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TODO CUIDADO É POUCO ][ O Legado da vassoura-de-bruxa e o alerta para o cacau no Cerrado baiano: riscos do plantio urbano

TODO CUIDADO É POUCO ][ O Legado da vassoura-de-bruxa e o alerta para o cacau no Cerrado baiano: riscos do plantio urbano

Data de Publicação: 15 de julho de 2025 15:04:00 A devastação da vassoura-de-bruxa no sul da Bahia em 1989, que gerou crises e especulações de sabotagem, é reinterpretada como consequência do descontrole fitossanitário. Agora, a ascensão do cacau no Cerrado baiano traz novos desafios, levantando a minha preocupação sobre o risco do plantio urbano e a vulnerabilidade a novas pragas.

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Por Antônio Oliveira

Em 1989, a praga da vassoura-de-bruxa (Moniliophthora perniciosa) alastrou-se pelas lavouras cacaueiras do sul da Bahia, provocando uma devastação sem precedentes. A doença dizimou as plantações, levando à falência tanto os grandes "barões do cacau" quanto os pequenos e médios produtores. As consequências foram drásticas para a região, resultando em desemprego, queda de renda e aumento da miséria urbana.

Naquela época, diversas hipóteses surgiram para explicar a chegada da doença, incluindo a de sabotagem por países concorrentes na produção de cacau. Essa teoria ganhou força devido à descoberta de ramos infectados com vassoura-de-bruxa amarrados em pés de cacau, embora nada tenha sido comprovado. Paralelamente, circulou a versão de que o surto seria parte de um esquema orquestrado por um grupo ligado à ala radical do Partido dos Trabalhadores (PT). O objetivo seria enfraquecer os "coronéis", figuras poderosas na política baiana, e assim facilitar a ascensão política do partido.

Eu já publiquei extensão matéria sobre esta questão. Após a publicação deste material jornalístico, sobre o tema, um senhor, irmão de um grande amigo meu na Bahia e que foi alto funcionário da Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira) à época do sinistro, e que hoje reside em Pernambuco, desmentiu a informação de sabotagem por parte do PT. Segundo ele, essa versão é uma lenda e fruto de disputas políticas.

Conforme o ex-funcionário da Ceplac, a verdadeira causa da propagação da vassoura-de-bruxa foi outra: as lavouras da região estavam com produção e produtividade aquém da demanda do mercado externo. Para compensar, muitos produtores passaram a comprar cacau da produção amazônica. Essas cargas chegavam em sacas e sem nenhum controle fitossanitário, facilitando a entrada da praga no sul da Bahia. Em um efeito dominó, a doença rapidamente se espalhou, dizimando toda a lavoura cacaueira da região.

Esse episódio trágico serve como um alerta: a vassoura-de-bruxa demonstrou que, por uma via ou outra, pragas e doenças podem romper barreiras, fronteiras e distâncias, caso não haja um controle e vigilância adequados.

Por que discorro sobre este triste momento da lavoura cacaueira baiana? Por uma preocupação que surgiu após meu tradicional cochilo pós-almoço. Recebi, da minha querida Barreiras, um web-banner (na foto acima) anunciando o plantio de 15 mudas de cacau em três rotatórias ao longo da fusão de duas avenidas com uma BR. Essa rodovia corta a cidade de leste a oeste e o plantio seria em comemoração ao "sucesso da 4ª edição da Cacauicultura 4.0", evento realizado na semana passada em Barreiras e Riachão das Neves, municípios que projetam o Cerrado baiano como um grande produtor de cacau, com um sistema sui generis no mundo.

Veja bem: não sou agrônomo, mas sim um jornalista com 40 anos de experiência em observar e reportar a agropecuária e o agronegócio. Entretanto, vejo nesta ingênua iniciativa da prefeitura, por meio de sua Secretaria de Agricultura e Tecnologia, um risco para as lavouras cacaueiras da região da região.

Eu questiono: o cacaueiro é uma planta adequada para urbanização? A prefeitura conseguirá manejar todos os ciclos desses cacaueiros, evitando que adoeçam e atraiam pragas, evitam que transmitam, de uma forma ou de outra, alguma praga, principalmente a vassoura-de-bruxa, para as plantações da região?

Por esse trecho, transitam diariamente milhares de automóveis e até caminhões de pequeno porte, que vêm do Nordeste em direção ao Norte, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, e vice-versa. Os cacaueiros – sejam urbanos ou rurais – estariam vulneráveis a sabotagens ou, de forma natural, à contaminação e transmissão de pragas e doenças.

O algodoeiro é uma planta muito linda com seu verde escuro e suas belas flores. Ficaria lindo em canteiros e jardins urbanos. Mas seria presa fácil como o bicudo.

Todo cuidado é pouco. O Cerrado baiano promete muito no panorama nacional e internacional da indústria do cacau. Pode ser que eu esteja errado. Se estiver, me curvarei e pedirei desculpas a quem me convencer, com argumentos muito bem embasados, que estou equivocado.

 

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