
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E esta união tem razão de ser na existência de uma pasta federal da pesca e da aquicultura e uma instituição de pesquisa que também é da pesca e da aquicultura. E, por outro lado, a união proposta no ano passado pela coordenação nacional da Semana do Pesca foi uma sacada inteligente, de humildade e agregação de valores que fez mais efeito que o “Coma mais Peixe”.
É preciso que este dois segmentos estejam mais organizados e irmanados, entre micros, pequenos e grandes produtores e agroindustriais. Eu defendo até que deveria ser criada uma associação brasileira da pesca e da aquicultura, onde todos tivessem atenção.
Enfim, nenhuma atividade humana, seja qual for a sua natureza e objetivos, alcança êxito sem um item que é menosprezado e até ridicularizado: humildade, sentimento que une e mantém a cabeça aberta para o crescimento moral, espiritual e empresarial.
Utopia?
A História antiga e moderna da Humanidade está cheia de exemplos da importância deste sentimento na vida do ser humano e de qualquer instituição. “O português da rua da direita, com sua simpatia e humildade, está vendendo e crescendo mais que o brasileiro da rua da rua de cima” (A.O.)
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