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ESPECIAL PISCICULTURA MINEIRA ][ Três Marias e Furnas: as águas que desenham o futuro da tilápia

ESPECIAL PISCICULTURA MINEIRA ][ Três Marias e Furnas: as águas que desenham o futuro da tilápia

Data de Publicação: 20 de março de 2026 10:30:00 Do rústico ao industrial: pioneiros revelam como a união de produtores e o rigor técnico transformaram Minas Gerais em uma potência global da piscicultura.

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Resumo

Com um crescimento de 6,46% e produção de 77.500 toneladas, a piscicultura mineira vive sua era industrial. Esta reportagem especial resgata a trajetória dos pioneiros nos lagos de Três Marias e Furnas, analisando os desafios biológicos, os gargalos burocráticos e o papel da inovação.

Por Antônio Oliveira

Já consolidada no cenário nacional, a piscicultura mineira ganha ainda mais tração com a entrada de grandes players de outros segmentos de proteína animal. No último ano, conforme o Anuário Peixe BR de Piscicultura 2026, a atividade atingiu a marca de 77.500 toneladas de peixes de cultivo, registrando um crescimento de 6,46% em relação a 2024. A tilápia continua sendo o pilar do setor, representando quase 95% do volume total do estado, com uma produção de 73.500 toneladas (alta de 6,98%).

O desempenho positivo é fruto de investimentos em sanidade e saúde animal, que garantiram retornos financeiros sólidos e permitiram a modernização das estruturas. No entanto, o setor ainda enfrenta gargalos: a necessidade de padronização do produto mineiro e o combate rigoroso às unidades de beneficiamento irregulares, visando eliminar fraudes e garantir a segurança do consumidor.

Usina Hidroelétrica de Furnas (Foto: divulgação)
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A série especial: Três Marias e Furnas

Nesta nova matéria da série que a editoria de pesca e aquicultura da Cerrado Rural Agronegócios dedica à piscicultura mineira, o foco recai sobre o pioneirismo nos grandes lagos do estado: Três Marias e Furnas. Convidamos diversas lideranças entre produtores pioneiros, técnicos de órgãos de assistência e fomento, das quais duas aceitaram o desafio desta reportagem: José Eduardo Aracena Rasguido e Leonardo Romano. Esta série é oportuna a realização da Aquishow Brasil 2026 pela segunda vez em solo mineiro. O evento acontecerá em Uberlândia, de 9 a 11 de junho.

José Eduardo Aracena Rasguido

Natural da Bolívia e naturalizado brasileiro, é médico veterinário formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1972). Com especialização em piscicultura na Hungria, atuou na Emater-MG por 40 anos. Foi piscicultor na represa de Três Marias (Felixlândia) e participou da implantação do Polo de Peixes Ornamentais em Muriaé, além de trabalhar com trutas na Serra da Mantiqueira. Sua vasta experiência abrange mais de 700 municípios mineiros e quase todos os estados do Brasil (exceto Amapá e Roraima). Aposentado há 10 anos, segue como consultor e membro da Peixe-MG. Internacionalmente, contribuiu na implantação do Centro de Apoio aos Piscicultores na Bolívia, um investimento superior a 100 milhões de reais.

Leonardo Romano

Ingressou na piscicultura em 2012, vindo do setor de telecomunicações. Foi sócio de um empreendimento de engorda de tilápias em São José do Buriti (Felixlândia), nas águas de Três Marias. Teve atuação ativa no fortalecimento de entidades setoriais, como a Câmara Técnica Setorial de Aquicultura (vinculada ao CEPA) e a Peixe-MG. Em 2022, vendeu seu empreendimento, mas permanece como uma voz influente do setor.

Usina Hidroelétrica de Três Marias (Foto: divulgação)
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Jornalismo-literatura

Apresentamos aqui um conteúdo robusto para os padrões do jornalismo atual, onde a pressa muitas vezes reduz os assuntos e prejudica a profundidade da informação. Meu propósito, como jornalista e escritor, é aliar o factual ao literário, transformando o texto jornalístico em uma fonte histórica e de pesquisa para a piscicultura mineira. Por outro lado, a Cerrado Rural Agro mantém sua proposta de ser uma web revista que preserva a tradição e o rigor editorial cultivados desde 2003, quando iniciou sua trajetória na mídia impressa.

A conversa foi realizada via WhatsApp, com as mesmas perguntas direcionadas a ambos. Rasguido optou por responder ponto a ponto, enquanto Leonardo preferiu manifestar-se por meio de um texto geral e tópicos contextuais.

Seguem, abaixo, as perguntas e respostas de José Eduardo Aracena Rasguido.

 “Os problemas, no entanto, eram de toda ordem”

(Rasguido)

Antônio Oliveira  - Na condição de dois dos pioneiros na exploração econômica do Lago Três Marias, para o cultivo de peixes,  vamos recordar os anos pioneiros e os primeiros projetos de piscicultura. Naquela época, a Codevasf ainda focava muito em repovoamento com espécies nativas. Como foi a transição cultural e técnica para vocês aceitarem a tilápia como o carro-chefe comercial, e quais foram as maiores dificuldades em adaptar os primeiros tanques-rede rústicos às águas de Três Marias?"

José Eduardo A. Rasguido (Foto: Acervo pessoal)
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Jose Eduardo Aracena (Rasguido) – Naquela época, a Codevasf implantou em Três Marias a Estação de Hidrobiologia e Piscicultura, que foi fundamental para o desenvolvimento da atividade em Minas Gerais. O foco inicial dessa unidade eram, de fato, as espécies nativas; porém, a implantação da estação de Janaúba, no norte do estado, surgiu justamente para o estudo de outras variedades.

Por meio de um convênio com a Agrober, da Hungria, houve um intercâmbio técnico voltado, inicialmente, para o trabalho com carpas e para a geração de tecnologia de nativas, como o Tambaqui, o Pacu e diversas espécies de Curimatã e Piau. Foram essas as espécies que deram início à piscicultura comercial, mas foi com a chegada da tilápia que entramos, de fato, na era industrial.

Posteriormente, tanto as espécies nativas quanto a tilápia impulsionaram os 'pesque-pague' em Minas e no Brasil. Como esses locais eram frequentados por famílias, houve um aumento significativo no consumo de pescado, o que nos apontou o novo caminho estratégico da piscicultura.

Antônio Oliveira - Os senhores devem ter presenciado o nascimento da ASPIM (Associação dos Piscicultores de Morada Nova) em 2001. Olhando para trás, qual era o maior medo dos produtores naquele momento: a falta de mercado para o peixe, a falta de ração de qualidade ou a insegurança jurídica sobre o uso das águas da União?"

Rasguido -  O início das atividades da ASPIM foi marcado por muito entusiasmo e pela esperança de que a piscicultura se tornasse um pilar para a melhoria social e econômica dos envolvidos. Os problemas, no entanto, eram de toda ordem: não havia alevinos de boa qualidade e eles precisavam vir de longe; a ração disponível era insuficiente para as necessidades dos peixes e também era adquirida em locais distantes. Além disso, o transporte era difícil e a maior incerteza residia no mercado.

"Não é plausível que a piscicultura, usando 1% da área dos lagos, comprometa as águas; o que vemos é a vida florescer onde o peixe é cultivado."

A união do grupo, contudo, permitiu superar esses desafios. Visitamos produtores no Nordeste, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Paraná e outros estados. Muitas viagens de estudo foram realizadas por técnicos e produtores para que pudéssemos trabalhar sintonizados com a tecnologia existente no país. Foi assim que trilhamos o caminho até transformar Morada Nova de Minas no maior município produtor de tilápia do Brasil.

Outro grande obstáculo foi a regularização. Como a represa de Três Marias faz parte do Rio São Francisco — que possui águas de domínio federal —, todo o processo de licenciamento precisa obedecer tanto às normas federais quanto às estaduais. Essa tramitação complexa e burocrática atrasou muito o crescimento da atividade; infelizmente, a agilidade desses processos não acompanhou a evolução da informática e, até hoje, a liberação ainda é muito demorada."

Antônio Oliveira - Ainda como pioneiros, o setor passou por crises severas, como o estigma gerado pelo desastre de Brumadinho em 2019. Como o senhor e os outros pioneiros trabalharam para manter a credibilidade do peixe de Três Marias diante da desinformação do mercado e quais lições de monitoramento ambiental ficaram desse período?

Rasguido - A piscicultura atravessou diversos problemas ao longo dos anos. Quando houve o rompimento da barragem em Brumadinho, a divulgação de que a água da represa de Três Marias ficaria contaminada por metais pesados gerou muita desconfiança entre os consumidores. Felizmente, contamos com um trabalho árduo do sistema ambiental do Estado e, principalmente, do IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária). O órgão passou a monitorar rigorosamente tanto a qualidade da água quanto a carcaça dos peixes, comprovando que as notícias alarmistas não eram verdadeiras.

Inclusive, como minha piscicultura ficava no início da represa, eu seria, teoricamente, o primeiro produtor a ser afetado — o que nunca aconteceu. Fui procurado por diversos veículos de comunicação para dar entrevistas como alguém 'atingido' pelo desastre, mas confesso que jamais tive prejuízos produtivos decorrentes do rompimento. Continuei produzindo e comercializando meus peixes com a garantia de que entregava um produto de qualidade certificada aos consumidores.

Antônio Oliveira - Sabemos que a pesquisa (EPAMIG/UFMG) avançou muito, mas a assistência no dia a dia nem sempre chegou para todos. No início, quem era o maior 'professor' dos piscicultores: os técnicos do governo, os vendedores de ração ou a tentativa e erro compartilhada entre os vizinhos de tanque? O senhor — Rasguido — mesmo é técnico e deve ter ampla visão sobre esta questão.

Rasguido - O avanço tecnológico no sistema de produção da tilápia na represa de Três Marias contou, primordialmente, com o apoio da Codevasf e da Emater-MG, que buscaram referências em outros estados. À medida que a produção aumentava, os fabricantes de ração também passaram a contribuir significativamente, trazendo inovações tanto na área de nutrição quanto no manejo e no posicionamento de mercado.

A contribuição da Epamig ocorreu dentro das possibilidades de um quadro técnico que, na época, era relativamente reduzido para a área de piscicultura. Atualmente, a Epamig está intensificando seus trabalhos em Minas Gerais com o apoio da Embrapa, e acredito que colheremos grandes avanços tecnológicos com esse novo enfoque. Por fim, não posso deixar de destacar o esforço individual dos piscicultores: a observação rigorosa, o acompanhamento constante das atividades e a proatividade em buscar tecnologia fora foram fundamentais para o nosso crescimento.

Antônio Oliveira - Como é, atualmente, a extensão rural do Governo de Minas voltada aos piscicultores mineiros?

Rasguido - Na atualidade, o serviço de extensão rural está sendo reestruturado para atender melhor ao crescimento e à sofisticação da piscicultura no estado. Observamos que, mesmo os pequenos produtores, ao adotarem tecnologias mais avançadas em propriedades menores, estão obtendo um excelente retorno econômico.

A atividade tem se consolidado como uma alternativa de renda viável e eficiente, o que reflete diretamente na melhoria das condições sociais dessas famílias. Esse novo olhar da extensão rural busca justamente garantir que o produtor tenha suporte técnico para profissionalizar cada vez mais o seu manejo.

Antônio Oliveira – A Embrapa Pesca e Aquicultura tem atendido as expectativas dos piscicultores mineiros, no que diz respeito ao melhoramento da tilápia e de peixes nativos?

Rasguido -  A Embrapa Pesca e Aquicultura precisa acompanhar mais de perto, e com maior intensidade, os avanços que os piscicultores já vêm conquistando. Isso vale tanto para o cultivo da tilápia quanto para o setor de peixes ornamentais, que representa uma excelente oportunidade, especialmente para o pequeno produtor.

Estamos entrando em uma fase muito promissora para a exportação de tilápia e também de peixes ornamentais. Para que o Brasil se mantenha competitivo frente a outros países, precisamos de estudos de mercado mais profundos e de ajustes tecnológicos constantes. O papel da pesquisa oficial é fundamental para dar esse suporte técnico que o novo mercado global exige.

Antônio Oliveira  – Como a questão do licenciamento ambiental é tratado pelo órgão de controle ambiental dos entes municipais e estadual de Minas Gerais?

Tanques-rede no Lago de Furnas (Foto: Divulgação)
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Rasguido -  Olhando para o Lago de Três Marias e outros reservatórios em Minas, continuo sonhando — e mais do que um sonho, tenho a certeza — de que podemos ser os maiores produtores de tilápia do mundo. Para isso, precisamos somar forças entre as entidades ligadas ao setor nas esferas federal, estadual e municipal. O produtor já está fazendo a sua parte; cabe aos órgãos nos apontar os caminhos para uma tecnologia cada vez mais avançada e sustentável.

Não é plausível que a piscicultura, utilizando apenas 1% da área dos lagos, possa comprometer a qualidade da água. O que precisamos é de monitoramento constante para determinar o teto de crescimento nesses ambientes. Inclusive, após a implantação das pisciculturas no Lago, observamos um aumento populacional de diversas espécies nativas e de uma grande variedade de aves — algo que não era visto antes da atividade. Por esses e outros motivos, afirmo que a nossa piscicultura caminha alicerçada na sustentabilidade.

Antônio Oliveira - Hoje, o Lago de Três Marias é um polo de economia circular e exportação. Olhando para a imensidão desse reservatório agora, comparado ao que os senhores viram há 30 anos, qual os seus sentimentos em relação ao equilíbrio biológico? A piscicultura mineira está no caminho certo para subir no ranking nacional e ocupar o protagonismo que o estado merece?

Rasguido - O crescimento da piscicultura mineira está, sem dúvida, no caminho certo para alcançar destaque nacional e internacional. Temos um conjunto de fatores privilegiados para que isso aconteça: um grande número de represas com volumes significativos, inúmeras propriedades com nascentes de água de altíssima qualidade e temperaturas ideais para o cultivo.

"O setor já provou sua força; agora, o futuro depende de transformar o potencial hídrico em eficiência industrial e mercados globais."

Além disso, Minas possui a maior malha rodoviária do país, uma enorme produção de grãos para ração e diversas instituições sólidas ligadas ao setor produtivo. Para consolidar essa liderança, precisamos agora avançar na tecnologia de processamento e na implantação de unidades frigoríficas. O foco deve ser o incremento das exportações e a diversificação de cortes e formatos de produtos, atendendo às novas exigências dos consumidores e mantendo a atividade competitiva e sustentável.

Antônio Oliveira - Por fim, a realização da Aquishow Brasil em 2025 trouxe avanços tecnológicos e de mercado para a piscicultura mineira? O que podemos esperar da edição deste ano?

Rasguido - A realização da Aquishow em Minas Gerais foi motivada pela visão de seus organizadores sobre o grande potencial do nosso mercado. Para nós, mineiros, fazer parte dessa vitrine é extremamente importante e motivador. Durante o evento, os encontros facilitam o intercâmbio de tecnologia e permitem vislumbrar momentos ainda mais promissores para a atividade, tanto em Minas quanto no Brasil.

Estamos aguardando com muita ansiedade a edição deste ano. O crescimento de muitos piscicultores é impulsionado justamente pelos avanços apresentados no evento, que renovam o fôlego e a visão estratégica de quem está na linha de frente da produção.

 “Já houve, até hoje sem sucesso, inúmeras tentativas junto à EPAMIG para potencializar a utilização das Estações Experimentais de Felixlândia e Leopoldina”

Leornardo Romano (Foto: Acervo pessoal)
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Seguem as reflexões do Leornardo Romano;

“A tilapicultura mineira é uma atividade recente, se comparada às demais fontes de proteína animal produzidas no Estado. Apesar do crescente desenvolvimento, ainda há muito espaço para evolução, em termos de genética, processos, gestão, técnicas de manejo, alimentação, sanidade etc. Um grande desafio para a Aquicultura é fazer com que o poder público, que já reconhece esse movimento de desenvolvimento, atenda às suas demandas e reveja e modernize o regramento a que a atividade está submetida. No âmbito estadual, alguns movimentos do Setor foram fundamentais para que a piscicultura entrasse na pauta dos órgãos; cito a reativação da Câmara Técnica de Aquicultura em 2014 (que faz a conexão da cadeia com toda a esfera estadual), a ocupação de uma cadeira no Conselho Estadual de Recursos Hídricos e a criação da Peixe MG, ambos em 2018. É inegável o apoio dos órgãos estaduais (especialmente SEAPA e vinculadas) e federais (com destaque para a Superintendência Federal em Minas Gerais – SFMPA do Ministério da Pesca e Aquicultura - MPA). No entanto, gostaria de destacar pontos que ainda impactam o desenvolvimento da Aquicultura e que precisam ter a atenção e ação dos entes envolvidos:”

-  Atualmente a Aquicultura em tanques-rede é classificada como médio potencial poluidor na DN 217/17, que regula o licenciamento ambiental. É tempo de revisão dessa classificação para baixo potencial poluidor. A experiência acumulada na criação de tilápias em águas de reservatórios de represas comprova que não há qualquer impacto da atividade na qualidade da água do ponto de vista de poluição; até porque a água é o principal insumo e o empreendedor tem todo o interesse (e necessidade) de manter sua qualidade. A alteração simplificaria muito o processo de licenciamento ambiental de pisciculturas;

- Atualmente o registro de todo empreendimento de piscicultura no Estado é feito no IEF (Instituto Estadual de Florestas), determinado pela Portaria IEF nº 100, de 16/9/2020. Essa regra foi trazida de regulamentos anteriores e retrata uma situação antiga, quando a Aquicultura não era uma atividade relevante, ao contrário de sua atual importância como fonte de proteína animal e atividade econômica relevante. É urgente que os cadastros e registro sejam feitos no IMA, como já acontece com as outras cadeias produtivas similares (bovinocultura, avicultura, suinocultura, por exemplo);

- Apesar do apoio da EMATER à Aquicultura Mineira, é de conhecimento geral a ausência, nos quadros daquela empresa, de técnicos com conhecimento de piscicultura, que possam orientar, principalmente os pequenos produtores. A demanda é para que seja providenciado amplo plano de capacitação pela EMATER de profissionais que levem à piscicultura os programas de extensão rural tão bem sucedidos em outros segmentos do agronegócio;

Tanques-rede no Lago de Três Marias (Foto: divulgação)

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- Há uma expectativa (e necessidade) do Setor para que a EPAMIG promova pesquisas aplicadas à realidade de campo da piscicultura. Atualmente, não há registros de trabalhos daquela empresa que tenham resultado em melhoria de processos na Aquicultura. Um exemplo de demanda real, seria um estudo para mapear as condições para utilização de águas de PCH para instalação de tanques-rede. Minas Gerais conta um grande número desse tipo de reservatório de águas, utilizados muito aquém de seu potencial, pelo desconhecimento do regime de ocupação e incentivo;

-  Já houve, até hoje sem sucesso, inúmeras tentativas junto à EPAMIG para potencializar a utilização, através de parcerias com empresários do Setor, das Estações Experimentais de Felixlândia e Leopoldina. Ambas têm localização e infraestrutura para um aproveitamento muito melhor e mais adequado ao que é feito hoje, com enormes benefícios para o Estado e para a Aquicultura mineira;

-  Um dos gargalos mais relevantes é a falta de disponibilidade de energia elétrica de boa qualidade e potência adequada nos locais em que estão ou poderão ser instalados empreendimentos aquícolas. Essa carência tem inibido o crescimento de setores dependentes de energia elétrica como, por exemplo, frigoríficos e laboratórios para produção de alevinos;

- Também as exigências da Marinha são exageradas para a formação de operadores de barco, pela falta de conhecimento daquele órgão quanto à realidade da piscicultura. O que se sabe é que não há uma legislação específica para águas interiores, como é o caso dos reservatórios de represas de Minas Gerais. Por isso, é aplicada a norma geral para a atividade preponderante, que é a operação em águas marítimas. Para exemplificar, o Curso de Formação de Aquaviários tem duração de 7 a 15 dias e aborda temas que vão muito além do que precisa saber um funcionário que pilota um barco com motor de baixa potência (até 25 HP) e navega em locais restritos, delimitados pela área da piscicultura.

- É importante registrar o apoio da FAEMG, grande parceira da Aquicultura Mineira;

 - Finalmente, é importante um olhar para dentro da Aquicultura Mineira. Um desafio a ser vencido é conseguir maior participação dos integrantes da cadeia aquícola na Peixe MG. Já ficou clara a importância da Associação. A Peixe MG hoje é reconhecida nas esferas estadual e federal como legítima porta voz e representante do Setor. Muitos assuntos relevantes e impactantes têm sido tratados pela entidade; exemplos recentes são a questão da inclusão da tilápia em lista de peixes exóticos da CONABIO e a reação ao processo de importação de filés de tilápia do Vietnam. Infelizmente, e diferentemente do que ocorre no Paraná, por exemplo, temos que desenvolver a cultura do associativismo, lembrando sempre que “Juntos Somos Mais Fortes”.

#Publicação simultânea com o site Piscishow e Avisuleite.

 

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