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MANIFESTO ][ Importação de tilápia: alerta contra a concorrência desleal em Mato Grosso

MANIFESTO ][ Importação de tilápia: alerta contra a concorrência desleal em Mato Grosso

Data de Publicação: 18 de fevereiro de 2026 14:12:00 Com investimentos crescentes e alta tecnologia, a tilapicultura de Mato Grosso busca equilíbrio concorrencial diante da disparada das importações.

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Resumo

A Nota Técnica da AQUAMAT analisa a pujança da tilapicultura em MT e o impacto das importações asiáticas. O documento destaca a autossuficiência estadual, os riscos de desequilíbrio por subsídios externos e a necessidade de políticas que protejam os investimentos e a sanidade do setor produtivo.

 

Por Antônio Oliveira 

Mato Grosso consolida-se como um gigante da piscicultura, respondendo por 15% da produção nacional de tilápia com um sistema altamente tecnificado. No entanto, o setor enfrenta o desafio do crescimento expressivo das importações, especialmente de origem asiática, que trazem disparidades competitivas ligadas a subsídios e padrões sanitários distintos. Esta Nota Técnica, elaborada pela AQUAMAT, detalha o ciclo de investimentos locais e os riscos que a entrada predatória de produtos externos impõe à sustentabilidade da cadeia estadual.

Confira a análise detalhada na nota técnica na íntegra.

NOTA TÉCNICA  

Importação de tilápia e Impactos na cadeia produtiva mato-grossense

 

A Associação dos Aquicultores de Mato Grosso – AQUAMAT, entidade representativa da cadeia aquícola estadual, apresenta a presente manifestação técnica com base em dados oficiais e setoriais acerca do cenário atual da tilapicultura brasileira e seus reflexos no Estado de Mato Grosso.

De acordo com o Anuário da Peixe BR, a tilápia representa aproximadamente 65% da produção total da piscicultura nacional, consolidando-se como a principal espécie cultivada no Brasil. A produção brasileira supera 550 mil toneladas anuais, mantendo trajetória de crescimento consistente.

Mato Grosso figura entre os principais produtores nacionais de pescado, respondendo por aproximadamente 15% da produção brasileira e posicionando-se entre os sete maiores estados produtores do país. O Estado dispõe de um sistema produtivo tecnificado, com elevado nível de organização industrial, integração de cadeia e padrão sanitário rigorosamente alinhado às exigências do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Reconhecido nacionalmente por sua vocação agropecuária, Mato Grosso apresenta o maior potencial de expansão da piscicultura no Brasil, em razão da ampla disponibilidade de recursos hídricos, condições edafoclimáticas favoráveis e abundante oferta de grãos destinados à fabricação de rações, fatores que conferem elevada competitividade estrutural à atividade aquícola estadual.

A tilapicultura mato-grossense consolidou-se como
atividade estratégica para o Estado ( Foto: Embrapa )
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Além de atender plenamente ao mercado interno estadual, Mato Grosso exporta tilápia para outras unidades da federação, demonstrando competitividade produtiva e logística. A cadeia envolve produtores, agroindústrias, frigoríficos, fábricas de ração, laboratórios e transportadores, gerando impacto econômico relevante na arrecadação tributária e na geração de emprego e renda.

Investimentos estruturantes e expansão da cadeia

Destaca-se que o Estado de Mato Grosso atravessa um ciclo consistente de investimentos estruturantes na cadeia da tilapicultura, marcado pela ampliação e modernização de plantas frigoríficas, implantação de novas unidades de processamento, expansão da capacidade instalada de produção de alevinos, fortalecimento da indústria de rações com incorporação de tecnologias nutricionais avançadas e avanço dos modelos de verticalização e integração produtiva. Esse conjunto de investimentos demonstra maturidade do setor, consolidação industrial e perspectiva concreta de aumento da oferta, agregação de valor e geração de empregos, posicionando a tilapicultura mato-grossense em um novo patamar de competitividade nacional.

Esses investimentos indicam confiança do setor produtivo no potencial de crescimento da tilápia no Estado e projetam aumento significativo da capacidade de processamento e oferta nos próximos anos. Trata-se de um movimento estratégico de consolidação da cadeia produtiva, com geração de empregos, agregação de valor e fortalecimento da economia regional.

Nesse contexto, torna-se fundamental que as ações do Poder Executivo e do Poder Legislativo estejam alinhadas com o desenvolvimento estruturado da atividade, garantindo ambiente regulatório estável, previsibilidade jurídica, equilíbrio concorrencial e condições adequadas para a continuidade da expansão produtiva.

Dinâmica das importações

O Anuário Peixe BR registra crescimento expressivo nas importações brasileiras de filé de tilápia, especialmente provenientes de países asiáticos. Em determinados períodos recentes, o volume importado apresentou crescimento superior a 100% em relação a anos anteriores, ampliando sua presença no mercado nacional.

Do ponto de vista técnico-econômico, diferenças de preço entre produto importado e nacional podem estar associadas a:

- Subsídios governamentais no país de origem;

- Estrutura trabalhista com menor custo regulatório;

- Escala industrial diferenciada;

- Padrões distintos de rastreabilidade e controle sanitário;

- Utilização de aditivos tecnológicos, como polifosfatos, capazes de aumentar retenção hídrica no filé.

A retenção hídrica induzida por aditivos pode elevar artificialmente o peso comercial do produto, impactando a formação de preços e a comparação objetiva entre mercadorias.

No caso de Mato Grosso, onde há autossuficiência produtiva e excedente exportável, o crescimento das importações não decorre de insuficiência de oferta interna, mas de dinâmicas comerciais baseadas em diferenciais estruturais de custo.

Considerações técnicas finais

A tilapicultura mato-grossense consolidou-se como atividade estratégica para o Estado, caracterizada por elevado nível de organização técnica, conformidade ambiental e relevância econômica crescente. Nesse contexto, o monitoramento contínuo das dinâmicas de mercado e do fluxo de importações torna-se instrumento essencial para preservar a sustentabilidade da cadeia produtiva regional, proteger a segurança econômica dos investimentos já realizados, assegurar transparência ao consumidor quanto à qualidade e composição do produto, garantir equidade concorrencial e manter estabilidade e previsibilidade ao ambiente produtivo. Diante do expressivo volume de investimentos em curso e da consolidação da tilápia como vetor de desenvolvimento econômico estadual, impõe-se uma visão estratégica e atuação coordenada entre setor produtivo e poder público, de modo a fortalecer a competitividade e assegurar crescimento estruturado e sustentável da atividade no Mato Grosso.

Cuiabá – MT, 18 de feveiro de 2026

Dr. Darci Carlos Fornari – Presidente da AQUAMAT – Associação dos Aquicultores de Mato Grosso

 

#Publicação simultânea com o site Piscishow e Avisuleite.

 

TilápiaMT — MercadoInterno — ConcorrênciaDesleal — CadeiaProdutiva — AQUAMAT

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