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SEM NENHUMA ÁRVORE NO CHÃO - Projeto busca soluções de negócios para aumentar exportações de produtos sustentáveis da Amazônia

SEM NENHUMA ÁRVORE NO CHÃO - Projeto busca soluções de negócios para aumentar exportações de produtos sustentáveis da Amazônia

Data de Publicação: 6 de outubro de 2022 19:31:00 Os produtos da Amazônia têm faturamento estimado de US$ 176, 60 bilhões. A Amazônia brasileira abocanha apenas 0, 17% deste total. A exportação de artigos como cacau, dendê, mel, pimenta do reino e castanha-do-brasil tem potencial para ser cerca de sete vezes maior do que é hoje #amazônia #produtos da Amazônia #extrativismo #exportações de produtos da Amazônia

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Redação

Uma nova iniciativa de pesquisa apontará soluções para melhorar o desempenho dos produtos da Amazônia no mercado internacional, um negócio estimado em US$ 176,6 bilhões, mas do qual a Amazônia brasileira participa com apenas 0,17%. A exportação de artigos como cacau, dendê, mel, pimenta do reino e castanha-do-brasil tem potencial para ser cerca de sete vezes maior do que é hoje. Se esses produtos alcançassem a participação média das exportações brasileiras, poderiam render à Amazônia US$ 2,3 bilhões por ano.
- Mergulharemos nas cadeias de produção para entender como essas atividades podem atingir todo seu potencial -  afirma Salo Coslovsky, professor associado da Universidade de Nova York e coordenador do Infloresta, o projeto que estudará como fortalecer negócios sustentáveis na região amazônica.

Cacau, castanha-do-Brasil e pimenta-do-reino são alguns produtos amazônicos que podem render muitos dólares para a região (Fotos: divulgação/Arte: Cerrado Editora)

 

Desenvolvido por uma equipe de pesquisadores com base em Belém (PA), São Paulo (SP) e Nova York, nos Estados Unidos, o Infloresta é um dos desdobramentos do Amazônia 2030, levantamento científico sem precedentes, conduzido por pesquisadores brasileiros para elaborar um plano de desenvolvimento sustentável para a Amazônia.

- O desafio do Amazônia 2030 é traçar caminhos para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. O Infloresta é fundamental para investigar como promover as atividades econômicas compatíveis com a floresta - afirma Juliano Assunção, coordenador do Amazônia 2030 e diretor do Climate Policy Initiative (CPI/PUC-Rio).

O Infloresta terá duração de até 18 meses e analisará três cadeias de produtos compatíveis com a floresta.

O projeto é apoiado pelo Plano Amazônia, iniciativa conjunta dos três maiores bancos privados do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander, e também pelo Amazônia 2030, Instituto Arapyaú, Instituto humanize e Kawa Capital Management.

- Por meio de uma abordagem científica, o Infloresta tem potencial para gerar novas oportunidades de investimento e negócios que tenham ESG em sua essência - afirma Cristina Baldim, vice-presidente da Kawa Capital Management.

A diretora do Instituto humanize, Georgia Pessoa, destaca a importância do caráter multidisciplinar do projeto.

- A colaboração entre especialistas e empreendedores da região, além de um investimento maior em questões como infraestrutura, tecnologia e disseminação de conhecimento sobre boas práticas, são alguns dos elementos que contribuem para fortalecer as cadeias produtivas e que ajudam a dar escala à comercialização de produtos -  afirma Georgia.

Na primeira etapa do projeto, os pesquisadores examinarão a cadeia do cacau, um produto que movimenta mais de US$ 9 bilhões ao ano no mercado global (considerando apenas a venda do cacau inteiro ou partido). O Brasil já foi líder nesse mercado, mas hoje ocupa o sétimo lugar no ranking dos maiores produtores. Os expoentes são Costa do Marfim, com 40% da exportação, e Gana (18%), seguidos por Nigéria (7%) e Equador (7%). Entre 2017 e 2019, a Costa do Marfim exportou cacau para 39 países, enquanto a Amazônia vendeu somente para quatro nações.

- O cacau brasileiro possui impactos sociais e ambientais positivos. Pequenos agricultores são responsáveis por grande parte da produção, feita em sua maioria em sistemas agroflorestais - afirma Thais Ferraz, diretora do Instituto Arapyaú, um dos apoiadores do Infloresta.

- Essas características podem ser usadas para maior valorização do cacau brasileiro, contribuindo para a abertura de novos mercados e melhor remuneração às famílias produtoras.

Salo Coslovsky é professor associado da Universidade de Nova York e coordenador do Infloresta. (Foto: Divulgação)

 

Um levantamento conduzido pela equipe de Coslovsky no ano passado, dentro do projeto Amazônia 2030, sugere que há muitas oportunidades para melhorar o desempenho dos produtos compatíveis com a floresta no comércio internacional. Atualmente, os maiores exportadores de produtos sustentáveis são países que enfrentam condições sociais, políticas e econômicas parecidas ou mais desafiadoras do que as do Brasil. O Vietnã detém 42% do comércio global de pimenta do reino, a Bolívia 52% das vendas de castanha-do-brasil descascada. Já a Amazônia tem, respectivamente, 7% e menos de 5% desses mercados.

- Empresas e comunidades da Amazônia têm muito espaço para crescer, antes mesmo que os problemas estruturais da região sejam plenamente resolvidos - afirma Coslovsky.

- O Brasil não está perdendo só a oportunidade de alavancar a economia da região, mas, sobretudo, a chance de produzir e lucrar sem que nenhuma árvore precise ser derrubada.

*Fonte: Ascom do Infloresta.

 

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