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TRIBUTO ][ Sementes de eternidade: O legado dos pioneiros do Oeste

Data de Publicação: 26 de abril de 2026 12:18:00 Mais que grãos, esses homens semearam o destino de uma região, transformando o "Cerrado hostil" em um jardim de desenvolvimento e esperança.

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Resumo

O artigo rende homenagem a Célio Zuttion e aos pioneiros que migraram para o Oeste baiano. Rebatendo o preconceito inicial, o texto narra como o trabalho árduo desses produtores e suas famílias construiu cidades e consolidou um polo econômico vibrante, deixando gratidão em vez de devastação.

Por Antônio Oliveira

O Oeste da Bahia, palco da épica epopeia que floresceu no coração do Cerrado Norte e Nordeste, despediu-se neste sábado, 25, de um de seus grandes arquitetos da terra. Célio Zuttion partiu em Barreiras, aos 72 anos, deixando o sulco de sua história profundamente gravado no solo que ajudou a transformar.

Imagem meramente ilustrativa por sugestão do autor ao META IA
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Como testemunha ocular, unindo o ofício de jornalista à vocação de historiador, guardo na memória o auge da migração dos “sulistas” — os bravos “gaúchos” — que vieram cultivar o então hostil e desacreditado Cerrado de terras altas no Além São Francisco. Naquela época, o olhar nativo, por vezes banhado em uma ingenuidade sem maldade, via neles o papel de sonhadores. Diziam que era loucura querer produzir nos “Gerais da Bahia”, onde a realeza pertencia apenas às emas, aos veados e aos calangos. Outros, com receio, vaticinavam que, após a colheita da riqueza, eles partiriam, deixando para trás um deserto de poeira e devastação.

Contudo, a história, mestre da verdade, escreveu um enredo de resiliência, coragem e determinação. Homens como Célio Zuttion, após quarenta anos e cerca de cem safras de fartura crescente, provaram que suas raízes eram tão profundas quanto o seu trabalho. Eles não semearam apenas o arroz para abrir o chão, nem apenas a soja, o milho, o algodão ou o café. Eles semearam destinos.

“Eles não abriram apenas a terra; eles abriram os caminhos do futuro com o suor da coragem e a semente da resiliência.”

Relembro, com saudade e reverência, homens como Arnaldo Horácio Ferreira — que em sua generosidade me chamava: “Antônio, sobe aqui!”, convidando-me ao Posto Mimoso para compartilhar sua visão. Relembro Paulo Ambrósio, o patriarca dos Schmidt; Constantino Catarino de Souza – “Antônio, vem comigo para ver um conflito entre Bahia e Goiás” -; Satoshi Horita, o pilar dos Horita; Luiz Antônio Quintella Cansanção e tantos outros. Estes pioneiros não retornaram às suas províncias de origem, mas elevaram-se ao Plano Superior, a Grande Casa do Pai para onde todos caminhamos. Outros, como Humberto Santa Cruz e Antônio Guadagnin, levaram suas sementes para empreender em novas plagas.

Nenhum deles deixou cinzas ou terras arrasadas. Pelo contrário. Com suor e lágrimas, transformaram o horizonte. Eles destravaram as veias do desenvolvimento de Barreiras, São Desidério, Formosa do Rio Preto e Riachão das Neves. Ergueram cidades da força do capital da soja, como Luís Eduardo Magalhães — este prodígio que hoje assombra o Brasil com seu crescimento — e deram o sopro de vida a lugares como Roda Velha, que teve no trabalho e no pulso político de Zuttion o seu grande impulso.

Esses homens, ladeados por suas nobres e dedicadas esposas, não partiram deixando o vazio. Deixaram um legado de polos comerciais vibrantes, educação, saúde e uma perspectiva de futuro que ecoa a prosperidade de regiões como Campinas e Ribeirão Preto.

E há algo de profunda beleza nessa herança: eles deixaram seus filhos e netos à frente dos negócios ou servindo à sociedade regional em múltiplas frentes do saber. Hoje, o sangue desses pioneiros pulsa em médicos, engenheiros, administradores e tantos outros profissionais das ciências humanas e exatas que sustentam o futuro da nossa região.

A Célio Zuttion e a todos os pioneiros que já habitam o Plano Espiritual, o povo do Oeste da Bahia curva-se em um gesto de eterna gratidão. Aos que partiram para semear em outros estados, o nosso reconhecimento. O Cerrado, antes mudo, hoje canta a história de quem o fez pulsar.

 

Célio Zuttion / Oeste da Bahia / Pioneirismo Rural / História do Cerrado / Agronegócio Baiano

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